quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O perigo do liberalismo teológico

O liberalismo teológico é um movimento surgido no século 18 com fortes influências do iluminismo. Seu objetivo é claro: relativizar a bíblia e os milagres. Um dos seus pressupostos é “o sobrenatural não invade a história”. É um movimento marcadamente racionalista que nega experiências sobrenaturais e os relatos bíblicos sobre os milagres.
          Os teólogos liberais fazem distinção entre a história e a história santa ou salvífica. A criação, Adão e Eva, a queda da raça humana fazem parte da história salvífica e não da história como fatos reais, concretos. Os relatos bíblicos sobre os milagres seriam invenções dos judeus e dos primeiros cristãos. O alemão Friedrich Schleiermacher (1768-1834) é considerado o pai do liberalismo protestante. Ele negava a historicidade dos milagres de Cristo e na área da interpretação bíblica declarou que o intérprete poderia interpretar o texto bíblico melhor do que o próprio autor. Seu ponto de partida para entender isso é que segundo ele o autor do texto bíblico ao escrever foi influenciado pela cultura e convenções sociais de sua época. O leitor do século XXI vive em outro contexto e está em uma posição melhor para interpretar a bíblia. O problema dessa conclusão é que ela nega o caráter inspirado da bíblia e que seus princípios são válidos em todas as épocas e lugares porque na verdade o seu autor é divino.
            Rudolf Karl Bultmann (1884-1976) negava a inerrância das escrituras e afirmava que Deus fala através das escrituras, porém não através das verdades históricas do texto bíblico que não teriam credibilidade, mas através de um encontro existencial com o texto. Na prática o que ele pregava era que não havia uma única interpretação do texto bíblico, mas várias. O intérprete seria um agente ativo no processo de interpretação. Em resumo, ele dizia que não deveríamos nos preocupar com o que a bíblia quis dizer, mas o que ela nos quer dizer agora. Isso gera um subjetivismo exagerado. A experiência e visão de mundo do intérprete determinam o que a bíblia diz a ele culminando na relativização da bíblia.
             O liberalismo teológico tem uma visão característica sobre Jesus. Para eles Jesus não era divino, não ressuscitou dos mortos e nunca se proclamou filho de Deus e Messias. O maior perigo dessa linha de pensamento é que ela contribui substancialmente para a introdução do relativismo moral no meio evangélico. A negação da inerrância da bíblia e o subjetivismo na interpretação do texto bíblico “cai como uma luva” na defesa do pluralismo religioso (a ideia de que todas as religiões levam a Deus), da adoção de práticas antibíblicas (homossexualismo, feminismo) e da adoção do “evangelho social” onde a salvação da alma e o relacionamento místico com Cristo fica em segundo plano. Devemos fixar bem os limites do Cristianismo histórico (Pv 22.28).

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Salvação e religião não combinam



  É impossível ser salvo e religioso ao mesmo tempo. Uma religião está baseada naquilo que fazemos, a salvação está baseada naquilo que já foi feito. Uma religião é um sistema de regras, um sistema de “pode ou não pode”. A salvação é uma mera aceitação do sacrifício de Cristo como expiador dos nossos pecados.
         O autor da nossa salvação foi o maior crítico da religião “E assim invalidaste, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.” (Mt 15.6). Os fariseus através de sua tradição oral substituíam o mandamento de Deus. Eles priorizavam ou colocavam no mesmo patamar as regras que eles inventaram com os mandamentos expressos de Deus. Sua espiritualidade era baseada em um sistema de “pode ou não pode”. O que há de errado nisso? o evangelho não é um código de leis, o qual, quem o desobedecer está condenado. Na verdade, você pode obedecer todos os pontos de sua religião e ser condenado. Porque o evangelho investiga a essência do ser humano. O evangelho não pergunta “o que você cumpriu?”, mas “porque você cumpriu?”. O apóstolo Paulo reconheceu que perante a lei ele era irrepreensível (Fp 3.6). Mas, o que ele conseguiu foi apenas uma justiça própria. Uma justiça precária que não passa pelo crivo da justiça divina. O objetivo final da religião é exatamente isso, buscar uma justiça própria. A pessoa sente-se bem com Deus porque cumpre todas as regras impostas pelo sistema eclesiástico, como se isso bastasse. O religioso tem pavor quando lhe dizem que é necessário antes de tudo ter uma justiça interna porque ele não consegue alcançar essa justiça obedecendo regras externas. Parece contraditório, mas é muito mais fácil esconder uma espiritualidade superficial praticando obras externas do que a escondendo em seu íntimo.
            O religioso associa fidelidade com obedecer regras. O salvo associa fidelidade com o desenvolvimento do seu caráter. O religioso não se contém em apontar quando alguém descumpriu uma regra, mas é indiferente quando alguém tem uma falha em seu caráter. É fácil apontar aquilo que nós somos capazes de fazer, ou seja, obedecer regras, do que apontar aquilo que nos é inalcançável: ter um caráter puro. Porque Jesus ao pregar aos fariseus sempre aumentou a responsabilidade deles? por exemplo: “Ouviste o que foi dito aos antigos? Amarás ao teu próximo e odiarás ao teu inimigo. Eu porém vos digo: amai aos vossos inimigos.” (Mt 5.43.44a). Os fariseus tinham acrescentado uma regra: odiarás a teu inimigo. Deus nunca tinha exigido isso. Jesus revela a essência da lei, amar ao próximo é muito fácil, ame seus inimigos. Jesus também falou “Porque, vos digo que, se a vossa justiça não exceder aos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” (Mt 5.20). Parece que Jesus estava ordenando algo impossível, como exceder em justiça os escribas e fariseus se eles cumpriam todos os preceitos e regras da lei? Mas, cumprir regras em comparação a ter uma justiça interna é muito fácil. A nossa justiça não pode ser baseada no “pode ou não pode”, mas de como eu sou internamente diante de Deus.
           Ou você é religioso ou é salvo. Ou você valoriza mais a aparência ou compreende a essência do evangelho. Não queira que os outros tenham um comportamento externo que seja compatível com o seu gosto. Não exija dos outros o que Deus não exige.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Davi e Urias: Quando o servo tinha mais caráter que o Rei

É por todos conhecido o pecado de adultério de Davi com Bate-Seba, a esposa de Urias. Como se não bastasse Davi foi mandante do assassinato de Urias. Por ironia, Urias se comportou nesse episódio justamente da forma que se esperava que Davi se comportasse. Urias demonstrou assim ter mais caráter do que o Rei.
       Tudo começa no ano em que os reis costumavam sair para a guerra. Davi, no entanto, contrariando a expectativa, não saiu para guerrear. (2 Sm 11.1). Ao passear pelo terraço da casa real viu uma bela mulher se banhando, a qual era exatamente Bate-Seba. (2 Sm 11.2). Davi manda perguntar quem era aquela mulher e é informado sobre de quem ela era filha e também que era casada com Urias. (2 Sm 11.3). Davi não teve escrúpulos mesmo sabendo que ela era casada. Mandou trazê-la e se deitou com ela. (2 Sm 11.4). O pior aconteceu para Davi, Bate-Seba ficou grávida. (2 Sm 11.5). Ao tentar encobrir essa gravidez Davi desceu aos mais baixos níveis da impiedade. Enquanto Urias demonstrou toda a sua lealdade e seu caráter íntegro.
              A primeira atitude de Davi foi chamar Urias de volta. Quando Urias veio Davi o manda para a sua casa. Aparentemente o plano de Davi era que Urias fosse para sua casa, se deitasse com sua mulher e assim quando a gravidez de Bate-Seba ficasse evidente ninguém teria dúvida que o filho era de seu marido Urias. Urias, no entanto, não foi para a sua casa. Ao ser perguntado por Davi porque ele não tinha descido à sua casa, Urias respondeu: E disse Urias a Davi: A arca, e Israel, e Judá ficaram em tendas; E Joabe, meu Senhor, e os servos de meu Senhor estão acampados no campo; e eu hei de entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa.” (2 Sm 11.11).
           Essa resposta deveria ser um duro golpe para Davi, porque Davi não se importou com nada disso quando ficou em casa e seus servos saíram para guerrear. Ele não se importou com a arca de Deus, com o povo de Israel e com o povo de Judá. Urias tinha todo o direito de se deitar com sua mulher depois de uma longa jornada, porém não o fez porque era fiel aos seus princípios. Davi, ao contrário, não somente se deitou com uma mulher quando Israel estava guerreando, como essa mulher não era sua, era do próprio Urias. No final, Urias ainda diz que pela vida de Davi ele não faria tal coisa. Davi era para se sentir humilhado e culpado, mas não foi isso o que aconteceu. Urias disse que não entraria em sua casa por amor da vida de Davi, Davi em retribuição mandou acabar com a vida de Urias.
       Como o plano de enviar Urias à sua casa não deu certo, Davi enviou uma carta a Joabe, o príncipe do exército de Israel, ordenando que colocasse Urias no ponto mais vulnerável da batalha para que ele fosse ferido e morresse. O pior é quem levou a carta foi o próprio Urias, levando a sua própria sentença de morte. (2 Sm 11.14,15). Depois de saber que Urias tinha morrido, Davi foi cínico. Ele fez com que acreditassem que a morte de Urias tinha sido uma fatalidade da guerra e não uma ordem expressa dele. (2 Sm 11.25).
         Esse episódio nos ensina até que ponto um homem pode chegar aos mais baixos níveis de impiedade mesmo sendo crente. O pecado sempre é um mal a espreita.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

OS ANJOS e Sua natureza.

Os anjos são:


(a) Criaturas, isto é, seres criados. Foram feitos do nada pelo poder de Deus. Não conhecemos a época exata de sua criação, porém sabemos que antes que aparecesse o homem, já eles existiam havia muito tempo, e que a rebelião daqueles sob Satanás se havia registrado, deixando duas classes — os anjos bons e os anjos maus. Sendo eles criaturas, recusam a adoração (Apoc. 19:10; 22:8, 9) e ao homem, por sua parte, é proibido adorá-los. (Gal. 2:18)

 (b) Espíritos. Os anjos são descritos como espíritos, porque, diferentes dos homens, eles não estão limitados às condições naturais e físicas.

(c) Imortais, isto é, não estão sujeitos à morte. Em Lucas 20:34-36, Jesus explica aos saduceus que os santos ressuscitados serão como os anjos no sentido de que não podem mais morrer.


(d) Numerosos. As Escrituras nos ensinam que seu número é muito grande. "Milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões" (Dan. 7:10). "Mais de doze legiões de anjos" (Mat. 26:53). "Multidão dos exércitos celestiais" (Luc. 2:13). "E aos muitos milhares de anjos" (Heb. 12:22). Portanto, seu Criador e Mestre é descrito como o "Senhor dos exércitos".


 (e) Sem sexo. Os anjos sempre são descritos como varões, porém na realidade não têm sexo; não propagam a sua espécie. (Luc. 20:34, 35.) 

Sua classificação.

Visto como "a ordem é a primeira das leis do céu", é de esperar que os anjos estejam classificados segundo o seu posto e atividade. Tal classificação é implícita em 1Ped. 3:22, onde lemos: "os anjos, as autoridades, e as potências". (Vide Col. 1:16; Efés. 1:20, 21.)

 (a) Anjo do Senhor. A maneira pela qual o "Anjo do Senhor" é descrito, distingue-o de qualquer outro anjo. É-lhe atribuído o poder de perdoar ou reter pecados, conforme diz o Antigo Testamento. O nome de Deus está nele.

 (b) Arcanjo. Miguel é mencionado como o arcanjo, o anjo principal. (Jud. 9; Apoc. 12:7; vide 1 Tess. 4:16.) Ele aparece como o anjo protetor da nação israelita.

(c) Anjos eleitos são provavelmente aqueles que permaneceram fiéis a Deus durante a rebelião de Satanás, (1 Tim. 5:21; Mat. 25:41.)

(d) Anjos das nações. Dan. 10:13, 20 parece ensinar que cada nação tem seu anjo protetor, o qual se interessa pelo bem-estar dela.

 (e) Os querubins parecem ser de uma classe elevada de anjos relacionados com os propósitos retributivos (Gên. 3:24) e redentores (Êxo. 25:22) de Deus, para com o homem. Eles são descritos como tendo rostos de leão, de homem, de boi e de águia, e isto sugere que representam uma perfeição de criaturas — força de leão, inteligência de homem, rapidez de guia, e serviço semelhante ao que o boi presta. Essa composição de formas e sua aproximação de Deus asseguram que "a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção" (Rom. 8:21, V.B.).

 (f) Os serafins são mencionados em Isaías, capítulo 6. Pouco sabemos acerca deles. Certo escritor crê que eles constituem a ordem mais elevada de anjos e que a característica que os distingue é um ardente amor a Deus. A palavra serafins significa literalmente "ardentes".

POR DC RERISON BRAZÃO: