terça-feira, 4 de agosto de 2015

Conselhos Gerais - Lição 6








No capítulo anterior, terminamos observando que Paulo se referia aos cuidados que Timóteo deveria ter com pessoas idosas, com jovens e especialmente com as viúvas, a quem ele destinou boa parte de seus conselhos pastorais. Em seguida, de modo aparentemente desconexo com o pensamento que seguia em sua carta, o apóstolo passa a doutrinar sobre os presbíteros, como líderes das igrejas locais, e o cuidado que os crentes devem ter para com eles, como também, outra vez, passa a dar conselhos importantes à igreja cristã sobre o relacionamento entre patrões e empregados, e para a igreja em geral.
Paulo era um fazedor de líderes. Ele se preocupava com a formação de uma liderança cristã consciente de sua grande missão, especialmente naqueles tempos, em que a Igreja de Cristo estava sendo formada. A missão dos presbíteros era de grande valor e necessidade nos primórdios da expansão da Igreja no mundo.
Face à importância da missão dos líderes nas igrejas, Paulo recomenda que os mesmos tenham a consideração e o respeito por parte da comunidade, visto que aqueles líderes deixaram sua vida profissional ou particular para se dedicarem, em tempo inteiro, à obra do Senhor. Não havia a menor ideia de estruturas que garantissem assistência material ou previdência social para o final de suas missões. Tudo era feito por fé, atendendo ao chamado divino. Ele exortou de forma direta e oportuna: “Digno é o obreiro do seu salário” (1 Tm 5.18). Seguia o ensino de Cristo aos 70 discípulos, enviados como verdadeiros evangelistas aos mais diversos lugares, quando fossem acolhidos em alguma casa: “E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa” (Lc 10.7).
Além de exortar sobre o tratamento que deveria ser dado aos presbíteros, naquelas circunstâncias e condições, Paulo passa para outro tipo de conselho pessoal a Timóteo, preocupado com sua atuação como líder com delegação para escolher outros líderes, necessários ao ordenamento da vida ministerial e organizacional da igreja. Ordena que Timóteo deve ter muito cuidado, na ordenação ou consagração de obreiros, sobre quem não se deve impor as mãos de modo precipitado (1 Tm
5.22). E revela outra faceta de um líder que, além de se preocupar com o trabalho, com a igreja, com a missão, dá valor à pessoa do liderado, ou do seu discípulo, orientando-o quanto aos cuidados com a saúde de Timóteo. Ao que parece, o jovem obreiro sofria de enfermidades no estômago, e Paulo dava uma receita caseira para aliviar seus problemas (1 Tm 5.23). Uma grande lição para os pastores-líderes de hoje.
No trecho seguinte de sua carta, Paulo volta-se para o relacionamento entre servos cristãos e seus patrões não crentes ou cristãos. E um verdadeiro preceito de relações humanas no trabalho, sob a ótica de um líder que não via só o lado espiritual dos crentes, mas seus relacionamentos e problemas de ordem humana e emocional. Em seguida, o apóstolo dos gentios demonstra sua visão ampla da vida cristã, quando exorta sobre a questão das ambições humanas, do amor ao dinheiro, e do desejo exacerbado na busca de riquezas materiais. Sem dúvida, nessa análise da carta de Paulo a Timóteo, temos muitas lições preciosas para a liderança cristã e para os crentes em geral.

I - AOS MINISTROS DE CRISTO

O apóstolo Paulo demonstrava seu cuidado e zelo pelo ministério e pelos obreiros cristãos. No texto em análise, revela seu interesse no bem-estar espiritual e também humano e social dos que se dedicam à obra do Senhor, de modo especial aqueles que o fazem com dedicação exclusiva e vivem do evangelho.

1. O Obreiro É Digno do seu Salário

A igreja em Éfeso enfrentava muitos problemas desde a sua fundação. As heresias gnósticas e outras ameaçavam solapar a unidade entre os crentes, mediante a semeadura de doutrinas estranhas. Ao que parece, Paulo sentiu a necessidade de doutrinar sobre o sustento dos obreiros que se dedicavam à obra em tempo integral, tendo deixado suas atividades seculares para trás. “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1 Tm 5.17). Boa parte dos líderes era formada por anciãos, escolhidos pela liderança da Igreja para cuidarem do rebanho em formação. Assim como os apóstolos do Grupo dos Doze deixaram tudo para seguir a Cristo, ao longo da formação da Igreja, muitos que se convertiam sentiam o chamado de Deus para se dedicar aos misteres da obra do Senhor.
Porém, para que os líderes da igreja em seus primórdios pudessem dedicar-se à árdua tarefa de cuidar do rebanho, que crescia a cada ano, era necessário apoio financeiro para seu sustento e de sua família. Não dá para imaginar o que os primeiros obreiros do Senhor passaram na árdua tarefa de dedicar-se à obra do Senhor em tempo integral. As condições de vida para todos os que não pertenciam à “classe nobre” da sociedade eram muito difíceis. A sobrevivência dependia das contribuições, ofertas e dízimos nas igrejas. Os cristãos em geral faziam parte das classes mais humildes, pois era muito difícil um rico ou abastado interessar-se pelo cristianismo. Jesus mesmo enfatizou essa dificuldade (Mt 19.24). Mas a solidariedade cristã sempre foi demonstrada, quando as pessoas eram tocadas pelo Espírito Santo para contribuir com a igreja, incluindo a manutenção dos obreiros e de suas famílias.
É possível que Paulo tenha observado alguma dificuldade de compreensão nesse aspecto, e incluiu em sua carta a recomendação a Timóteo para que fizesse saber aos crentes que era uma obrigação cristã contribuir para as necessidades da igreja e de seus obreiros, especialmente dos que se dedicavam em “tempo integral”. E usou a figura de um “boi que debulha” (1 Tm 5.18). Esse cuidado de caráter social fazia parte das recomendações de Paulo. Aos coríntios, ele fez observações idênticas, revelando seu zelo pela manutenção dos obreiros (Ver 1 Co 9.6- 10). Ele seguia a visão de Cristo, quando enviou os setenta discípulos em missão evangelizadora. (Cf. Lc 10.7)
Esse cuidado de Paulo é legítimo. Nos dias presentes, sem a menor dúvida, é assunto que deve ser levado em consideração. Os obreiros que têm dedicação exclusiva na obra do Senhor são dignos de “seu salário”, ou de sua “renda eclesiástica”, “prebenda”, seja qual for a denominação da remuneração devida aos que se dedicam à administração da “Casa do Senhor”, na igreja local.
Paulo conclui suas admoestações à igreja de Corinto, demonstrando que os obreiros que se ocupam integralmente da obra precisam ser bem cuidados, reconhecidos e assistidos. E termina, dizendo: Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1 Co 9.14 - grifo nosso). Viver do evangelho significa ter seu sustento como resultado do seu trabalho, dedicado à pregação da Palavra, ao cuidado com a igreja local, ao ensino e ao discipulado, ao aconselhamento cristão, à assistência dos enfermos e carentes, ã visitação e muito mais.

2. O Trato com o Presbitério

Os presbíteros, ou “anciãos”, eram os líderes das igrejas cristãs em seus primórdios. Como tais, sua missão era muito grande, e a eles deveria ser dado um tratamento diferenciado, não por serem mais importantes que os demais obreiros, mas por terem mais responsabilidades (Lc 12.48).

1) Acusação contra os presbíteros

Os presbíteros, bispos ou pastores não são isentos de falhas. Podem, de uma forma ou de outra, cometer deslizes ou pecados em suas vidas, se não vigiarem e orarem (Mt 26.41). Nenhum obreiro pode arrogar-se o direito de ser infalível. Quem pensa assim é mais vulnerável do que os que se consideram fracos e sujeitos a erros, pois estes procuram precaver-se. Porém, o apóstolo adverte para o cuidado que a igreja deve ter com relação à possível acusação contra os líderes da igreja local. E dá duas orientações importantes. Primeiro, acerca das acusações, e diz: “Não aceites acusação contra presbítero, senão com duas ou três testemunhas” (1 Tm 5.19).
Como bom conhecedor do Antigo Testamento, Paulo sabia que, na Lei de Moisés, uma acusação contra qualquer pessoa só poderia ser aceita se fosse por mais de uma testemunha (Dt 19.15).
Com base nesse preceito legal, Paulo exortou a Timóteo, para a igreja em Éfeso, que fosse observado esse critério. O Direito Romano também absorveu essa diretriz, no estabelecimento de um processo disciplinar contra alguém. Paz-se necessária a existência de pelo menos duas testemunhas (ou provas documentais ou materiais) para que uma acusação seja aceita. Do contrário, ainda que o acusado tenha praticado alguma transgressão, ao mesmo não poderá ser imputada a culpa.
Se o presbítero for culpado de algum pecado e não o confessar, por não existirem duas testemunhas, e se aproveitar disso para encobrir o seu erro, comete grande atentado contra sua vida espiritual. Primeiro, porque pecou. Depois, porque encobriu, prevalecendo-se do desconhecimento público de seu pecado. Para Deus, nada há encoberto. A Bíblia diz: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Assim, se o obreiro peca, a melhor atitude e decisão é confessar o seu pecado e abandonar a prática ilícita, ainda que venha sofrer a disciplina e a perda de suas funções. Encobrir não é a solução própria para um cristão. “Deus não tem o culpado por inocente” (Nm 14.18; Na 1.3).

2) A repreensão aos presbíteros

“Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor” (1 Tm 5.20). Essa é uma questão sensível, principalmente nos dias presentes, quando há uma tendência para o acobertamento de faltas de líderes ou dos crentes em geral, e também a possibilidade de alguém que resolva levar os casos de disciplina à justiça comum. No comentário anterior, Paulo diz que não se deve aceitar acusação não comprovada por testemunhas. Aqui, vemos seu ensino quanto à disciplina dos que “pecaram”, ou seja, contra quem há fatos comprovados que desabonam sua conduta. Os comentaristas bíblicos, baseados literalmente no que Paulo ensinou, entendem, em sua maioria, que, uma vez comprovada a falta de um presbítero, o mesmo deve ser repreendido “na presença de todos”.
Entendemos que, se um presbítero peca, ainda que uma única vez, principalmente, sendo um líder de uma congregação ou igreja, deve ser afastado das funções, e punido com a suspensão de comunhão ou até excluído da igreja. Ao disciplinar alguém, o pastor assume o papel de juiz, de magistrado, diante de Deus. E precisa ter muito cuidado, para agir conforme “a reta justiça” e não “segundo a aparência” 0o
7.24). Esse julgamento deve ser feito criteriosamente, “diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, [...] nada fazendo por parcialidade” (1 Tm 5.21).

3) A restauração de presbíteros

“A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro” (1 Tm 5.22). De um lado, há quem entenda que a “imposição de mãos” refere-se à consagração dos presbíteros. No entanto, o texto em análise não se refere a consagrações, e, sim, à disciplina dos presbíteros. O versículo 22 indica que a exortação de Paulo diz respeito à restauração dos presbíteros pecantes, diante dos quais não deve haver precipitação em restaurá-los no ministério. A expressão “nem participes dos pecados alheios” parece indicar isso. A restauração de obreiros deve ser vista como medida de alto significado cristão. O amor e a misericórdia são características fundamentais da igreja cristã. Muitas vezes, pelo cometimento de uma única falta, um obreiro é defenestrado para sempre do ministério, sem qualquer chance de ser recuperado. Dependendo de seu erro, a restauração pode ser considerada, mesmo que não seja para a direção de uma igreja, mas para o exercício de outras funções ministeriais.
De qualquer maneira, o ministério deve ter cuidado. Primeiro, para não consagrar pessoas despreparadas para o presbitério. Em segundo lugar, a igreja local precisa ter muito cuidado na disciplina ou na restauração de obreiros pecantes. Eles precisam, antes de tudo, dar provas de seu arrependimento sincero, com frutos que indiquem mudança de atitudes em sua vida. Ambas as aplicações ao texto são plausíveis.

4) Parêntese sobre a saúde

“Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades” (1 Tm 5.23). Um pastor amoroso preocupa-se com o bem-estar de seus liderados. Paulo sabia que Timóteo era um jovem obreiro que sofria de algumas enfermidades gástricas. E fez recomendação informal sobre uma terapia alternativa para aliviar seus problemas estomacais. O apóstolo aconselha Timóteo a tomar “um pouco de vinho”, por causa de suas enfermidades gástricas. Esse texto não deve ser usado para justificar a ingestão de bebidas alcoólicas. De acordo com a Bíblia de Estudo Pentecostal, “se Timóteo tivesse o costume de beber vinho, não teria sido necessário Paulo aconselhá-lo a tomar um pouco de vinho com propósitos medicinais (ver 3.3 nota)”.1 De acordo com essa explicação, provavelmente, Timóteo teria distúrbios gástricos, devido ao álcalis na água. A alcalinidade da água poderia ser amenizada com o uso de um pouco de vinho. No Nordeste do Brasil, essa mistura é chamada de “sangria”, feita com vinho, misturado com água, o que anula seu teor alcoólico.
Ainda de acordo com a Bíblia de Estudo Pentecostal: “O vinho usado para o estômago, de acordo com antigos escritos gregos sobre medicina, costumava ser do tipo não embriagante”. Se alguém tinha enfermidade estomacal, o escritor Ateneu declarava: “Que tome vinho doce, ou misturado com água, ou aquecido, especialmente do tipo chamado protropos (o suco de uvas antes de espremê-las), por ser bom para o estômago, porque o vinho doce (oinos) não deixa a cabeça pesada”.2 Uma fonte interessante sobre esse “medicamento” caseiro é o Comentário Judaico do Novo Testamento, que diz: “A água era muitas vezes impura, transmitindo doenças; já com o vinho, a possibilidade de acontecer isso era menor. O próprio vinho era em geral diluído em três a seis partes de água”.3
O estado de saúde de Timóteo contraria algumas heresias modernas, segundo as quais um crente fiel não pode ter doenças, pois Cristo já as levou sobre a cruz. “Eles ensinam que “todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças” e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções. Pregam que Isaías 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe mais doença para o crente. E, se o crente não for curado pela oração da fé, é por dois motivos: está em pecado, ou não tem fé!” Esse ensino tem levado muitos crentes incautos ao desespero, quando veem pessoas da família falecerem depois de orações em que é determinada a cura e o doente não resiste a enfermidade e morre.

Quanto à expiação e a cura, devemos ressaltar o seguinte:
No entanto, a salvação envolve, imediatamente, o espírito e a alma. Quanto ao corpo, não há um efeito imediato, pleno, quanto à libertação dos males decorrentes do pecado. Isso porque, enquanto o espírito e a alma (o homem interior - cf. 2 Co 4.16) são salvos no momento da confissão a Cristo, o corpo ainda aguarda a redenção plena, conforme diz a Bíblia, sobre o gemido da criação: “E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23 - grifo do autor).
A Bíblia diz: “No mundo, tereis aflições” (Jo 16.33). O apóstolo Paulo viveu doente (ver 1 Co 4.11; G14.13), passou fome, sede, nudez, agressões, etc. Seus companheiros adoeceram (Fp 2.30). Timóteo tinha uma doença crônica (1 Tm 5.23). Trófimo ficou doente (2 Tm 4.20). Essas pessoas não tinham fé? Estavam em pecado?4
De forma alguma. O que acontece ao ímpio, em termos físicos, humanos ou terrenos, pode acontecer ao justo. Mas graças a Deus que, ao final, na eternidade, diante de Deus, há diferença entre o salvo e o perdido (Ml 3.17,18).

II - AOS EMPREGADOS E PATRÕES

1. Os Deveres dos Servos

No Império Romano, havia poucas classes sociais. A maioria dos que se tornavam cristãos pertencia às classes mais humildes, geralmente dos plebeus, dos servos, dos escravos ou dos gentios. Mas alguns convertidos eram oriundos de classes nobres, e tinham servos a seu serviço. Como também havia servos cristãos, sob as ordens de senhores crentes ou não. Como era bem informado da situação social das comunidades cristãs, nas igrejas sob seu pastoreio, Paulo não deixou de lado a questão do relacionamento entre servos e patrões. Para os que tinham senhores não crentes, ele ensinou que “Todos os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1).

2. Servos de Senhores Não Crentes

Paulo era bastante cuidadoso quanto ao tratamento humano na igreja local. Escrevendo aos colossenses, ele disse: “Vós, servos, obedecei em tudo a vosso senhor segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus” (Cl 3.22). Nesse texto, ele exorta de modo geral aos servos cristãos para que obedeçam a seu “senhor segundo a carne”, sem fazer distinção da sua condição espiritual (crentes ou não). Notemos que a orientação do apóstolo é a de que os servos (ou escravos, à época) crentes se comportem, no trabalho, de forma consciente, “não servindo só na aparência, como para agradar a homens”, mas pelo fato de serem tementes a Deus. Orientação que é corroborada por Paulo, definindo um verdadeiro “princípio de ética cristã”, para a igreja de Colossos: “E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens” (Cl 3.23).

3. Servos de Senhores Crentes

Da mesma forma, Paulo indica o comportamento dos servos cristãos, em relação aos seus patrões crentes: “E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes, os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados. Isto ensina e exorta” (1 Tm 6.2). Se em relação aos senhores não crentes os servos cristãos deveriam ter um comportamento adequado à sua fé, em relação aos que tinham senhores crentes, deveriam servir com muito mais dedicação e zelo, pelo fato de serem “crentes e amados”. Esse ensino deve ser observado por todos os cristãos, em todas as igrejas. Devem respeitar e honrar todas as pessoas, mesmo as descrentes. Porém, têm o dever de dar prioridade e consideração aos que são irmãos em Cristo, sejam senhores, sejam servos ou empregados.
O texto em apreço trata do comportamento dos servos ou empregados cristãos perante seus patrões. Mas cremos ser oportuno lembrar que os senhores ou patrões crentes em Jesus devem ter comportamento ético compatível com a ética cristã.

III - CONSELHOS GERAIS

1. Aos que Não Respeitam a Sã Doutrina

A sã doutrina é o conjunto de ensinos proferidos por Nosso Senhor Jesus Cristo em sua fonte primária, que são os Evangelhos. Ainda que haja as chamadas “variantes textuais”, em que um escritor inseriu alguma expressão que não consta dos originais, os Evangelhos merecem credibilidade por se tratarem de relatos e escritos, considerados com consistência e autenticidade como inspirados pelo Espírito Santo. Em primeira mão, é deles que podemos extrair a “sã doutrina”. Ao lado dos Evangelhos, há também os ensinos dos apóstolos de Jesus, em suas epístolas, as quais também merecem crédito, “porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21).
Porém, como acontecia na igreja em Éfeso, sempre houve algum ensinador, “mestre” ou “doutor”, que resolveu ministrar ensinos “diferentes”, “inovações doutrinárias”, muitas vezes “espetaculares”, que, em vez de edificar, causam confusão no meio dos crentes.
Paulo considera tais ensinadores de falsas doutrinas como soberbos, presunçosos, que acham que são mais entendidos que os demais obreiros, promotores de contendas. Invejosos, que difundem blasfêmias, corruptos, que acham que “a piedade seja causa de ganho”.

2. Aos que Desejam Riquezas Materiais

Após mostrar que os que não obedecem à Palavra de Deus são soberbos, invejosos, causadores de dissensões e oportunistas, que querem que “a piedade seja causa de ganho”, Paulo acrescenta ensinamento importante sobre a vida cristã ou “a piedade”. “Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” (1 Tm 6.6-8). De fato, a vida cristã só tem sentido se o crente viver com contentamento, alegre e feliz, na presença do Senhor. Paulo lembra que “nada trouxemos para este mundo” e “nada podemos levar dele”. E a mesma visão que Jó teve séculos antes, quando, em meio à sua tribulação terrível, exclamou: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21).
A carta de Paulo a Timóteo dedica espaço bem significativo aos que buscam riquezas, com advertências que devem ser consideradas por todos os que querem viver segundo os princípios cristãos:
 “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Tm 6.9,10).
Quando a riqueza do crente é fruto de trabalho honesto, digno, que glorifica a Deus, certamente é uma riqueza que é fruto da bênção do Senhor. Mas Paulo se refere aos “que querem ser ricos”, ou que vivem buscando bens materiais, acima dos bens espirituais, que não dão valor às coisas de Deus. São como o rico da parábola, de quem Jesus disse: “Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com Deus” (Lc 12.21).
Nesse texto, o apóstolo enfatiza que “o amor do dinheiro”, ou melhor, “o amor ao dinheiro” é “a raiz de toda espécie de males”. À primeira vista, parece um exagero. Mas o amor ao dinheiro, ou a avareza, tem contribuído para muitas misérias morais e sociais. E pelo amor ao dinheiro que os inescrupulosos agem de má fé, prejudicando a tantas pessoas.
Os pastores, que usam o púlpito, ou a mídia, para praticarem “propaganda enganosa”, “vendendo” milagres e curas, são corruptos, e o fazem por amor ao dinheiro.
Mas vale salientar que Deus jamais divinizou a pobreza, nem jamais demonizou a riqueza. Mas a Palavra de Deus encara a busca pelas riquezas como fator de empecilho ao melhor relacionamento com Ele. Jesus foi realista quando disse: “E outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus” (Mt 19.24).
O Mestre não disse que é impossível um rico ser salvo. De forma alguma. Mas acentuou que é difícil. Não por causa da riqueza em si, mas pela atitude mental que a maioria dos ricos tem em relação à vida espiritual. A riqueza faz muitos se sentirem autossuficientes, orgulhosos, arrogantes e confiantes no poder econômico e financeiro. Os bens materiais propiciam mais oportunidades para uma vida desregrada. Haja vista o desperdício de dinheiro na prostituição, no adultério, nos jogos, nos vícios e em tantos prazeres humanos e passageiros da vida.

3. Conselhos aos que São Ricos

1. A esperança vã nas riquezas

O ensino de Paulo é prescritivo em relação aos que já são ricos, alertando que as riquezas são incertas. “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos” (1 Tm 6.17).

2. A prática do bem
No mesmo trecho de sua carta, Paulo acrescenta outros conselhos sábios em relação ao comportamento do crente que possui riquezas, mesmo concedidas por Deus. Ele diz que tais pessoas “façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente e sejam comunicáveis” (1 Tm 6.18). Fazer o bem é resultado do fruto do Espírito chamado de “benignidade”, a qualidade de quem faz o bem. As boas obras não salvam ninguém (Ef 2.8,9), mas são necessárias ao bom testemunho cristão; fazem parte da vida cristã; um salvo deve enriquecer “em boas obras”. E serem generosos para com os menos favorecidos. Isso fala de altruísmo, ou seja, a preocupação com os outros, em oposição ao egoísmo, que leva o homem a pensar primeiro em si próprio. A igreja que só prega o evangelho com palavras pode perder influência no meio em que se encontrar. O evangelho integral é aquele que proclama a palavra (Kerigma), mas pratica a diaconia, ou o serviço cristão em favor do próximo. A diaconia foi criada em função do atendimento aos problemas sociais na Igreja Primitiva (At 6).
3. 0 bom tesouro do crente
“[...] que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna” (1 Tm 6.19). Entesourar “bom fundamento” significa a prática de bom testemunho e ações de caráter cristão, que são base para um futuro sólido, fundamentado nos princípios cristãos. O crente sábio não entesoura para esta vida, mas para a futura (Mt 6.19-21). Se alguém põe o seu coração nos recursos materiais, seu tesouro está nisso. Em coisas vulneráveis, sujeitas às instabilidades dos bens materiais. Mas, se põe seu coração nas coisas que são de cima” (Cl 3.1,2), tem uma riqueza espiritual, eterna.

CONCLUSÃO


Neste capítulo, vimos como Paulo era cuidadoso em sua missão pastoral. Ele se preocupava com diversos assuntos, de interesse da igreja, de sua liderança e de seus membros. Deu especial importância à manutenção dos obreiros, discorreu sobre a questão da disciplina dos líderes, especialmente dos presbíteros que vierem a falhar. De forma bem clara, doutrinou sobre o relacionamento humano, na igreja local, entre servos e senhores. É uma das marcas relevantes da teologia paulina o cuidado com as relações humanas entre cristãos e não cristãos. E conclui o texto, dando orientações sobre o trato com os bens ou recursos materiais. São conselhos tão sábios que devem ser observados mesmo nos dias presentes, quando esperamos a volta de Jesus.

foto: euvoupraebd.blogspot.com

terça-feira, 28 de julho de 2015

“Tenho sede!"



Quando ouvimos as palavras do Senhor no Calvário, elas nos convencem de que Ele nos ama. Este amor é revelado de maneira especial na sua quinta decla­ração:
"Depois, vendo Jesus que tudo já estava consu­mado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca. Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, incli­nando a cabeça, rendeu o espírito" (Jo 19.28-30).
O Senhor foi crucificado às nove horas da ma­nhã e passou as três primeiras horas na cruz em plena luz do dia. A seguir veio a escuridão e no final desta Ele gritou: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mt 27.46). As três primeiras decla­rações enfocaram seus inimigos, o ladrão, João e Maria. A declaração central se concentrou no Pai. Mas, nas três últimas, o Senhor enfocou a si mes­mo: seu corpo: Tenho sede"; sua alma: "Está con­sumado" (veja Is 53.10); e seu espírito: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23.46). Corpo, alma, espírito, tudo foi oferecido pelo Senhor Jesus Cristo em total submis­são à vontade do Pai.
A declaração mais curta feita pelo Senhor na cruz se encontra em João 19.28: 'Tenho sede!" No texto grego, é só uma palavra de quatro letras e é a única declaração da cruz em que o Senhor se referiu às suas necessidades físicas. Esta palavra simples nos revela o coração do Se­nhor Jesus e nos capacita a ver o seu amor de maneira mais profunda.

A simples declaração 'Tenho sede" nos ajuda a ver três retratos de Cristo: o Filho sofredor do homem, o Servo obediente de Deus e o Salvador amoroso dos pecadores.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Apostasia, Fidelidade e Diligência no Ministério - Lição 5



Quando Nosso Senhor Jesus Cristo estava com seus discípulos, em seu ministério terreno, falou-lhes acerca dos últimos tempos, ou do fim dos tempos, em que uma das características marcantes seria a falsidade, o engano, a mentira e a mistificação. Em um de seus magníficos sermões, Ele falou acerca dos que entrariam no seu Reino. E demonstrou que não seria fácil. Quem quer ser salvo tem que entrar por uma “porta estreita” e palmilhar num “caminho estreito”, que conduz ã salvação, em contraposição à “porta” larga e o “espaçoso” caminho “que conduz à perdição” (Mt 7.13,14). Duas portas e dois caminhos. Dois destinos esperam o homem, no final de sua jornada na terra. E dependem da escolha de cada um. Seja qual for a escolha, as consequências serão inescapáveis.
No mesmo discurso, Jesus advertiu aos que haveriam de escolher a “porta estreita”, a seus seguidores, os salvos, de que eles seriam perturbados por falsos profetas, que surgiriam em seu próprio meio, no seio da igreja (Mt 7.15). Reforçou suas metáforas com o ensino sobre a “árvore boa” que “produz bons frutos” e sobre a “árvore má”, que “produz frutos maus” (Mt 7.17). Como um verdadeiro Mestre, Jesus soube manejar bem a palavra da verdade, em relação aos acontecimentos futuros, que haveriam de ocorrer com profundas repercussões sobre a vida dos seus discípulos.
Jesus sabia que sua Igreja sofreria os ataques dos falsos mestres, ou falsos profetas, que apareceriam, vindos de fora, ou mesmo, surgindo no seio da comunidade cristã. Por isso advertiu que os falsos cristos e os falsos profetas não seriam apenas ensinadores, teóricos ou filósofos, em suas elucubrações diletantes. Eles seriam capazes de realizar sinais e prodígios, para convencerem os que lhes dessem ouvidos (Mt 24.24).
Naturalmente, Paulo tinha bastante ciência das advertências de Jesus quanto aos últimos tempos”. Em sua carta a Timóteo, ele expressou sua preocupação com os falsos ensinadores, heréticos e astutos, na busca pelo domínio da mente dos que estavam na igreja em Éfeso.

Era uma antevisão do que a Igreja está vivendo nos dias presentes. Dias que antecedem a volta de Cristo. Há obreiros que possuem uma capacidade oratória tão eloquente que conseguem atrair a atenção e a admiração dos que os ouvem. Quando eles se mantêm no centro da vontade de Deus, com humildade, e na conduta de servos do Senhor, são verdadeiras bênçãos para o ensino e a pregação. No entanto, com tal perfil, alguns têm se desviado dos padrões de santidade e devoção, e se tornam pregoeiros de ensinos heréticos, que causam grande prejuízo à igreja local, por serem homens que têm grande prestígio ministerial.
No meio pentecostal, infelizmente, prevalece uma visão superficial das verdades bíblicas. A ortodoxia não é a marca das igrejas pentecostais, em sua grande maioria. As demonstrações de poder, de unção e de alegria alcançam um patamar tão elevado, e ao mesmo tempo sem fundamento, que os falsos ensinadores conseguem amplos espaços para espalharem suas heresias. Já é por demais conhecida a “tal” da teologia da prosperidade”, segundo a qual os crentes em Jesus não podem ser pobres, nem serem acometidos de enfermidades graves. Se passarem por essas agruras é porque “não têm fé”, ou “estão em pecado . Mais que isso, adotam a famosa “confissão positiva”, e passam a determinar’, “decretar” bênçãos e a “exigir”, reivindicar “seus direitos ! Ensinos com esse teor ou caráter são muito bem aceitos por grande parte de crentes, em muitas igrejas. Mas quando tais ensinos são confrontados com a Palavra de Deus, em sua essência, conclui-se que são doutrinas de homens, ou até de demônios.
A advertência de Paulo, no texto ora em estudo, é de uma atualidade impressionante. Como verdadeiro profeta de Deus, além de exímio ensinador, ele captou muito bem a revelação do Espírito Santo acerca dos “últimos tempos” ou dos “tempos trabalhosos” (1 Tm 3.1), a que nos referimos no capítulo anterior. Da leitura do texto em apreço, pode-se inferir que os ensinadores de “doutrinas de demônio” (4.1) não seriam pessoas estranhas, mas que surgiriam de dentro do seio da igreja local. Sua capacidade de convencimento haveria de ser tão eficiente, que, “se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mt 24.24), como Jesus previu e alertou.

I - A APOSTASIA DOS HOMENS (4.1-5)

Paulo advertia a Timóteo, para que o mesmo doutrinasse a igreja em Éfeso, acerca dos últimos tempos, em que a apostasia se tornaria uma realidade no seio de igrejas cristãs (1 Tm 4.1).

1. Conceituação

Apostasia (gr. apóstasis) significa “desvio”, “afastamento”, “abandono”.1 Tem o sentido também de “revolta”, “rebelião”, no sentido religioso. Numa definição clara, apostasia quer dizer “abandono da fé”. No original do Novo Testamento apostasia, do vem do verbo aphistemi, com o sentido de “rejeitar uma posição anterior, aderindo a posição diferente e contraditória à primeira fé, repelindo-a em favor de nova crença } Nos últimos anos, esse comportamento tem sido mais observado do que em tempos passados. É impressionante como líderes, outrora ortodoxos, hoje apregoam ideias opostas àquele ensinamento que defendiam.

2. Doutrinas de Demônios (4.1)

Existem apostasias que são fruto da mente fértil de algum teólogo ou teórico, que deseja aparecer, ensinando “novidades” com pretenso fundamento bíblico. Ou da meninice de algum irmão ou irmã, que se julga mais espiritual que as outras pessoas. Paulo referia-se à apostasia que tinha origem diabólica. Mais perigosa do que se possa imaginar, pois é fruto da influência do Adversário da igreja, que visa minar suas bases doutrinárias. Disse Paulo, em sua primeira carta a Timóteo: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, aposta- tarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1 - grifo nosso).

3. Espíritos Enganadores

Certamente, Paulo se referia à influência espiritual dos espíritos maus, que iriam induzir falsos mestres a se enganarem e a enganarem aos crentes (2 Tm 3.13). Ele anteviu que parte da igreja haveria de apostatar, quando disse que “alguns” abandonariam a fé. Ele se referia à “apostasia pessoal”. O escritor aos hebreus também exortou nesse sentido, contra o afastamento da verdade ou da sã doutrina e de Deus: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (Hb 3.12). Essa preocupação foi recorrente, pois, quando Paulo escreveu a segunda missiva a Timóteo, de forma que o mesmo orientasse a igreja em Éfeso, voltou a exortar com cuidado acerca dos apóstatas: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Tm 4.3,4).
A ação dos “espíritos enganadores” haveria de ser tão eficiente para incautos que dessem lugar à apostasia que esses não sofreriam (não suportariam) a “sã doutrina”, ou seja, o corpo doutrinário, pregado pelos apóstolos de Cristo, e passado de geração a geração, com fundamento nos Evangelhos e nos ensinos dos apóstolos de Jesus. Sua influência maléfica faria com que os apóstatas tivessem “comichão nos ouvidos” ao escutarem a Palavra de Deus, em sua simplicidade e ortodoxia. Os espíritos do desvio doutrinário apoderar-se-iam dos “doutores”, ou falsos mestres (1 Tm 1.7), que usavam sua influência cultural, eclesiástica e posicionai nas igrejas para desviarem os servos de Deus do foco e do alvo, que é servir a Deus até chegar à eternidade, como salvos em Cristo Jesus. Na advertência de Paulo, ele afirma que tal comportamento se manifesta “pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Tm 4.2).

No mesmo trecho de sua carta, o apóstolo adverte quanto a ensinos místicos que, além de proibirem o casamento, como instituição de origem divina, oprimem as pessoas, “ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” (1 Tm 4.3). Essa é uma das características dos movimentos heréticos. Apregoam que determinados tipos de alimentos não devem ser ingeridos, muitas vezes sem qualquer fundamento científico ou escriturístico. Em relação a alimentos, no Antigo Testamento, havia uma série de “regras dietéticas” quanto ao que os judeus podiam ou não podiam comer (cf. Lv 11). Mas o próprio Deus ordenava que comessem carne, para repor as proteínas desgastadas no processo biológico.
No Novo Testamento, as restrições quanto a alimentos resumem-se no que os líderes da igreja decidiram, no Primeiro Concilio, em Jerusalém. Após o parecer de Pedro, Tiago, o líder da igreja, concluiu, de forma eloquente: “Pelo que julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue” (At 15.19,20 - grifo nosso). E também exortou a que os cristãos não ingerissem alimentos que fossem consagrados ou sacrificados aos ídolos (1 Co 10.27,28). E orientou que, mesmo em se tratando de alimentos lícitos, os crentes em Jesus deveriam respeitar a fé dos mais fracos espiritualmente, e absterem-se de comer (na frente deles) coisas que os escandalizassem (cf. Rm 14.1-23). Os hereges, principalmente os gnósticos ascetas, defendiam a abstinência de alimentos, mas voltavam-se para “entidades”, “emanações e símbolos da idolatria.

Os gnósticos depravados procuravam destruir o corpo, por considerá-lo mau, indigno, com a prostituição e práticas sexuais libertinas. Eram hipócritas e mentirosos. Paulo concluiu que o cristão pode fazer uso de alimentos, desde que possam ser recebidos “com ações de graça , visto que, pela palavra”, ou seja, desde que estejam de acordo com a Palavra de Deus, “pela oração”, “tudo é santificado” (1 Tm 4.4,5). Porém, deve-se ter cuidado e sabedoria na interpretação desse texto. Não quer dizer que, se alguém faz uso de bebida alcoólica, ou de carne sufocada, ou do sangue, basta fazer uma oração e tudo é santificado. De forma alguma. Deus não aprova aquilo que Ele condena. Ele não é “Deus de confusão (1 Co 14.33).
Deus fez o homem, no princípio, para ser vegetariano (Gn 1.29). Mas, com a Queda, o metabolismo humano sofreu tremenda mudança, passando a envelhecer, adoecer e morrer. Para refazer as energias e os tecidos desgastados, tornou-se necessária a ingestão de alimentos carregados de proteínas, dos quais a carne animal, incluindo os peixes, são grandes fornecedores. Além disso, o próprio Deus regulamentou, na Lei, sobre quais tipos de animais se podiam comer (Ver Lv 11).

II - A FIDELIDADE DOS MINISTROS (vv. 6-10)

1. “Bom Ministro de Jesus Cristo”

Era o que Paulo esperava de Timóteo, seu jovem discípulo, companheiro de tantas lutas, em defesa do evangelho de Jesus Cristo. “Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1 Tm 4.6). A carta de Paulo a Timóteo é pastoral e pessoal, em princípio. Mas sua finalidade não era apenas edificar o jovem obreiro. Ele acentua: “propondo estas coisas aos irmãos”, o que indica ser sua carta assunto que deveria ser comunicado à igreja de Éfeso, aos “queridos irmãos” (Fp 4.1) e, por extensão e aplicação, a todas as igrejas cristãs.
Cumprindo essa orientação, Timóteo haveria de ser um “bom ministro de Cristo” (diáconos de Cristo), ou seja, um líder cristão à altura de sua elevada missão. Para galgar essa posição, Timóteo teria que atender a dois requisitos importantíssimos: ser “criado com as palavras da fé” e “da boa doutrina” que ele próprio já seguia. No original, a metáfora que Paulo usa diz respeito a “ser alimentado com”, nutrido com a sã doutrina, ou, no dizer de Pedro, com o “leite racional, não falsificado” (1 Pe 2.2).

2. Rejeitando as Fábulas Profanas

“Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade” (4.7). Essa advertência já houvera sido dada no primeiro capítulo da epístola a Timóteo (1.4). Como visto, as “fábulas profanas” seriam ensinamentos fantasiosos, místicos, muito utilizados pelos gnósticos e judaizantes, para impressionar os crentes. Seriam profanas, porque configurariam ensinos humanos, fundados em valores materiais, que se opunham aos sagrados ensinos, emanados da Palavra de Deus, sob inspiração do Espírito Santo. A expressão “de velhas” aludiam a “conversa de velhas, expressão sarcástica muitas vezes empregada em polêmicas filosóficas, que compara a oposição de um oponente aos fuxicos perpetrados por mulheres mais idosas daquelas culturas, quando se assentavam em roda tecendo, ou fazendo outras tarefas”.3 Em nossa cultura, certamente, equivaleria a conversas tagarelas de pessoas fofoqueiras.

3. O Exercício Físico e a Piedade

“Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir” (1 Tm 4.8). Nós somos formados de três partes, segundo a Palavra de Deus: “espírito, e alma, e corpo” (1 Ts 5.23). Todas elas precisam de exercício, de atividade, sob pena de sofrermos atrofia em todas ou em uma delas. Há muitos irmãos, inclusive obreiros, que vivem de modo sedentário, desenvolvendo doenças circulatórias, cardíacas ou neurológicas. Isso não é desejável. O corpo não pode ser desprezado em seus cuidados. Ele é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19,20).
Mas por que esse incentivo ao exercício físico se Paulo diz que o exercício corporal para pouco aproveita”? Observemos que Paulo não está dizendo que o “exercício físico” (gymnasia)4 “não serve para nada’. O que ele quer dizer, para uma comunidade que valorizava excessivamente os exercícios e os esportes,5 é que tais práticas, ainda que saudáveis, só serviam para esta vida.
Paulo tinha uma mensagem para a igreja de Éfeso, para que os crentes não se deixassem dominar pelo desejo exacerbado de valorizar o corpo, em detrimento do lado espiritual.

O apóstolo mostrou a Timóteo que havia algo mais importante que o exercício físico. E ressaltou: “mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir (4.8b). Ele demonstrou que, enquanto o exercício físico só serve para o corpo e para esta vida, a piedade (gr. eusebeia) é proveitosa, não só para a vida presente”, mas para a “que há de vir . Se o corpo, como vimos, precisa de exercícios para não envelhecer precocemente, ou atrofiar-se, em suas funções vitais, a alma e o espírito também necessitam de “exercícios”espirituais, ou seja, de piedade.
Entendamos que piedade, ou “eusebeia”, significa a vida de santidade do cristão; a vida devocional, que inclui as orações, a leitura da Palavra de Deus, de modo sistemático, a adoração a Deus, de forma constante; a maneira de viver e conviver com as pessoas, zelando pelo bom testemunho cristão, tudo isso é piedade. Podemos concluir que Paulo resumiu a piedade quando escreveu aos coríntios, dizendo: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1 Co 15.58).
Paulo termina essa parte da epístola, acentuando que “esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação” (1 Tm 4.9). Ele se referia a tudo o que já houvera escrito e repassado para Timóteo, como sendo “palavra fiel e digna de toda aceitação”, que ninguém pusesse em dúvida a sinceridade de sua admoestação, visto que não se tratava de afirmações gratuitas ou de opiniões pessoais. Seu ensino era embasado na unção e direção do Espírito Santo, em contraposição aos ensinos dos falsos mestres, que buscavam iludir os crentes com suas falácias e vãs filosofias (Cl 2.8). E encerra dizendo o porquê de tanta luta, tanto esforço, no combate às heresias e zelo pela vida dos crentes de Éfeso, ou de todos os cristãos: “Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” (1 Tm 4.10).

III - A DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO (vv. 11-16; cf. 5.4-16)

1. O Ensino Prescritivo

“Manda estas coisas e ensina-as” (1 Tm 4.11). Era uma determinação de Paulo a Timóteo, para que ele não fraquejasse na ministração da doutrina à igreja em Éfeso, visto que as heresias estavam-se espalhando com certa facilidade, por meio dos “homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Tm 4.2). Os verbos “mandar” e “ensinar” (gr. didasko) estão no modo imperativo, denotando o caráter da exortação de Paulo, de modo contínuo e persistente. As “coisas” que foram ensinadas pelo apóstolo deveriam ser ministradas aos crentes de forma incisiva, sem condescendência com os falsos mestres e os falsos ensinos, que tinham origem nos “espíritos enganadores” e nas “doutrinas de demônios”.
Nos tempos presentes, o ensino tem sido negligenciado por muitos líderes de igrejas. Há uma supervalorização do louvor, do cântico, dos hinos, dos instrumentos musicais, em detrimento da pregação e do ensino da Palavra de Deus. Não é por acaso, que há uma geração fraca, “anêmica” e “raquítica” em relação aos conhecimentos e à prática da Palavra de Deus. Há muito falatório, muito barulho, muito grito e dramatização, e pouco ensino fundamentado da doutrina sagrada (didakê). Já predomina uma cultura, no meio de igrejas evangélicas, de que “um culto maravilhoso” é aquele em que se apresenta “um cantor de fora”, ou um “pregador famoso, convidado para os eventos”. Ou um culto, em que haja manifestações gratuitas de emocionalismo infantil, com o famoso “re-té-té”, ou exibicionismo carnal, disfarçado de espiritualidade. Por isso, Paulo não diminuiu a ênfase no ensino. Pelo contrário: disse “manda” e “ensina” as coisas que foram determinadas em sua carta.

Se Paulo ressuscitasse hoje, por permissão de Deus, ou se transfigurasse, como Moisés e Elias, no Monte da Transfiguração, ficaria estupefato, percebendo que o “evangelho politicamente correto” prevalece em muitas igrejas. Com receio de ver a evasão de crentes, há obreiros que nem “mandam” nem “ensinam” o que a Palavra de Deus prescreve de forma clara e imperativa. A doutrina da santidade, por exemplo, tem sido por demais relegada a segundo plano nas ministrações de muitos pastores. A Bíblia é incisiva quanto a esse ensino. Não há o que interpretar o que está claro e evidente, no contexto da doutrina: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1 Pe 1.15); “segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Santidade e santificação constituem-se doutrina prescritiva do evangelho de Cristo. São fundamentais, e baseiam-se em princípios inegociáveis no âmbito da doutrina cristã. Em muitas igrejas, não se fala em santidade. Mas fala-se em prosperidade material de modo exaustivo, manipulativo e insistente, visando extrair do povo o máximo de dinheiro para os projetos da denominação. Em troca disso, o ensino promete bênçãos sem limites no campo material. É a tal da Confissão Positiva. E dão inclusive a “fórmula da fé”, conforme Kenneth Haggin.
Para fazer a “confissão positiva”, o cristão dever usar as expressões: “exijo”, “decreto”, “declaro”, “determino”, “reivindico”, em lugar de dizer: peço, rogo, suplico. Segundo os adeptos dessa teologia modernista, o cristão jamais pode dizer: “se for da tua vontade”, segundo Benny Hinn, pois isso destrói a fé. Mas Jesus orou ao Pai, dizendo: “Se é da tua vontade... faça-se a tua vontade...” (Mt 26.39,42).

2. O Exemplo dos Fiéis

“Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (1 Tm 4.12). Timóteo era um jovem obreiro, com cerca de 30 a 35 anos, e fora enviado para doutrinar uma igreja, onde já havia anciãos ou presbíteros com mais idade.6 O texto bíblico dá a entender que ele era um pouco tímido, como se depreende de 1 Coríntios 6.10,11, em que Paulo pede aos irmãos que recebam Timóteo de forma que o mesmo esteja “sem temor”, sem nenhum desprezo. A exortação de Paulo deveria chegar aos ouvidos dos crentes de Éfeso. Por meio da carta a Timóteo, o apóstolo diz que “ninguém” deveria desprezar (“zombar”, “tratar com desprezo”, “subestimar”) o jovem obreiro. Certamente, foi uma dura recomendação ao jovem obreiro. Em lugar de ser exortado a seguir o exemplo dos anciãos, Paulo diz que Timóteo deveria ser “exemplo dos fiéis”. O texto discrimina seis aspectos em que Timóteo deveria ser exemplar:

1) ‘‘Na palavra"

A princípio, o texto poderia dar a entender que Paulo desejava que Timóteo fosse um exemplo de exímio pregador ou ensinador da Palavra. Mas o contexto indica que ele, como mestre de Timóteo, exortava- -o a que fosse um exemplo dos fiéis na “maneira de falar”, de se expressar, no relacionamento com os demais irmãos. Um obreiro, líder ou não, deve saber expressar-se, jamais usando linguagem vulgar ou chula. Esse entendimento tem respaldo no que o apóstolo escreveu aos efésios: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef 4.29). No mesmo texto, aos efésios, ele diz: “Toda amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias, e toda malícia seja tirada de entre vós” (Ef 4.31). De fato, um ministro do evangelho não pode ter linguagem inadequada, debochada, “sem classe”, sem pudor ou demagógica. Devemos lembrar que o adjetivo “torpe” a que Paulo recomenda evitar significa “podre” (gr. sapros). Assim, piadas e palavras inconvenientes não devem fazer parte do vocabulário de um obreiro cristão.

2) “No trato”

A expressão refere-se ao comportamento cristão. Não só Timóteo, mas todo jovem ou cristão de qualquer idade deve ser “exemplo dos fiéis” no relacionamento humano e espiritual. E não vemos outra maior fórmula, ou mesmo fórmula para o bom relacionamento cristão, do que as virtudes ou aspectos do “fruto do Espírito”, de que falou Paulo em Gálatas 5.22,23. O relacionamento cristão (o trato) deve expressar a ética cristã. Jesus disse: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas (Mt 7.12). Os carnais andam segundo a natureza carnal, herdada de Adão: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.7,8). Texto mais que didático e compreensível. O trato do crente carnal não pode ser referência para quem quer servir a Deus.
Já o crente espiritual demonstra um “trato” ou comportamento espiritual. Ele é cheio do Espírito Santo” (At 2.4; 4.31; 13.52). “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” (Rm
8.1). Os espirituais vivem segundo o Espírito Santo, porque estão em Cristo Jesus” e “não andam segundo a carne”.

3) “Na caridade”

Ser exemplo no amor não é fácil. Mas é a característica mais importante do cristão que quer ser discípulo de Jesus. No Evangelho segundo João, Jesus disse: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.34,35 - grifo nosso). Este versículo demonstra quão grande é o valor da “caridade” ou do “amor cristão. Esse amor, no texto original, é ágape. Não é um amor simplesmente humano, como filantropia, assistência aos necessitados. Essa caridade, que é “o amor em ação”, é o centro da verdade cristã.
Deus enviou Jesus para nos salvar; não foi por sua justiça, mas por seu amor indescritível 0o 3.16). Desse modo, o crente fiel, em Éfeso ou em qualquer lugar onde se congregar, deve ser exemplo no amor cristão. Respondendo a um doutor da Lei, Jesus disse que o primeiro e o maior dos mandamentos é amar a Deus de todo o coração, de todo o entendimento e alma. E o segundo, semelhante a esse, é amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22.34-40). Por essa razão, o cristão deve ser o exemplo dos fiéis no amor, para que seja conhecido como discípulo de Jesus (Jo 13.35).

4) “No espírito”

Um ministro do evangelho deve ser “exemplo dos fiéis”, no lado espiritual. E de fundamental importância que o obreiro-líder reserve em sua agenda os momentos especiais, diários, sistemáticos, para o cultivo de sua vida devocional, através da qual ele estreita sua comunhão com Deus. O obreiro precisa orar todos os dias; começar o dia de trabalho sem orar é correr o risco de enfrentar situações difíceis sem encontrar a solução para os problemas que surgem na administração da igreja; o exercício diário da oração é um reforço maravilhoso para a dinamização da igreja local.
Sem oração, é impossível o obreiro ser exemplo “no espírito”. Ela é a chave que abre as portas do sobrenatural, quando o líder da igreja local se coloca de joelhos, buscando a unção do Espírito Santo. Sem oração, o obreiro pode sutilmente se tornar carnal, enveredando por caminhos de iniquidade. Quantos pastores têm caído por falta de oração e vigilância (Mt 26.41). A Bíblia tem exemplos diversos de homens de Deus que oravam sistematicamente. Alguns caíram porque negligenciaram a oração. Davi orava três vezes ao dia (SI 55.17); quando deixou de orar, de cuidar de sua vida espiritual, fracassou terrivelmente; Daniel orava três vezes ao dia (Dn 6.10); Jesus orava diariamente (Mt 26.44 a ); o salmista também tinha o costume de começar o dia, orando e vigiando.

5) “Na fé”

O que Paulo ensinava a Timóteo deveria ser ministrado para os demais obreiros e para a igreja local, a comunidade cristã. Um ministro do evangelho, para ser diligente, precisa exercitar-se na fé. A fé assume vários sentidos na Bíblia. Pode ser a fé para receber milagres (Mc 9.23); a fé para a salvação pessoal (Mt 9.22; Mc 10.52; Lc 7.50); e em outros aspectos. Mas, no texto em apreço, Paulo exortava a Timóteo e por extensão aos ministros do evangelho, que todos precisam ser exemplo na fé, no sentido da confiança firme em Deus, ou seja, no cultivo da virtude da fé (1 Co 13.13), e de uma vida por fé, sem a qual “é impossível” agradar a Deus (Hb 11.6).

6) “Na pureza’’

Ser exemplo na pureza (gr. agneia) é ser puro, “casto”, tanto em termos de ações, atitudes e práticas no seu viver contínuo. Essa pureza deve ser nos pensamentos e nas obras; nos sentimentos e nas práticas cotidianas. Timóteo era ainda um jovem ministro, segundo estudiosos, com cerca de 30 anos; hoje, seria um “solteirão”, esperando pacientemente “no Senhor” (SI 40) pela bênção de ter uma esposa para ser sua companheira no ministério. Mas até que essa bênção se concretizasse, ele haveria de passar por muitas tentações, especialmente na área sexual.
Sem qualquer dúvida, se, no tempo de Timóteo, a exortação de Paulo era oportuna e necessária, que dizer de tal cuidado por parte dos obreiros, jovens ou de mais idade, nos dias presentes? Nunca houve tanta facilidade para o pecado, para a lascívia, para a concupiscência carnal como nos dias em que vivemos. Seja qual for o ministro, se não vigiar nessa parte, precavendo-se das tentações da carne, seja solteiro, seja casado, a probabilidade de queda é muito grande. Com os meios tecnológicos à disposição das pessoas, via internet, telefones, “tablets”, o acesso a relacionamentos ilícitos é muito fácil. A vigilância e a oração têm que ser redobradas. Para ser exemplo na “pureza”, o ministro precisa cultivar a vida de santidade. Sem esta, ninguém chegará ao céu (cf. Hb 12.14).
Se entendemos que santidade quer dizer separação do que é sagrado daquilo que é profano, precisamos, como obreiros do Senhor, zelar por tudo que ocorre no âmbito da igreja local, seja na pregação, no púlpito; seja na adoração, na liturgia, no louvor, nos usos e costumes, na vida moral e social da parcela do rebanho de Deus que nos foi confiada. Os obreiros devem ser exemplo dos fiéis. A disciplina pessoal se faz necessária para que evidenciemos pureza em todas as áreas da vida, mediante a necessária santificação (1 Pe 1.15; Hb 12.14).

3. O Ministro e o Cuidado com o Ministério e consigo Mesmo

1) O cultivo da leitura

“Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá” (1 Tm 4.13). Um ministro do evangelho não pode ser um despreparado para o ministério. E seu preparo tem que passar pelo costume diuturno de ler, em primeiro lugar, a Palavra de Deus. Estudo recente, por entidade de pesquisa ministerial, dá conta de que 57% dos pastores nunca leram a Bíblia toda. E algo preocupante. Se não ler, como pode estimular os crentes a lerem a Palavra de Deus? E por causa dessa negligência na leitura bíblica que o ensino que parte de muitos púlpitos é fraco, superficial e inconsequente.
Para compensar, muitos pastores recorrem ao “espetáculo” de emocionalismos, gritos e até de “palhaços”, ou recorrem-se às danças, ao balé, em que o púlpito se torna um picadeiro, e a igreja um “circo” de profanação do bom nome da igreja de Cristo. Por isso, é tão importante a exortação a Timóteo para que se aplicasse à leitura, que pode ser tanto da Bíblia como de boas fontes de estudo bíblico, para que pudesse exortar e ensinar à igreja.

2) A valorização do dom do ministério

“Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos” (1 Tm 4.14,15).
Paulo queria que seu discípulo não negligenciasse seu ministério, qué lhe foi confiado por Deus, por meio do ministério, com o ato de caráter espiritual de imposição de mãos.
Deus valoriza os gestos e os atos, quando feitos por fé e não por mera formalidade ritualística. O “dom” concedido a Timóteo teve o respaldo da “profecia”, ou de revelação espiritual da parte de Deus. Esse “dom” certamente eram as habilidades que Timóteo recebera para exercer seu ministério. E deveria valorizar, ocupando-se na obra do Senhor com diligência e zelo. Deus não se agrada de quem faz “a obra do Senhor fraudulentamente” ou “relaxadamente” (Jr 48.10).

3) O cuidado de si mesmo e dos outros

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4.16). A preocupação com a vida pessoal envolve aspectos relevantes. O obreiro precisa ter cuidado com a sua integridade moral e espiritual: deve ser íntegro. Essa palavra quer dizer: inteiro, completo; perfeito, exato; reto, imparcial, inatacável (Dicionário Aurélio). Integro é o líder que faz o que diz e diz o que faz; é o que dá testemunho dentro e fora de casa; dentro e fora da igreja; na presença ou na ausência dos liderados (cf. Mt 5.37; Tg 2.12).
Nesse cuidado consigo mesmo, o obreiro precisa ter cuidado com sua saúde. O apóstolo João, escrevendo a seu amigo Gaio, desejou-lhe saúde (3 Jo 2). No que cabe a si, o líder deve obedecer aos princípios bíblicos e científicos no cuidado com a saúde: oração, boa alimentação, repouso, exercício, atitude mental correta, evitar o estresse, a tensão emocional. Pesquisas mostram que os pastores são submetidos a tensões fora do comum, e são acometidos de doenças cardiovasculares, nervosas ou psicossomáticas. O zelo por si mesmo, pela sua mente e pelo seu corpo contribui para que o obreiro tenha melhores condições emocionais e físicas no desenvolvimento de sua missão.
Além do cuidado consigo mesmo, Paulo exorta Timóteo a que tenha cuidado no trato com algumas pessoas que merecem atenção especial no seio da congregação. Com relação aos anciãos, ou idosos, da “terceira idade”, Paulo diz que não devem ser repreendidos asperamente quando falharem, mas admoestados “como a pais” (1 Tm
5.1); quanto aos jovens, é interessante sua recomendação: “aos jovens, como a irmãos” (1 Tm 5.1).
Paulo tinha grande sensibilidade para com as mulheres. Ele não desprezava sua cooperação à obra do Senhor no ministério eclesiástico. Aos Romanos, ele indicou o nome de várias mulheres que foram valiosas cooperadoras ao seu lado (Rm 16.1-15). Na carta a Timóteo, ele ensinou como tratar as mulheres na igreja: “Às mulheres idosas, como a mães, às moças, como a irmãs, em toda a pureza. Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas” (5.2,3). Note-se a preocupação em enfatizar o cuidado com as viúvas, mas ressaltando “as que verdadeiramente são viúvas”. Ao que parece, essa preocupação devia-se ao fato de haver algumas mulheres oportunistas, que queriam viver de modo leviano, às custas da igreja (Ler 1 Tm 5.3-13).

CONCLUSÃO

A apostasia dos últimos tempos revela-se de modo acentuado no meio evangélico. Pregadores e ensinadores de doutrinas esdrúxulas têm bastante espaço no ambiente de muitas igrejas. O remédio para evitar esse tipo de problema é o ensino sistemático e na unção de Deus para todos os obreiros e igreja em geral. Nosso referencial teológico e de fé é a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. O ministério pode ser bem-sucedido ou um fracasso. Será uma bênção se o seu líder, ao lado de auxiliares fiéis, e respaldo da igreja local, procurarem viver de acordo com a sã doutrina, que é o ensino fundamentado e consolidado, com base na Palavra de Deus. Que o Senhor guarde os ministros, os ministérios e as igrejas dos ataques do Maligno nesses últimos tempos, que antecedem a vinda de Jesus.

domingo, 26 de julho de 2015

Rol de berço



A construção começa pelo alicerce. Como nosso alvo é construir Cristo na vida das pessoas,começamos pelo alicerce, que são as crianças de 2 a 3 anos. Neste artigo, gostaríamos de ver suas características, e as maneiras como conseguiremos alcançá-las, usando a Palavra de Deus.
Isto talvez soe estranho aos ouvidos de alguns, porém a verdade é que a criança nesta idade pode captar muitas verdades acerca de Deus, por causa do instinto da busca de Deus que existe em todo ser humano. Damos muita importância a esta idade porque dela Deus pode receber muito louvor.

FISICAMENTE
Estão crescendo rapidamente. Seus músculos exigem ação, por isso são turbulentos. Cansam-se com facilidade e necessitam de longos períodos de descanso.
2 anos: a criança age impulsionada pelos músculos maiores mas cai quando tenta andar rapidamente. Quebra tudo que tenta alcançar porque os músculos menores não se desenvolveram e não há uma perfeita coordenação motora. Por isso, todos os brinquedos devem ser fortes, grandes eleves.
Gosta de enfileirar objetos: blocos, cadeiras, brinquedos, etc.
É hora de ensiná-la a usar o vasinho para suas necessidades físicas. Paciência e calma são essenciais nessa fase.
3 anos: os músculos menores estão mais desenvolvidos. Tem uma coordenação motor a mais equilibrada. Consegue equilibrar-se e controlar o próprio corpo. Por isso, com frequência, ela pula de um lugar mais alto; pendura-se na mesa, na maçaneta e até no seu braço. Não fique bravo por isso.Sob sua supervisão, deixe-a dependurar-se e balançar-se, pois isto faz parte de seu crescimento normal. Não seja um empecilho para o seu crescimento.
Use carinhos com gestos tais que ela possa participar livremente. Ex.: história da criação: Deus fez alua - as crianças fazem um círculo com as mãos. Deus fez as estrelas - mexer com os dedinhos. Deus fez tudo isso e colocou no céu - apontar o dedinho indicador para o céu. Deus fez o sol - fazer o círculo com as mãos; as árvores - erguer as duas mãos para cima; as flores - abaixar até o chão. Ospassarinhos voam no céu que Deus fez - usando as mãos, fazer de conta que estão voando.
Gosta de brincar com blocos, argolas de plástico, latinhas, etc., mas além de enfileirar já conseguente bem empilhar os brinquedos.
Tanto as crianças de dois anos como as de três adoecem com facilidade - o ambiente da sala deve seró mais sadio possível para evitar contágios.

MENTALMENTE
São curiosos e investigadores, por estarem começando a conhecer as maravilhas que Deus criou.
2 anos: sua atenção é limitada - um minuto a dois, no máximo; a mente cansa-se logo; fala pouco, mas entende quase tudo. Não tem a habilidade de fazer perguntas, nem observações engenhosas. Devemos nos lembrar de variar as atividades, contar histórias ou falar rapidamente sem entrar em detalhes, e não esperar que ela participe ativamente da aula, respondendo a todas as perguntas e nem perguntando. Ela entende mais do que fala.
Como ensinar uma criança nessa idade? A melhor maneira é usar a conversação dirigida, isto é, conduzir cuidadosamente a conversa e o pensamento da criança na direção de uma verdade bíblica ou do objetivo da lição. Ex.: quando ela conseguir virar a página de um livro, dizer que Deus fez suas mãos e é por isso que ela consegue mexer naquele livro. Quando uma criança aparecer com uma blusa bonita dizer: "Como Deus é bom de ter feito um pano tão macio e quentinho. Vamos agradecer a Deus por esta blusa." Durante um passeio pelo jardim da igreja, a criança pode querer tirar a blusa porque ficou com calor. Aproveitar, então, para dizer: "Você já imaginou se Deus não tivesse feito o sol? Morreríamos de frio."
3 anos: "O que é isso?" É a pergunta mais comum entre elas. Não tem noção dos dias da semana; gosta de repetições; fala mais palavras. Gosta de explorar o desconhecido - quebra a asa do avião para ver o que tem dentro. Arranca a perninha dos bichinhos para ver de que é feita. Para aproveitar essa curiosidade aguçada, prepare uma mesa com as coisas que Deus fez e vá sempre acrescentando mais objetos. Deixe a mesa sempre coberta com plástico para evitar estragos.
A criança fala através de frases, mas sua mente está, geralmente, adiante do que diz. Não a ajude nema apresse para encontrar palavras. Ouça pacientemente, custe o que custar. Por causa da infiltração da TV e sua maneira marcante de comunicar, as crianças dessa idade, hoje, falam muito mais que no passado. MESMO ASSIM NUNCA SE ESQUEÇA DE QUE ELA TEM APENAS TRÊS ANOS E É UMA CRIANÇA.

SOCIAL E EMOCIONALMENTE
São sensíveis. Gostam de falar de agradar e de serem agradadas. Precisam da atenção de todo omundo. Chamam a atenção de todos sendo ou muito boas ou rebeldes demais: gritam, choram,são egoístas ao extremo, etc. Conseguem perceber o humor do professor pelo timbre de voz, sorrisoe contato corporal.
2 anos: certos incidentes ficam gravados na memória da criança para sempre. Ela pode não quererir à escola dominical porque um amigo bateu nela na saída, ou porque teve uma impressão má da professora. Todas as vezes que sabe que terá de ir à igreja começa a chorar. Demora muito para se ambientar em uma nova situação. Ela se retrai e torna-se agressiva. Ex.: quando se separa da mãe, pela primeira vez, para ir à sua classe, chora porque pensa que vai perdê-La ou que ela vai embora. Leve-a até à classe da mãe e mostre-lhe que ela ainda está lá. Após várias tentativas, se não se acostumar com a ideia de separar-se da mãe, traga um guarda-chuva ou capa ou bolsa da mãe e deixe-a na sua classe. Assim a criança vai sentir que ela não foi embora. Nunca diga: "Você é um menino grande e ainda está chorando? Veja todas as crianças ao seu redor olhando. Você não tem vergonha?" Antes, abrace a criança que tem o nariz escorrendo e os olhos cheios de lágrimas, limpe-os com um lenço, mostre a ela um brinquedo, figura ou livro. Ela precisa de segurança. Ela se sente mais segura e ajustada na escola dominical quando é saudada todos os domingos pela mesma professora. .
Não consegue ainda brincar com o grupo. Ela brinca sozinha no meio do grupo. Nunca espere quetodos brinquem com ela. Ela não sabe brincar em conjunto.
3 anos: gosta de estar entre outras pessoas. Não tem muito problema para ficar longe da mãe, seconseguir se ajustar ao meio ambiente. Também gosta de brincar sozinha no meio de todos, mas já consegue brincar com os outros. É egoísta - pode derrubar os blocos empilhados por outro menino, para aumentar sua própria construção. Pode pegar as bolachas e colocar a maioria na boca, só para não dar para os outros. Por outro lado, gosta de ajudar os outros e sente alegria em fazê-Lo. Ex.: dá sua boneca para a menina que está chorando e diz palavras de consolo.
Não gosta de ser mandada, mas fará muitas coisas você as sugerir de maneira clara e diretiva. Ex.:"olhem o relógio; está na hora de guardar as bonecas na cama, os blocos dentro das caixas. Tique-taque, tique-taque, vamos todos trabalhar. Tique-taque, tique-taque, um pouco mais, um pouco mais e descansar. Tique-taque, tique-taque, um pouco ali, um pouco aqui, e terminar. Obrigada, obrigada, e até outro dia começar. "


ESPIRITUALMENTE
Por causa do instinto de busca que existe no ser humano ela deseja e tem sede de conhecer o Deus vivo e atuante. Ela aprende a conhecer a Deus através das palavras e ações das pessoas que a cercam.
2 anos: tem capacidade para entender e experimentar o amor de Deus. Ex.: dizer: "Deus me ama e quer que eu O ame também. Deus fica contente quando eu ajudo outras pessoas. Deus toma conta de mim. Deus fez todas as coisas. Ele me ouve e entende quando eu canto e oro."
A criança aprende essas verdades ouvindo, vendo e experimentando. Leva tempo para ela ganhar noção de uma verdade, mas um pouco aqui, um pouco ali, e ela consegue aprender. (Is28:10,13.) Gosta de orar e dizer palavras simples para Deus; aprende a agradecer a Deus quando as pessoas a seu redor assim o fazem, dando graças a Deus por todas as coisas. (Ef5:20.) Ex.: "Vamos agradecer a Deus porque João está só resfriado e não precisou ir para o hospital, e porque no próximo domingo ele já estará aqui para aprender das coisas de Deus." A prova de que ela aprende é que, durante a semana, ela tenta cantarolar os corinhos aprendidos. Desafina e inventa palavras, mas canta com alegria.
A Bíblia se tornará um livro especial se a professora e os pais assim lhe ensinarem, falando-lhe  sobre a Bíblia ou deixando que ela a carregue com cuidado e respeito. Ex.: dizer: "Eu vou segurar seu dedinho e colocá-lo sobre a Bíblia no lugar que diz: 'Deus me fez' - Jó 33:4." Assim ela vai aprendendo as coisas de Deus.
3 anos: seu interesse por Deus continua crescendo. Gosta de ouvir contar que Deus criou tudo: flores, frutos, sol, chuva, noite e dia, e os animais. Nessa época, comece a ensinar que Deus criou o corpo. Ex.: "Deus não foi bom de nos dar mãos fortes para podermos colocar os blocos dentro da caixa? Deusnos deu ouvidos e por isso podemos ouvir esta bonita música que fala de Jesus, não é?" Mesmo olhar pela janela num domingo chuvoso pode dar ocasião para uma conversa: "Deus é bom de dar esta chuva tão boa que ajuda as plantas a crescerem. Vamos agradecer a Deus por esta chuva."
Não entende ainda as coisas abstratas; por isso deve-se tomar muito cuidado durante a conversa.Na hora de apresentar Cristo como Salvador, é perigoso dizer: "Você tem que aceitar Cristo como Salvador" ou "Cristo morreu como substituto para seus pecados." Ou então: "Cristo está agora no seu coração". Pode-se e deve-se falar estas coisas sobre Jesus, mas deve-se explicá-las sem simbolismo.
Procure sempre certificar-se, após a decisão, se ela entendeu a mensagem ou não. Se ela não entendeu, pode explicar novamente, mas não force sua compreensão. Um dia, não demora, ela vai entender tudo motivada pelo próprio Espírito de Deus, pois, como Jesus mesmo disse em Mateus 18:14: "Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos."

Cuidemos, pois, da criança de hoje, e estaremos garantindo o desenvolvimento do homem de amanhã.