sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A FÉ DA MULHER CANANÉI


O capítulo 15 do evangelho de Mateus registra a história da mulher cananéia. De fato, ela parecia estar no lugar errado e na hora errada, mas recebeu um poderoso milagre do Senhor. Sua história terminou registrada como a de uma mulher de grande fé. O texto de Jeremias 29.13 tipifica a fé da mulher cananéia: "Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração". A história completa dessa mulher vinda de Canaã é contada em Mateus 15.21-28:
            Saindo daquele lugar, Jesus retirou-se para a região de Tiro e de Sidom. Uma mulher cananéia, natural dali, veio a ele, gritando: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Minha filha está endemo­ninhada e está sofrendo muito".
            Mas Jesus não lhe respondeu palavra. Então seus discípulos se aproximaram dele e pediram: "Manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós".
            Ele respondeu: "Eu fui enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel".
            A mulher veio, adorou-o de joelhos e disse: "Senhor, ajuda-me!"
            Ele respondeu: "Não é certo tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos".
            Disse ela, porém: "Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos".
            Jesus respondeu: "Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja". E naquele mesmo instante a sua filha foi curada.

            Ao ler essa passagem de Mateus, vemos que os discípulos ha­viam se tornado muito religiosos, mesmo convivendo com Jesus. Já possuíam uma série de regras e de programações. Jesus e os discípulos estavam indo para o noroeste da Judéia, à região pagã conhecida como Tiro. Jesus queria um tempo de descanso e de privacidade. O texto paralelo no evangelho de Marcos diz que Jesus havia entrado numa casa para se esconder e ficar sozinho com os discípulos (v. Mc 7.24). Não era um dia no qual o Mestre estava ao ar livre, ministrando às massas que regularmente se reuniam para ouvi-lo.
TENTANDO ENTRAR SEM CREDENCIAIS
            Mas, naquele momento de descanso, uma mulher cananéia encontrou Jesus e pediu-lhe ajuda. Veio com muitas desvantagens. Primeiramente, era mulher. No Israel daqueles dias, as mulheres deveriam permanecer caladas e um pouco distantes. Segundo, era cananéia, de ascendência grega. Não fazia parte do rebanho de Israel; não tinha as credenciais necessárias. Não fazia parte dos doze, nem dos setenta, nem dos quinhentos; não tinha se­quer parte com o povo de Deus.
            Os israelitas desprezavam quem não pertencia à sua linha­gem de sangue ou de raça. Chamavam todos os outros povos e nações de gentios e, às vezes, até de cães! Os israelitas referiam-se a esses povos como pagãos que não conheciam a Deus.
            A mulher também estava no lugar errado e na hora errada. Jesus não estava pregando nem liderando uma cruzada. Jesus se retirava para um descanso. E desnecessário dizer que a mulher viu-se em terrível desvantagem, enquanto reunia coragem para se aproximar de Jesus e pedir-lhe uma bênção. Mas continuou assim mesmo, gritando: "Senhor, Filho de Davi, tem misericór­dia de mim! Minha filha está endemoninhada e está sofrendo muito" (v. 22).
O PROBLEMA EXIGE UMA RESPOSTA
            Sabe por que ela gritava? A mulher tinha um problema terrí­vel em casa. Sua filha sofria terrivelmente em função de posses­são demoníaca. Era uma tortura para a mulher, pois sentia a dor da filha e não podia fazer nada sobre o problema. Então, desco­briu que Jesus estava naquela região. Quando existe um proble­ma na vida, o Senhor o usa para que possamos clamar: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim" e pedir sua presença. Alguns ficam muito amargurados e tristes quando passam por provações. Mas Deus permite que as provações aconteçam para nos fazer glorificar o nome de Jesus.
            Há quem pense: gostaria de ter nascido em algum outro lugar ou numa família diferente. Outros acreditam: se não tivesse sofrido tan­to abuso em minha infância, seria uma pessoa feliz- Sentem amargu­ra no coração por aquilo que são, pelo local onde cresceram e onde estão. Mas veja o que essa mulher fez durante a tempestade que se abateu sobre sua vida. Foi buscar Jesus e começou a que­brar as regras da religiosidade. Ela não disse: "Jesus é judeu, e eu sou uma mulher pagã; não tem nada a ver comigo". Ela foi até Jesus porque sua filha estava sofrendo.
            Ainda que sua família esteja bem, sua vizinhança e sua cida­de podem estar sofrendo terríveis ataques demoníacos. Nações inteiras estão debaixo do governo autoritário de Satanás; o Se­nhor deseja transformá-las de uma vez por todas.
continua ! 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

As críticas de Miriã e Aarão. NM Capítulo 12




É muito desagradável a um líder encontrar deslealdade entre seus seguidores, mas gravíssimo quando os desleais são os subalternos mais chegados a ele. Diz-se que Miriã foi a instigadora da crítica, pois somente ela foi castigada (12:10). Embora Miriã e Aarão falassem contra Moisés por causa da mulher estrangeira com quem ele se casara, o motivo verdadeiro encontra-se em 12:2. Não estavam contentes com ocupar o segundo posto em Israel; à semelhança de muitos perturbadores, esqueceram-se de que Deus os escutava.
Moisés era muito humilde e não se defendeu. Estava tão ocupado servindo a Deus que não prestou atenção aos ataques desferidos contra ele próprio. Sempre se manifestou zeloso por defender a honra do Senhor, mas deixava que Deus vingasse a sua causa. Primeiro o

Senhor falou no tabernáculo a Aarão e a Miriã indicando-lhes que Moisés era superior a todos os demais profetas (12:6-8). O grande líder era "fiel em toda a minha casa", ou seja, em governar a nação escolhida. Deus não falou por meio de visões ou sonhos como falava a outros profetas, mas falou-lhe "cara a cara", isto é com intimidade, como um amigo fala a outro (Êxodo 33:11). Somente Moisés viu a "semelhança do Senhor" não como uma forma divina mas como "alguma evidência inequívoca de sua presença gloriosa"4 (Êxodo 33:20-23), pois Deus é espírito, invisível e sem forma (Deuteronômio 4:12, 15; João 1:18; Colossenses 1:15). A seguir Deus feriu Miriã com a lepra. A intercessão de Moisés foi recompensada com a cura de Miriã, porém ela teve de ser expulsa do arraial por sete dias, como uma advertência de quão grave é criticar os servos do Senhor (II Pedro 2:10-12; Salmo 105:15; Hebreus 13:7).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O descontentamento do povo e o desânimo de Moisés. Nm Capítulo 11

Números é um dos livros mais humanos e mais tristes da Bíblia. Mostra como os hebreus fracassa­ram em cumprir os ideais que Deus lhes havia proposto. Chegaram aos limites da terra prometida mas tinham a personalidade de um escravo covarde, dependente e incapaz de enfrentar a perspectiva da luta. Perderam a pequena fé que haviam tido e quiseram voltar ao Egito. Daí começaram suas peregrinações que duraram trinta e oito anos. Não obstante, Números relata detalhadamente só a história do primeiro e a do último, pois nos anos intermediários de apostasia nada aconteceu de valor religioso permanente. É uma história trágica de falta de fé, de queixas, murmurações, deslealdade e rebelião. Como conseqüência, quase toda a geração que havia Presenciado as maravilhas do livramento do Egito pereceu no deserto sem entrar na terra prometida. Somente três homens, Moisés, Josué e Calebe, sobreviveram até ao fim do relato do livro. E somente dois dos três, Josué e Calebe, entraram em Canaã.
Por outro lado, Deus levantou uma nova geração de hebreus, lfistruídos nas leis divinas e preparados para a conquista de Canaã.



1. As murmurações: Dentro em breve Israel desviou seu olhar de Deus e começou a queixar-se no deserto. Sem dúvida os hebreus sofriam por causa do sol abrasador, das privações e dos perigos, mas, era isso escusa para ingratidão, irritação e espírito rebelde? Quão depressa se esqueceram da dura escravidão do Egito e do milagroso livramento operado por Deus! Encontra-se em parte a causa do descontentamento, lendo-se 11:4: "E o vulgo" (a Bíblia de Jerusalém o traduz "a turba") seriam os asiáticos sujeitos à servidão como os hebreus. Aproveitaram a ocasião do êxodo para escapar do Egito (Êxodo 12:38). Como os mundanos que estão na igreja de hoje, os estrangeiros ainda cobiçavam as coisas do Egito porque seu coração estava aí. Fomentaram, sem dúvida, o descontentamento em muitos dos episódios da passagem pelo deserto.

As murmurações descritas em Números. Começam nesta

seção com queixas nos extremos do arraial, depois lamentações no próprio acampamento, e finalmente críticas da parte dos líderes mais fidedignos, Ãarão e Miriã. Cada vez se destaca Moisés como o intercessor abnegado.

2. A falta de carne e a pesada carga de moisés: Aqui vemos Moisés como servo de Deus vencido pelo excessivo trabalho e pela frustração de não poder satisfazer às necessidades do povo. Já se julga impotente, cansado, impaciente com o povo e desejoso de deixar seu encargo. Muitos dos mais nobres homens de Deus têm tido, às vezes, a mesma experiência.

Deus solucionou o problema de Moisés comunicando seu Espírito aos setenta anciãos a fim de que eles pudessem levar algo da carga que Moisés vinha levando sozinho. Profetizavam. Dar-se-ia o caso de que falassem em outras línguas como os cento e vinte discípulos no Cenáculo? Quando Eldade e Medade profetizaram, Josué preocupou--se com a posição de liderança de Moisés. Mas o nobre líder não sentia nenhuma inveja ou temor de que outro lhe tomasse o lugar. Seu único desejo era que a obra do Senhor prosperasse. Sua resposta (11:29) foi profética e se cumpriu no dia de Pentecoste 0oel 2:28; Atos 2:16).

Novamente Deus trouxe, por meio de um vento, codornizes que caíram exaustas no arraial. Os israelitas, em sua ganância, provavel­mente comeram a carne crua e muitos morreram da praga que sobreveio. De igual maneira, se persistirmos em pedir coisas mate­riais que desejamos sem consultar a vontade de Deus, ele às vezes nos concede estas petições, porém sofremos as conseqüências espiri­tuais: "E ele satisfez-lhes o desejo, mas fez definhar as suas almas" (Salmo 106:15).


O voto dos nazireus: NM Capítulo 6:1-21


Números é uma miscelânea de três espécies: acontecimentos históricos da peregrinação de Israel no deserto; leis para Israel, de caráter permanente; e regras transitórias válidas para os hebreus até que chegassem a Canaã. A história e as leis vão misturadas em partes aproximadamente iguais em extensão. As exigências das situações vividas davam origem a novas leis.

 Capítulo 6:1-21. A palavra "nazireu" significa "separado" ou "consagrado"; portanto, alguém que tomava o voto havia de viver separado para Deus. Era um voto voluntário (salvo em casos especiais como o de Sansão) que qualquer pessoa, homem ou mulher, podia fazer para consagrar-se a Deus e viver em maior santidade. Podia ser por toda a vida (como o de João Batista), mas em regra geral era por um período determinado. Três requisitos se indicam aqui:

a)  Abster-se de todo o fruto da vide. A semelhança do sacerdote, quando oficiava, o nazireu negava a si mesmo o uso das bebidas fortes a fim de estar em melhor condição de servir a Deus (Levítico 10:9-11). Além disso, o fruto da vide simbolizava em Israel o gozo natural (Salmo 104:15); por isso o nazireu devia encontrar seu gozo no Senhor (Salmo 36:8, 9).

b)  Não cortar o cabelo como sinal público de que havia tomado voto. O cabelo comprido de Sansão simbolizava que consagrava sua força e virilidade a Deus.

c)  Não tocar corpo morto, nem mesmo o cadáver de pessoa da própria família, porque o nazireu era santo para o Senhor.

Impunha-se um severo castigo quando o voto era quebrado, inclusive quando não o era intencionalmente. Ao terminar o período do voto, o nazireu tinha de desfazer-se de seu cabelo e queimá-lo sobre o altar junto com outros sacrifícios em uma cerimônia pública.