Capítulo 33. Pouco antes de subir ao
monte Nebo para contemplar a terra prometida e morrer, Moisés abençoou as
tribos de Israel. Convocou-as, exceto a de Simeão e profetizou
poeticamente as bênçãos que elas receberiam ao estabelecer-se em Canaã. A
última bênção de Moisés e a última bênção de Jacó contrastam muito entre si.
Jacó sintetizou a história da conduta de seus filhos, que às vezes foi triste e humilhante. Moisés,
pelo
contrário, passa por alto os pecados deles e apresenta a graça que Deus
revelou a seu favor.
Como se explica a diferença entre as duas bênçãos, uma vez que ambas se
referem às tribos de Israel? Um comentarista, C. H. Mackintosh, observa:
"Jacó contempla seus filhos do ponto de vista pessoal; Moisés os vê
segundo a relação que existe com o Senhor em virtude do concerto.
Convém notar que as bênçãos se concretizariam com a colocação de cada
tribo na terra de Canaã tal como foi dividida mais tarde. Com olho profético, o
velho dirigente viu a terra prometida e a localização posterior de cada tribo.
Também se relacionam as bênçãos de cada tribo com a necessidade ou função de
cada uma delas. Para Rúben, que havia perdido a primogenitura, Moisés pediu a
multiplicação de seus filhos. Judá teria grande poder; seria como o que toma a
dianteira nas ações militares contra os inimigos de Israel. Levi recebeu o
sacerdócio e o ministério de consultar ao Senhor em paga por seu zelo pela
causa do Senhor na ocasião em que Moisés decretou a morte dos impenitentes
adoradores do bezerro de ouro. Moisés contemplou a tranqüilidade futura de
Benjamim ao habitar nos montes. Acerca das tribos de José, Efraim e Manasses,
foi profetizada a fertilidade de sua terra e também sua grande força semelhante
à de um búfalo. Zebulom e Issacar prosperariam em empresas comerciais nas
costas do mar. Dã seria valente e forte como um leão jovem que chega à
plenitude de suas forças. Naftali receberia uma terra fértil na região do mar
da Galiléia. De Aser, Moisés profetizou grande abundância de oliveiras e
segurança.
O segredo para receber todas as bênçãos encontra-se no incomparável
Deus de Jesurum. Os israelitas alcançariam vitória sobre seus inimigos porque
Deus lha concederia. Quando Israel se colocava nos braços eternos, esses mesmos
braços o conduziam pelo campo de batalha e o utilizavam para executar o juízo
divino contra os corrompidos cananeus.
A morte de Moisés: Capítulo 34. Como parte da recompensa por
sua fidelidade, Deus permite a Moisés contemplar a terra prometida do topo do
monte Nebo. Mas por sua desobediência no incidente das águas de Meribá, não se
lhe permite entrar naquela terra. Demonstra que embora Moisés seja libertador,
não é o libertador por excelência, pois não pôde alcançar para seu povo a
vitória final. Não obstante, não houve profeta antes nem depois em Israel como
ele. Deus levou o espírito de Moisés consigo e sepultou o corpo em um lugar
desconhecido dos israelitas. Se o lugar de seu sepultamento fosse conhecido, o
povo o teria convertido em um santuário idolatra. Muitos crêem que Josué
escreveu este último capítulo como tributo final a Moisés.
Não entrou Moisés, nunca, na terra prometida? Não o vemos mais
nas páginas das Sagradas Escrituras? Sim, vemo-lo na Palestina falando
com Cristo no monte da Transfiguração. Quão apropriado era conceder-lhe esta
honra! Moisés havia tido uma grande parte na preparação da vinda e obra daquele
cujo ministério foi prefigurado pelo grande líder de Israel.
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