segunda-feira, 13 de março de 2017

A NATUREZA DA DOUTRINA

 A NATUREZA DA DOUTRINA
A doutrina cristã (a palavra "doutrina" significa "ensino" ou "instrução") pode definir-se assim: as verdades fundamentais da Bíblia dispostas em forma sistemática. Este estudo chama-se comumente: "teologia", ou seja, "um tratado ou um discurso racional acerca de Deus". (Os dois termos serão usados alternadamente nesta seção.) A teologia ou a doutrina assim se descreve: a ciência que trata do nosso conhecimento de Deus e das suas relações para com o homem. Trata de tudo quanto se relaciona com Deus e com os propósitos divinos.
Por que descrevemos a teologia ou a doutrina como sendo uma "ciência"? A ciência é a disposição sistemática e lógica de fatos comprovados. A teologia é chamada ciência porque consiste em fatos relacionados com Deus e com as coisas de ordem divina, apresentadas de uma maneira lógica e ordenada.
Qual é a conexão entre a teologia e a religião? Religião vem da palavra latina "ligare" que significa "ligar"; religião representa as atividades que "ligam" o homem a Deus numa determinada relação. A teologia é o conhecimento acerca de Deus. Assim a religião é a prática, enquanto a teologia é o conhecimento. A religião e a teologia devem coexistir na verdadeira experiência cristã; porém, na prática, às vezes, se acham distanciadas, de tal maneira que é possível ser teólogo sem ser verdadeiramente religioso, e por outro lado a pessoa pode ser verdadeiramente religiosa sem possuir um conhecimento sistemático doutrinário.
"Se conheces estas coisas, feliz serás se as observas", é a mensagem de Deus ao teólogo. "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tim. 2:15), é a mensagem de Deus ao homem espiritual.
Qual é a diferença entre doutrina e dogma? Doutrina é a revelação da verdade como se encontra nas Escrituras; dogma é a declaração do homem acerca da verdade quando apresentada em um credo.
 Esperamos confiadamente que a teologia ou doutrina encontre o lugar que merece no pensamento e na educação religiosa.
Para um ser imortal, a verdade acerca de Deus, do destino humano e do caminho para a vida eterna, nunca pode ser de pouca importância.
Todos os homens que raciocinam devem tomar em consideração essas coisas. São perguntas tão antigas quanto a própria raça humana e só podem ser esquecidas quando a raça houver submergido na idiotice ou houver perdido a imagem de Deus.
"Assim como o homem pensa no seu oração, assim ele é. Toda a existência do homem gira em torno do que pensa, especialmente do que pensa acerca de Deus"
 David S. Clarke

quarta-feira, 1 de março de 2017

A prova suprema


— Amas-me?
A pergunta era surpreendente. O pequeno grupo, assenta­do ao redor do fogo, na praia do mar da Galiléia, olhou depressa para quem falava. Ele fitava os olhos em um só, esperando a resposta. Era bem cedo de manhã e a luz vinda do oriente despertava as trevas da noite. Além do barulho das ondas da praia, ouvia-se somente o grito ocasional de alguma ave do mar, que quebrava o silêncio da manhã.
Durante toda aquela comprida noite os homens lançaram as suas redes sem resultado algum. Ao amanhecer o novo dia apareceu na praia uma figura misteriosa. O desânimo e a fadiga deram lugar ao medo. Esforçando os olhos, penetra­ram a cerração da manhã e, finalmente, reconheceram o que no princípio parecia um fantasma.
— É o Senhor!
No mesmo instante, Pedro — com o seu grande coração cheio de remorsos e de uma devoção quase sobrenatural — jogou-se na água, e com os esforços de seus grandes braços logo chegou à praia. Os outros seguiram-no. A rede foi recolhida. As brasas ardiam, e os peixes assavam. Nenhuma palavra foi dita até que o próprio Mestre fez um simples convite: "Vinde e comei".
Sentaram-se e alimentaram-se. Todos guardavam silên­cio. Temor e reverência faziam com que ficassem calados. E, finalmente, Jesus quebrou o silêncio com as palavras de nosso texto:
— AMAS-ME?
É a Pedro que ele se dirige, o grande e impulsivo Pedro; o discípulo que tão recentemente o negara, que "saiu e chorou amargamente". Agora vai ser posto à prova. Precisa fazer uma confissão tríplice da sua devoção por causa da tríplice negação. Seria provado pela mais alta norma, "a suprema prova".
— Simão, filho de Jonas, amas-me?
Ele está procurando o amor mais sublime e não somente o amor emocional. Mas Pedro não mais confia em si mesmo. Falhou uma vez; poderia falhar de novo. Portanto, com medo de fazer a confissão mais nobre, Simão usou uma palavra que significava o mero amor emocional ou simpatia pessoal:
— Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. (Em grego a
palavra não é a mesma que Jesus usou.)
Outra vez é feita a mesma pergunta. A resposta também é a mesma. Então o Mestre aceita as palavras de Pedro, compreendendo que Pedro não estava disposto a confessar o amor que ele desejava, e pela terceira vez pergunta:
— Simão, filho de Jonas, tu me amas?
Pedro, o grande e nobre Pedro, com o seu coração que­brantado por grande tristeza, por ver que o Senhor duvidava dele, replicou, com o coração pulsando e os lábios tremendo:
— Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo.
Temos chamado esta pergunta de "PROVA SUPREMA". Mas considerando todos os fatos, será que foi a prova mais alta de devoção e lealdade, a mais importante confissão que os lábios humanos podem proferir? Não haverá uma maior ainda? Será que Jesus errou? A vida de Pedro não parece indicar nenhum erro nisso. Jesus não parece pensar assim. De fato, ele estava disposto a basear tudo nesta simples pergunta. Sabia o que estava fazendo, sabia que estava fazendo a pergunta mais importante de todas as línguas.
Hoje em dia, depois de transcorridos dezenove séculos, podemos ainda considerar esta pergunta a "PROVA SUPRE­MA" de nossa vida espiritual.
Há três coisas na frase 'Tu me amas?”que provam que ela é a "prova suprema":

1) A Prova Suprema do Discípulo

Dia após dia, através dos séculos, Jesus Cristo tem chamado homens e mulheres ao seu encontro, não pela força, nem pelo medo, mas pelo amor. Satanás estaria bem contente por ver Jesus possuir os reinos do mundo, contanto que estivesse sujeito a ele. Mas Jesus sabia que não era a vontade do Pai forçar os homens a obedecê-Lo.
Não! Ele atrai, não obriga; dirige, não constrange; os homens devem escolhê-lo voluntariamente; devem ser ga­nhos pelo amor. Esta união seria mais íntima, mais forte, a mais durável do que uma obediência forçada poderia ser.
O amor o trouxera ao mundo; o amor levou-o a morrer pela raça humana perdida e o amor atrairia os homens e as mulheres a ele. Qualquer voto de fidelidade poderia ser mais simples do que a prova que ele escolheu — "Tu me amas?"

2) A Prova Suprema da Conduta

Não é mais necessário fazer a velha pergunta acerca de nossa atitude para com as coisas mundanas: "É pecado fazer isto?" ou "Pode o crente fazer isto?" Simplesmente aplicamos a "prova suprema" a todas as nossas ações.
A questão não é se é certo ou errado participar de diversões duvidosas. O homem que se torna cheio do Espírito de Deus e saturado com o amor de Cristo, deseja viver e agradar ao que ganhou as afeições do seu coração. Dessa forma, não há lugar para o pecado, não há lugar para o mundo, e ele não tem desejo algum por estas coisas em que as pessoas não salvas se deleitam. Será que o homem prejudicará as pessoas que verdadeiramente ama? Certamente não. Portanto, a "prova suprema" de tudo é o amor.

3) A Prova Suprema do Serviço

O incentivo do serviço verdadeiro é o "amor" e não a "obrigação". O seguidor do Senhor Jesus Cristo serve a seu Mestre porque o ama, e não por obrigação.
Que foi que levou David Brainerd aos índios selvagens do grande deserto? Que foi que o levou a deixar sua casa aos vinte e quatro anos de idade e habitar sozinho no coração dos grandes bosques do interior. O que foi que o fez prosseguir mês após mês — mesmo depois de ser vítima da tuberculose, estar fraco e doente como resultado da falta de alimentação, das longas viagens a cavalo e das muitas noites passadas na matas suportando chuvas torrenciais — à procura dos índios para lhes dizer que Deus os amava de tal maneira que deu o seu Filho, seu único Filho, para morrer por eles? O que, pergunto? Obrigação? Longe de nós tal pensamento! Ne­nhum homem se sente obrigado a tal vida. Não! Era "amor". David Brainerd amava ao Senhor e manifestou o seu amor.
Assim também fizeram Judson, Livingstone, Morrison, Taylor, Carey, e todos os grandes missionários do passado. Sim, meu irmão, e assim será com você, se verdadeiramente o ama. Você provará isso por serviço prestado voluntaria­mente com alegria. Até dará a sua vida se necessário for. Você o ama?

Se Jesus Cristo aparecesse em nosso meio neste momen­to, e pessoalmente nos apresentasse a pergunta 'Tu me amas?”a cada um de nós, qual seria a nossa resposta? Como responderíamos a ele? Como seríamos analisados! Será que procuraríamos escapar às suas perguntas? Ou será que verdadeiramente amamos a Jesus Cristo? "Nós o amamos", declarou João. Você o ama? Eu o amo?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A FÉ DA MULHER CANANÉI


O capítulo 15 do evangelho de Mateus registra a história da mulher cananéia. De fato, ela parecia estar no lugar errado e na hora errada, mas recebeu um poderoso milagre do Senhor. Sua história terminou registrada como a de uma mulher de grande fé. O texto de Jeremias 29.13 tipifica a fé da mulher cananéia: "Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração". A história completa dessa mulher vinda de Canaã é contada em Mateus 15.21-28:
            Saindo daquele lugar, Jesus retirou-se para a região de Tiro e de Sidom. Uma mulher cananéia, natural dali, veio a ele, gritando: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Minha filha está endemo­ninhada e está sofrendo muito".
            Mas Jesus não lhe respondeu palavra. Então seus discípulos se aproximaram dele e pediram: "Manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós".
            Ele respondeu: "Eu fui enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel".
            A mulher veio, adorou-o de joelhos e disse: "Senhor, ajuda-me!"
            Ele respondeu: "Não é certo tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos".
            Disse ela, porém: "Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos".
            Jesus respondeu: "Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja". E naquele mesmo instante a sua filha foi curada.

            Ao ler essa passagem de Mateus, vemos que os discípulos ha­viam se tornado muito religiosos, mesmo convivendo com Jesus. Já possuíam uma série de regras e de programações. Jesus e os discípulos estavam indo para o noroeste da Judéia, à região pagã conhecida como Tiro. Jesus queria um tempo de descanso e de privacidade. O texto paralelo no evangelho de Marcos diz que Jesus havia entrado numa casa para se esconder e ficar sozinho com os discípulos (v. Mc 7.24). Não era um dia no qual o Mestre estava ao ar livre, ministrando às massas que regularmente se reuniam para ouvi-lo.
TENTANDO ENTRAR SEM CREDENCIAIS
            Mas, naquele momento de descanso, uma mulher cananéia encontrou Jesus e pediu-lhe ajuda. Veio com muitas desvantagens. Primeiramente, era mulher. No Israel daqueles dias, as mulheres deveriam permanecer caladas e um pouco distantes. Segundo, era cananéia, de ascendência grega. Não fazia parte do rebanho de Israel; não tinha as credenciais necessárias. Não fazia parte dos doze, nem dos setenta, nem dos quinhentos; não tinha se­quer parte com o povo de Deus.
            Os israelitas desprezavam quem não pertencia à sua linha­gem de sangue ou de raça. Chamavam todos os outros povos e nações de gentios e, às vezes, até de cães! Os israelitas referiam-se a esses povos como pagãos que não conheciam a Deus.
            A mulher também estava no lugar errado e na hora errada. Jesus não estava pregando nem liderando uma cruzada. Jesus se retirava para um descanso. E desnecessário dizer que a mulher viu-se em terrível desvantagem, enquanto reunia coragem para se aproximar de Jesus e pedir-lhe uma bênção. Mas continuou assim mesmo, gritando: "Senhor, Filho de Davi, tem misericór­dia de mim! Minha filha está endemoninhada e está sofrendo muito" (v. 22).
O PROBLEMA EXIGE UMA RESPOSTA
            Sabe por que ela gritava? A mulher tinha um problema terrí­vel em casa. Sua filha sofria terrivelmente em função de posses­são demoníaca. Era uma tortura para a mulher, pois sentia a dor da filha e não podia fazer nada sobre o problema. Então, desco­briu que Jesus estava naquela região. Quando existe um proble­ma na vida, o Senhor o usa para que possamos clamar: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim" e pedir sua presença. Alguns ficam muito amargurados e tristes quando passam por provações. Mas Deus permite que as provações aconteçam para nos fazer glorificar o nome de Jesus.
            Há quem pense: gostaria de ter nascido em algum outro lugar ou numa família diferente. Outros acreditam: se não tivesse sofrido tan­to abuso em minha infância, seria uma pessoa feliz- Sentem amargu­ra no coração por aquilo que são, pelo local onde cresceram e onde estão. Mas veja o que essa mulher fez durante a tempestade que se abateu sobre sua vida. Foi buscar Jesus e começou a que­brar as regras da religiosidade. Ela não disse: "Jesus é judeu, e eu sou uma mulher pagã; não tem nada a ver comigo". Ela foi até Jesus porque sua filha estava sofrendo.
            Ainda que sua família esteja bem, sua vizinhança e sua cida­de podem estar sofrendo terríveis ataques demoníacos. Nações inteiras estão debaixo do governo autoritário de Satanás; o Se­nhor deseja transformá-las de uma vez por todas.
continua ! 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

As críticas de Miriã e Aarão. NM Capítulo 12




É muito desagradável a um líder encontrar deslealdade entre seus seguidores, mas gravíssimo quando os desleais são os subalternos mais chegados a ele. Diz-se que Miriã foi a instigadora da crítica, pois somente ela foi castigada (12:10). Embora Miriã e Aarão falassem contra Moisés por causa da mulher estrangeira com quem ele se casara, o motivo verdadeiro encontra-se em 12:2. Não estavam contentes com ocupar o segundo posto em Israel; à semelhança de muitos perturbadores, esqueceram-se de que Deus os escutava.
Moisés era muito humilde e não se defendeu. Estava tão ocupado servindo a Deus que não prestou atenção aos ataques desferidos contra ele próprio. Sempre se manifestou zeloso por defender a honra do Senhor, mas deixava que Deus vingasse a sua causa. Primeiro o

Senhor falou no tabernáculo a Aarão e a Miriã indicando-lhes que Moisés era superior a todos os demais profetas (12:6-8). O grande líder era "fiel em toda a minha casa", ou seja, em governar a nação escolhida. Deus não falou por meio de visões ou sonhos como falava a outros profetas, mas falou-lhe "cara a cara", isto é com intimidade, como um amigo fala a outro (Êxodo 33:11). Somente Moisés viu a "semelhança do Senhor" não como uma forma divina mas como "alguma evidência inequívoca de sua presença gloriosa"4 (Êxodo 33:20-23), pois Deus é espírito, invisível e sem forma (Deuteronômio 4:12, 15; João 1:18; Colossenses 1:15). A seguir Deus feriu Miriã com a lepra. A intercessão de Moisés foi recompensada com a cura de Miriã, porém ela teve de ser expulsa do arraial por sete dias, como uma advertência de quão grave é criticar os servos do Senhor (II Pedro 2:10-12; Salmo 105:15; Hebreus 13:7).