segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O PADRÃO DA LEI MORAL - Lição 2

,



                                       Texto Base: Dt 9:9-11; 10:1-5

“Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra” (Dt 4:13).


INTRODUÇÃO

A Lei Moral de Deus - expressão do Seu caráter, da Sua vontade, da Sua mente, expressão de toda Sua justiça - é a personificação dos dois grandes Mandamentos: amor para com o Deus Todo Poderoso e amor para com nossos semelhantes (Mt 7:12; 22:36-40; Rm 13:8-10). Esses dois Mandamentos citados por Jesus Cristo são o resumo dos Dez Mandamentos, que, por sua vez, são detalhados em todos os juízos e estatutos morais contidos na Bíblia inteira (Gn 26:5; Êx 15:26; Dt 4:1,2,6).

A Lei Moral foi proclamada por Deus no Monte Sinai (Êx 20:1-17) e escrita por Sua própria mão em duas tábuas de pedra (Êx 31:18; Êx 24:12; Dt 4:12,13; 5:4-7, 22). É a mesma lei dada no princípio a Adão e Eva, e aos patriarcas (Os 6:7; Gn 4:7; Gn 26:5). Ela é a base do Concerto de Deus com Seu povo, no Sinai (Êx 24:4,7,8; Hb 9:19,20).

Deus requereu de Israel e requer, também, de nós – Igreja do Senhor Jesus - duas atitudes em relação às Suas ordenanças: que possamos ouvir e obedecer (Dt 11:26,27). Desse modo, tornamo-nos Sua propriedade peculiar, Seu reino sacerdotal e Seu povo santo (Êx 19:5,6).

I. AS TÁBUAS DA LEI

Deus fez escrever os Dez Manda­mentos em duas tábuas de pedra – “Então disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim ao monte, e fica lá; dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que escrevi, para os ensinares" (Êx 24:12). As tábuas foram guardadas dentro da arca durante séculos. Deu-se ao Tabernáculo o nome de "tenda do testemunho" (Nm 9:15; Nm 17:7,8;18:2; 2Cr 24:6) para lembrar aos israelitas que dentro da arca estava a Lei e que deviam viver de acordo com ela. Além de Êxodo 24:12, encontramos referências às duas tábuas em Êx 31:18 e Deuteronômio 10:1-5.

1. Formato.


“Era um jogo de duas tábuas com quatro faces. Não é possível saber qual era seu tamanho. A arca do concerto media um metro e dez centímetros de comprimento por 66 cm de largura e 66 cm de altura (Êx 25.10, NTLH). Cada uma dessas tábuas não devia passar de 75 cm x 55 cm x 55 cm, considerando que elas foram colocadas na arca juntamente com a vara de Arão, que floresceu, e um vaso com o maná (Hb 9.4). Um homem podia transportá-las tranquilamente” (LBM. CPAD).

2. A divisão das tábuas. Segundo Leo G. Cox, a divisão do Decálogo é entendida de modos variados. O judaísmo hodierno reputa que Êxodo 20:2 ordena a crença em Deus e é o primeiro mandamento, e combina os versículos 3 a 6 de Êxodo 20 no segundo mandamento. A divisão aceita nos primórdios da igreja torna Êxodo 20:3 o primeiro mandamento e Êxodo 20:4-6 o segundo. Esta posição foi apoiada por unanimidade pela igreja primitiva, e é mantida hoje pela Igreja Ortodoxa Oriental e pela maioria das igrejas reformadas.

As Igrejas Ortodoxas e Reformadas
A Igreja Católica Romana e as Igrejas Luteranas
1. Não terás outros deuses diante de mim (Ex 20:3).
1. Não terás outros deuses e não farás imagens.
2. Não farás imagens de escultura (Ex 20:4-6).
2. Não tomarás o nome de Deus em vão.
3. Não tomarás o nome de Deus em vão (Ex 20:7).
3. Lembra-te do dia de sábado.
4. Lembra-te do dia de sábado, para o santificar (Ex 20:8-11).
4. Honra teus pais.
5. Honra teus pais (Ex 20:12).
5. Não matarás.
6. Não matarás (Ex 20:13).
6. Não adulterarás.
7. Não adulterarás (Ex 20:14).
7. Não furtarás.
8. Não furtarás (Ex 20:15).
8. Não dirás falso testemunho.
9. Não dirás falso testemunho (Ex 20:16).
9. Não cobiçarás a casa de teu próximo.
10. Não cobiçarás a casa de teu próximo, nem sua mulher ou servo, ou animal (Ex 20:17).
10. nem sua mulher ou servo, ou animal.

Seguindo o modelo proposto por Calvino, baseado em Agostinho e Orígenes, percebemos que os primeiros quatro mandamentos, correspondente a “primeira tábua”, tratam da relação vertical, ou seja, das responsabilidades do homem para com seu Criador, enquanto a "segunda tábua", ou os seis mandamentos restantes, trata da relação horizontal, isto é, das responsabilidades do homem para com seu próximo.

Reencontramos esta dupla relação no ensino de Jesus Cristo, quando o Mestre respondeu a respeito do grande mandamento: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas"(Mt 22:37-40).

3. A rebelião (Ex 32:15-29). Estudando as Escrituras, não encontramos nenhum outro tipo de transgressão
que seja tratada com tanta severidade por Deus como a da rebelião. Vemos pessoas ficando gravemente enfermas (Nm 12:10), reis perdendo o seu trono (1Sm 13:13,14) e gente sendo morta por um juízo de Deus, simplesmente pelo fato de que se levantaram contra Sua autoridade (Nm 16:1-33). Rebelião contra Deus é como pecado de feitiçaria. Está escrito em 1Samuel 15:23: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria...”. E está escrito que nenhum feiticeiro entrará no reino do Céu (Gl 5:20,21). 

Israel se rebelou contra Deus, ainda no Sinai, com o culto do bezerro de ouro. Enquanto Moisés se encontrava no monte Sinai recebendo das mãos do Senhor as tábuas da Lei, o povo começou a impacientar-se. Acostumados ao politeísmo egípcio e não possuindo ainda uma fé enraizada no Senhor, exigiram que Arão fizesse “... deuses que vão adiante de nós”.

Buscando ganhar tempo e contentar Israel, Arão deixa de ser homem de Deus e se faz homem do povo. Dos pendentes e objetos de ouro que possuíam os hebreus, forma ele um bezerro de fundição. Da idolatria, a congregação israelita passa rapidamente à apostasia: “Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito” (Ex 32:4).

Um abismo chama outro abismo: a idolatria trouxe a apostasia, e a apostasia descambou na permissividade: “e o povo assentou-se a comer e a beber; depois, levantaram-se a folgar” (Ex 32:6).

Segundo Paul Hoff, a rebelião vergonhosa de Israel acarretou-lhe castigo, apesar da intercessão de Moisés e da misericórdia de Deus. Os israelitas tinham de aprender que não é coisa insignificante menosprezar a revelação de um Deus santo e violar sua aliança com leviandade. Primeiro tiveram de ver como as tábuas da lei foram quebradas, ato que simbolizou que a idolatria deles havia anulado o Concerto. Segundo, foram obrigados a beber a água misturada com o pó do bezerro de ouro, como símbolo de que tinham de suportar a culpa de seu pecado. Depois, Moisés convidou todos os que quisessem unir-se a ele. Os levitas puseram-se ao lado de Moisés e lhe obedeceram matando a espada três mil dos que provavelmente eram os mais obstinados dos idólatras. Os levitas, por obedecerem à palavra do Senhor (Êx 32:27,28), foram constituídos na tribo sacerdotal de Israel (Êx 32:29).

O castigo que os israelitas sofreram foi severo, mas necessário para evitar que viessem a ser uma nação de idólatras.

Por que o Senhor foi, é e será tão severo com os rebeldes? 

Ø  Porque a rebelião questiona o senhorio de Deus. Deus não tolera a rebelião porque ela questiona a base que sustenta o Universo, ou seja, o seu Senhorio. Se existe algo que Deus não pode abrir mão é do governo sobre todas as coisas. Ao criar o homem e colocá-lo no Jardim do Éden com todo o respaldo para viver feliz e desfrutar da Terra, o Senhor Deus deixou claro que a única condição para que tudo permanecesse bem, era que Adão e seus descendentes se sujeitassem a Ele. A figura da “árvore do conhecimento do bem e do mal” colocada no meio do jardim com seu fruto proibido era um ícone da autoridade divina, um aviso que o homem deveria entender assim: “Você pode dominar sobre tudo, mas quem manda em você sou Eu, o Senhor”. Ao comer daquele fruto, Adão e Eva estavam se insurgindo, proclamando sua independência e, como resultado, receberam toda a maldição do pecado, não somente sobre si, mas sobre toda a raça humana que os seguiu.

Ø  Porque a rebelião nos assemelha a Lúcifer, o querubim corrompido. Foi exatamente uma insurreição contra a soberania do Senhor Deus, que fez com que Lúcifer e um terço dos anjos fossem expulsos do céu e se tornassem este reino asqueroso de demônios que atormenta a Terra. Quando nos rebelamos, nós que fomos feitos para manifestar a glória e o caráter de Cristo, assumimos uma identificação completamente oposta, assemelhando-nos àquele que se tornou o maior inimigo de Deus, o Diabo.

Ø  Porque a rebelião contamina. A rebelião tem um terrível e devastador poder de contaminação. Rebeldes costumam levantar insurreições, são como o estopim de uma grande bomba. Ao lado de um rebelde logo se levantarão muitos outros. Por isso, não podem ser deixados à revelia, agindo no meio da sociedade como células cancerosas que se multiplicam em sua loucura.

4. Deus renova o Concerto. Moisés intercede pelo povo. Ele pediu que o Senhor perdoasse completamente o pecado do povo e o restaurasse espiri­tualmente. Estava disposto a oferecer-se a si mesmo em lugar de seu povo, e não somente daria a sua vida, mas também estava disposto a renunciar à vida eterna a fim de obtê-la para Israel.

A intercessão de Moisés foi grandemente recompensada. O intercessor voltou a subir ao Monte Sinai e aí o Concerto foi renovado e foram escritas novas tábuas da lei. Deus concedeu a Moisés uma nova revelação do caráter divino proclamando seu nome: "Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência... que perdoa... que ao culpado não tem por inocente" (Êx 34:6,7).

Conquanto Deus seja justo quando castiga os malfeitores, sua maior glória é seu amor perdoador. Sua justiça e misericórdia andam sempre juntas como se vê no caso da cruz do Calvário. Na ocasião aqui descrita, Deus manifestou sua misericórdia perdoando a seu povo.

Quando Moisés desceu do monte, seu rosto resplandecia com a glória de Deus. Isto nos ensina duas verdades: a formosura de caráter e a força espiritual vêm da comunhão íntima com Deus; a pessoa na qual se vê o brilho de Deus não percebe que está refletindo a glória divina, e quando o sabe, deixa de ser radiante.

II. OS DEZ MANDAMENTOS

Os "Dez Mandamentos" revelam, na aliança de Deus com Israel, o próprio caráter de Deus e, como tal, são uma demonstração do comportamento que Deus requer de todo ser humano em relação a Deus e ao semelhante, cuja profundidade e alcance foram bem demonstrados por Jesus no sermão do monte.

Concordo com Solano Portela quando diz - em seu livro “A Lei de Deus Hoje” - que os Dez Mandamentos tem validação histórica, didática, reveladora e normativa. Histórica porque está entrelaçada na história da revelação de Deus e da redenção do Seu povo. Didática porque ela nos ensina o respeito ao nosso Criador e aos nossos semelhantes. Reveladora porque nos revela o caráter e a santidade de Deus, bem como a pecaminosidade das pessoas. Normativa porque ela especifica com bastante clareza o procedimento requerido por Deus a cada uma das pessoas que habitam a sua criação, em todos os tempos.

1. Origem do Termo. A expressão "Dez Mandamentos”, também conhecida como “Decálogo”, vem de dois termos gregos: “deka”(dez), e “logos “(palavra), ou seja, “dez palavras”. “Esses Mandamentos, dados por Deus a Moisés, no monte Sinai, tornaram-se a base da legislação levítica. Uma das mais duradouras legislações de todos os tempos. O Decálogo é mais que um código de leis. Antes, é a base do pacto teocrático (governo de Deus) que separou o povo de Israel como um veículo do favor divino, como um elemento através do qual a mensagem espiritual haveria de ser transmitida. Os inúmeros preceitos que aparecem em seguida, governando cada aspecto da vida diária, ensinam-nos que Deus está atento a todos os aspectos da nossa vida. Esse elaborado sistema tinha o intuito de governar a vida física dos israelitas, mas também tinha funções educativas. O próprio Decálogo estabelece alguns princípios perfeitamente éticos, cuja aplicação pode ser vasta e abrangente” (CHAMPLIN, 2004, pp. 25,125).

O termo “dez mandamentos” ou “dez palavras”, só aparece três vezes na Bíblia: Êxodo 34:28 e Deuteronômio 4:13; 10:4:

- "E ali esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão nem bebeu água; c escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras" (Êx 34:28);

- "Então vos anunciou ele a sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra" (Dt 4:13);

- "Então escreveu o Senhor nas tábuas, segundo a primeira escritura, os dez mandamentos que ele vos falara no dia da congregação, no monte, no meio do fogo" (Dt 10:4).

2. Classificação. “As autoridades religiosas de Israel sempre classificaram os Dez Mandamentos em dois grupos: teológico e ético; vertical e horizontal; relação do ser humano com Deus e com o próximo. Os primeiros mandamentos são teológicos e se resumem no primeiro e grande mandamento (Dt 6.5; Mt 22.37,38; Mc 12.30; Lc 10.27). Os da segunda tábua são éticos, e consistem em amar o próximo como a si mesmo (Lv 19.18; Mt 22.39; Mc 12.31)” (LBM.CPAD).

Assim, partindo da observação dos aspectos vertical e horizontal do Decálogo, traçamos o seguinte esboço:

1. O testemunho da singularidade e exclusividade de Deus (Êx 20:3).

2. O testemunho da incomparabilidade de Deus (Êx 20:4-6).

3. O testemunho da santidade de Deus (Êx 20:7).

4. O testemunho do senhorio de Deus sobre o tempo (Êx 20:8-11).

5. A proteção da velhice (Êx 20:12).

6. A proteção da vida (Êx 20:13).

7. A proteção do matrimonio e do corpo (Êx 20:14).

8. A proteção da propriedade e do trabalho (Êx 20:15).

9. A proteção da honra (Êx 20:16).

10. A proteção contra as ambições erradas e a cobiça (Êx 20:17).

3. O significado dos dez mandamentos. Paul Hoff, em seu Livro “O Pentateuco”, explica o significado dos Dez Mandamentos, conforme abaixo:

a) A unicidade de Deus - "Não terás outros deuses diante de mim”. Há um só Deus e só a ele havemos de oferecer culto. A adoração a anjos, a santos ou qualquer outra coisa é violação do primeiro mandamento.

b) A espiritualidade de Deus - "Não farás para ti imagem de escultura... nem te encurvarás a elas" (Ex 20:4,5). Proíbe-se não somente a adoração de imagens ou de deuses falsos, mas também prestar culto ao verdadeiro Deus em forma errada. Tais coisas degradam ao Criador. Deus é espírito e não tem forma.

As palavras "porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem" (Êx 20:5) devem ser interpretadas à luz do caráter de Deus e de outras Escrituras. Deus é zeloso no sentido de Ser exclusivista, não tolerando que seu povo preste culto a outros deuses. Como um marido que ama a sua esposa não permite que ela reparta seu amor com outros homens, Deus não tolera nenhum rival.

Deus não castiga os filhos pelos pecados de seus pais senão nos casos em que os filhos continuem nos pecados dos pais. Castiga os que o "aborrecem", mas não os arrependidos. "A alma que pecar, essa morrerá"; "o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho" (Ez 18:20). Em vez disso, a maldade passa de geração a geração pela influência dos pais e, quando chega a seu ponto culminante, Deus traz castigo sobre os pecadores (Gn 15:16; 2Reis 17:6-23; Mt 23:32-36).

c) A santidade de Deus - "Não tomaras o nome do Senhor teu Deus em vão”. Este mandamento inclui qualquer uso do nome de Deus de maneira leviana, blasfema ou insincera. Deve-se reverenciar o nome divino porque revela o caráter de Deus.

Originalmente este mandamento se referia a não jurar pelo nome de Deus se o juramento fosse falso (Lv 19:12), mas se permitia jurar pelo seu nome (Dt 10:20). Contudo, Jesus proibiu terminantemente jurar pelas coisas sagradas (Mt 5:34-37). A simples palavra de um filho de Deus deve ser verdadeira, sem recorrer a juramentos.

d) A soberania de Deus - "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar". Um dia da semana pertence a Deus. Reconhece-se a soberania de Deus guardando o dia de repouso, visto que esse dia nos lembra que Deus é o Criador a quem devemos culto e serviço. "Santificar" o dia significa separá-lo para culto e serviço.

e) Respeito aos representantes de Deus - "Honra a teu pai e a tua mãe". O homem que não honra a seus pais tampouco honrará a Deus, pois esta é a base do respeito a toda a autoridade.

f) A vida humana é sagrada - "Não matarás". Este mandamento proíbe o homicídio, mas não a pena capital, visto que a própria lei estipulava a pena de morte. Também se permitia a guerra, visto como o soldado atua como agente do estado.

g) A família é sagrada - "Não adulterarás". Este mandamento protege o matrimônio por ser uma instituição sagrada instituída por Deus. Isto vigora tanto para o homem como para a mulher (Lv 20:10).

h) Respeito à propriedade alheia: "Não furtarás". Há muitas maneiras de violar este mandamento, tais como não pagar suficiente­mente ao empregado, não fazer o trabalho correspondente ao salário combinado, cobrar demasiado e descuidar a propriedade do senhor.

i) A justiça: "Não dirás falso testemunho". O testemunho falso, desnecessário, sem valor ou sem fundamento constitui uma das formas mais seguras de arruinar a reputação de uma pessoa e impedi­da de receber tratamento justo por parte dos outros.

j) O controle dos desejos: "Não cobiçarás". A cobiça é o ponto de partida de muitos dos pecados contra Deus e contra os homens.

III. A QUESTÃO DOS PRECEITOS DA LEI

1. Uma só lei. “Quanto à lei, algo precisa ser dito sobre a alegada divisão em lei moral, lei cerimonial e lei civil. Desde muito tempo qualifica-se o Decálogo como lei moral, enquanto a parte da legislação mosaica que trata das cerimónias de sacrifícios e festas religiosas, entre outras, é chamada de lei cerimonial, e os preceitos de caráter jurídico são considerados lei civil. A visão tripartite da lei em preceitos morais, cerimoniais e civis não vem das Escrituras. Os judeus jamais dividiram sua lei em moral e cerimonial. Ao longo da história, eles observaram o sábado e a circuncisão com o mesmo cuidado. Jesus disse que a circuncisão está acima do sábado (João 7:22,23)” (Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. p. 25. CPAD).

Segundo o pr. Esequias Soares, o Decálogo é a única parte do Pentateuco escrita "pelo dedo de Deus" (Êx 31:18), linguagem figurada que, segundo Agostinho de Hipona, indica "pelo Espirito de Deus" e, de acordo com Clemente de Alexandria, "pelo poder de Deus". É também a única porção da lei que Israel ouviu partir da voz do próprio Deus no monte quando ele transmitia essas “dez palavras” (Êx 19:24,25; 20:18-20). Os demais preceitos foram transmitidos por Javé exclusivamente a Moisés. Além dessas características, elas servem como esboço de toda a lei de Moisés. Todavia, isso não coloca o seu conteúdo numa posição acima da legislação mosaica porque toda a lei veio de Deus e "toda a Escritura é inspirada por Deus" (2Tm 3:16 - ARA).

2. A Lei do Senhor e a lei de Moisés. Embora muitas vezes a Lei do Senhor dada através de Moisés seja chamada de Lei de Moisés (Js 8:31; 1Rs 2:3; Ed 7:6; Lc 2:22;24:44; 1Co 9:9), o registro do capítulo 20 do livro do Êxodo nos mostra que Deus é a origem da Lei (Êx 20:1).

“Durante todas as negociações entre israelitas e egípcios, quando os primeiros eram escravos dos últimos, o papel de Moisés era, antes de mais nada, o de mediador. Deus não falou com Faraó, mas mandou Moisés lhe falar. Ele continuou nesse papel durante a Páscoa – ‘Falai a toda a congregação de Israel’ (Êx 12.3) e no êxodo – ‘Fala aos filhos de Israel’ (Êx 14.2). No Sinai, sua função continuava sendo a de transmitir a palavra de Deus ao povo  - ‘Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel’ (Êx 19.6). Por outro lado, na revelação do Decálogo esse aspecto foi omitido. Moisés ouviu juntamente com o povo, ao qual Deus falou de modo direto (Êx 20.1). Essa é uma forma de a Bíblia nos dizer que, quando lemos o Decálogo, estamos frente a frente com a excelência da vontade de Deus para seus seguidores, no que diz respeito a estilo de vida e compromisso moral. Observe a sequência aos Dez Mandamentos: ‘eu falei convosco desde os céus’ (Êx 20.22), não do Sinai” (HAMILTON, 2007, p. 215).

3. A lei de Deus. Todo o Pentateuco é considerado a Lei de Deus e não meramente os Dez Mandamentos (ler Josué 24:26). O que de fato existem são preceitos morais, cerimoniais e civis, mas a Lei é uma só. “É chamada de Lei de Deus porque veio de Deus, e lei de Moisés porque foi ele o mediador entre Deus e Israel (Ne 10:29). Ambos os termos aparecem alternadamente na Bíblia (Ne 8:1,2,8,18; Lc 2:22,23). A cerimonia dos holocaustos, a circuncisão e o preceito sobre o cuidado dos bois são igualmente reconhecidos como lei de Moisés (2Cr 23:18; 30:16; At 15:5; 1Co 9:9)” (LBM – CPAD).

IV. A LEI DA GRAÇA

1. A transitoriedade da Lei. Em João 15:10, lemos que Jesus cumpriu lodos os mandamentos de Seu Pai. Em Mateus 5:17,18, também lemos que Jesus cumpriu toda a lei, os preceitos morais, cerimoniais e civis. Todavia, na opinião dos fariseus expressa em João 5:18, Jesus teria quebrado a lei da santificação do sábado. O incidente aqui relacionado não se refere à validade da lei mosaica em si, mas à sua interpretação.

Enquanto os fariseus, com sua filosofia casuísta e astúcia precisa, queriam defender e cumprir rigorosamente os preceitos a respeito do sábado, Jesus apoiou os discípulos que debulharam grãos (Mt 12:1-8) e operou várias curas no sábado (Mt 12:9-14; Lc 13:10-17; 14:1-6). Além disso, Jesus declarou que é Senhor do sábado (Mt 12:8) e que o sábado foi estabelecido por causa dos homens, e não vice-versa (Mc 2:27).

Jesus rejeitou a interpretação legalista ou puramente moralista da lei mosaica (Gl 1:14). Isto se torna ainda mais evidente diante da mulher descoberta em flagrante adultério. A lei mandava que ela fosse apedrejada até a morte (Lv 20:10; Dt 22:22-24); Jesus, porém, com Sua graça perdoadora e restauradora, redimiu a mulher e convidou-a a não mais pecar (João 8:11).

O apóstolo Paulo é muito claro quando fala que “o ministério da morte, gravado com letras em pedras [...] era transitório” (2Co 3:7,11). A verdade moral contida no sistema mosaico, como disse o teólogo Chafer, “foi restaurada sob a graça, adaptada à graça e não à lei”. Isso diz respeito a sua função e não compromete a sua autoridade como revelação de Deus e parte das Escrituras divinamente inspiradas (2Tm 3:16,17). Várias vezes Jesus declarou que a lei mosaica é a Palavra de Deus (Mc 7:13; João 5:38) ou a lei de Deus (Mt 15:6). Repetidas vezes encontramos a frase "está escrito", indicação da validade da lei (Mt 4:4;11:10,etc), e a pergunta retórica "não lestes?"(Mt 12:3a).

Jesus Cristo não exige de Seus discípulos a execução exterior da lei, mas sim que eles permaneçam em Cristo (João 15:4,5). O Espírito Santo é quem esclarece e mostra o significado e as implicações práticas disso, de acordo com tudo aquilo que Cristo ensinou (João 14:26;15:26;16:13). Em Romanos 8:4, o apóstolo Paulo enfatiza, com bastante clareza e exatidão, que a lei cumpre-se em nós quando andamos no Espírito.

“O Espírito Santo operando dentro do crente, capacita-o a viver uma vida de retidão que é considerada o cumprimento da lei moral de Deus. Sendo assim, a operação da graça e a guarda da lei moral de Deus não conflitam entre si (cf. Rm 2:13; 3:31; 6:15; 7:12,14). Ambas revelam a presença da justiça e da santidade divinas” (Bíblia de Estudo Pentecostal).

2. A Graça. Segundo Paulo, nós estamos debaixo de uma nova aliança caracterizada pela graça (Rm 8:6-17). A Graça é a presença e o amor de Deus em Cristo Jesus, transmitidos aos crentes pelo Espírito Santo, e que lhes outorga misericórdia, perdão, querer e poder para fazer a vontade de Deus (1Co 15:10 Fp 2:13). Toda atividade da vida cristã, desde o seu início até o fim, depende desta graça divina. Deus concede graça ao crente para seja “liberto do pecado” (Rm 6:20,22), para que nele opere “tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2:13), para crescer em Cristo (2Pe 3:18) e para testemunhar de Cristo (At 4:33; 11:23).

A lei diz “faça e viva”, no entanto, a graça diz “viva e faça”. Por esta razão os cristãos estão debaixo da graça, e não da lei (Rm 6:14; Gl 3:23-25). A lei não tem domínio sobre nós (Rm 7:1-4). Graças a Deus!

3. Os Mandamentos de Cristo. Jesus falou diversas vezes sobre o Novo Mandamento, a Lei de Cristo, o amor operado pelo Espírito Santo na vida cristã:

- “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis” (João 13:34).

- “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (João 14:15,21).

- “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor” (João 15:10).

Está escrito em Rm 13:8-10:

8. A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.

9. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

10. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.

O apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas:

“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (G 5:14).

Portanto, o mandamento de Cristo é a fé nEle, é a lei do amor e não a letra da lei. Quem ama a Cristo tem a Lei do Espírito em seu coração.

CONCLUSÃO

A Lei de Deus é, antes de tudo, um instrumento de diagnóstico para expor e condenar o pecado, em preparação para o evangelho. Entretanto, para a pessoa perdoada e capacitada peio Espírito através da fé, a lei é também um guia moral, uma norma de comportamento cristão. A ética cristã está baseada nos Dez Mandamentos, mas é determinada e decidida pelo amor (Rm 13:8), guiada e direcionada pelo Espírito Santo (Rm 8:4) e cumprida cm Cristo (Mt 5:15-18).

FOTE: http://euvoupraebd.blogspot.com


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Lição 1 – Deus dá a sua Lei ao Povo de Israel





O estudo abaixo serve pra lição 1 e 2 deste trimestre.

O Decálogo é o exemplo mais conhecido da forma categórica ou absoluta que se caracteriza pelo comando absoluto, geralmente pelo uso da segunda pessoa do singular no futuro ou no imperativo, e algumas vezes no plural. Isso aparece nos mandamentos negativos ou positivos. O mandamento com o verbo no particípio hebraico também é considerado categórico ou absoluto por muitos, como em: "Quem derramar o sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado" (Gn 9.6); ou: "Quem ferir alguém, que morra, ele também certamente morrerá" (Êx 21.12). As expressões "quem derramar" e "quem ferir" estão no particípio, na língua original. Mas há quem afirme que a referida forma é casuística.

ALEI DE MOISÉS

A lei de Moisés não é a mais antiga da história, porém é a mais importante, pois se distingue das demais na antiguidade por seu caráter espiritual e sua autoridade divina. Sobretudo, por ter chegado aos israelitas por revelação celestial. Mas sua grandeza vai além de tudo isso, pois nela Deus esboça o plano da redenção humana em Cristo. É o limiar da história do plano da salvação de toda a humanidade. A obra se inicia com a origem dos céus e da terra e vai até a morte do grande legislador dos hebreus.
A lei ocupa a primeira parte do Antigo Testamento por ser a parte mais antiga das Escrituras Sagradas e devido a seu caráter peculiar como fundamento de toda a literatura bíblica. Todos os livros históricos, proféticos e poéticos do Antigo Testamento apontam retrospectivamente para a lei de Moisés "como tipo de fonte principal [que] assume a existência não meramente da lei em si, senão de um livro da lei, com o caráter e forma precisos dos cinco livros de Moisés" (KEIL & DELITZSCH, 2008). Aqui,história é também lei e profecia, com implicações teológicas e significados espirituais profundos.
Deus manda Moisés ficar no monte para ali lhe dar as "tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para os ensinares" (Êx 24.12). Uns acreditam que os termos "lei" e "mandamentos" sejam sinônimos que indicam o conteúdo das tábuas de pedra. Uma tradição rabínica interpreta que se trata do Decálogo e de leis adicionais. Mas só os Dez Mandamentos foram escritos em duas tábuas de pedra pelo próprio Deus (Dt 4.13; 5.22; 10.2-4). As outras partes da lei foram ditadas por Deus e escritas por Moisés (Êx 17.14; 24.4; 34.27; Dt 27.3, 8; 31.9). Aqui temos os primeiros escritos da lei que envolvem os Dez Mandamentos e a instrução sobre a construção do tabernáculo (Êx 31.18), bem como sua execução até o final do livro, incluindo a interrupção dos capítulos 32-34, que relata o culto do bezerro e a restauração do povo. Mas, a revelação prossegue até o livro de Levítico (Lv 27.34).
A lei é identificada na Bíblia Hebraica como sêpher ha-torãh,' "o livro da lei" (Dt 31.16; Js 1.8); ou simplesmente ha-tôrãh,2 "a lei" (Ne 8.2, 7,13). A palavra "Torá" significa basicamente, "instrução, ensino, lei" e aparece no Antigo Testamento com o sentido mais amplo de coleção ou sumário de instrução, código de lei (Êx 24.12; Dt 1.5) ou regra particular (Êx 16.4). O termo se aplica também a norma ou instrução meramente humana (2 Sm 7.19) e ainda como instrução dada por humanos para a educação na literatura sapiencial (Pv 1.8; 3.1; 6.20). Esse vocábulo é usado no plural: "Estes são os estatutos, e os juízos, e as leis que deu o SENHOR entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, pela mão de Moisés" (Lv 26.46). O plural, tôroth, "leis", aparece aqui em relação à lei de Moisés. A lei é uma só; não existe mais que uma lei. O plural aqui diz respeito às várias prescrições rituais: Esta é a lei do holocausto (Lv 6.9 [2]);3 "E esta é a lei da oferta de manjares" (Lv 6.14, [7]); "Esta é a lei da expiação do pecado" (Lv 6.25 [18]); "E esta é a lei da expiação da culpa" (Lv 7.1). Veja ainda Lv 7.11; 11.46; 12.7; 13.59; 14.57; 15. 32; 18.4.
O termo torah vem do verbo (ÍTT - yrh) ou hôrãh,4 na sua forma flexionada, que indica "instruir, demonstrar, ensinar" (Êx
24.12). Trata-se, portanto, da instrução de Javé para o seu povo Israel, do guia para o bem-estar de toda nação. Ainda hoje a Torá está adaptada para ensinar a Igreja e os povos. Ela é chamada de "lei do SENHOR" ou de Javé (2 Cr 17.9; 34.14; Ne 9.3) e também de "lei de Moisés" (Js 8.31; 2 Rs 14.6; Ne 8.1), pois foi o grande legislador dos hebreus quem promulgou a lei como mediador entre Deus e o povo.
Segundo Keil & Delitzsch, a divisão da lei em cinco partes, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, não foi obra de algum editor realizada posteriormente, mas está fundamentada no plano completo do Pentateuco que deve ser considerado original. O waw conjuntivo, ou seja, a conjunção "e" em we’êleh shemôth,5 "e estes são os nomes" (Êx 1.1), e em wayyiqrã’,6 "e chamou" (Lv 1.1), une esses livros um ao outro, formando uma unidade literária. Os três primeiros livros mantêm a seqüência histórica linear. A revelação do Sinai termina em Levítico 27.34. Os relatos do livro de Gênesis são de natureza teológica e profética, e sua história é considerada "Torá", instrução.
A estrutura essencialmente legal se concentra entre Êxodo 20 e Levítico 27, que Moisés sumariou da seguinte forma: "Estes são os mandamentos que o SENHOR ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai" (Lv 27.34). O livro de Números é o registro das jornadas no deserto, e Deuteronômio é o discurso de recapitulação sobre os quarenta anos de peregrinação no deserto que Moisés apresentou quando estava na fronteira da Terra Prometida. R. K. Harrison afirma que o termo "Torá" passou a designar todo o Pentateuco posteriormente ao exílio.
Pentateuco é o termo alternativo empregado para identificar a Torá como os cinco livros de Moisés. O termo vem de duas palavras gregas: pente,7 "cinco", e teuchos,s de significado amplo, como "vasilha, recipiente, urna para voto, livro". A ideia original era de instrumento, e com o tempo veio a ser usado para designar o estojo de levar rolos de papiros. Acredita-se que os judeus helenistas de Alexandria, no primeiro século d.C. empregavam o termo pentáteuchos,9 que corresponde a expressão talmúdica chãmishãh chumeshêy-torãh,w "os cinco quintos da lei". O vocábulo "Pentateuco" aparece em Tertuliano (Contra Marcião, Livro
1, 10.7) e em Orígenes, em seu comentário sobre o evangelho de João, mas logo depois disso se tornou usual entre os cristãos para designar os escritos de Moisés.

0 DECÁLOGO

O Decálogo é identificado no Antigo Testamento pela expressão hebraica ‘ãsseret haddevãrim,11 literalmente "as dez palavras". O termo só aparece três vezes na Bíblia, no Pentateuco (Êx 34.28; Dt 4.13; 10.4), traduzido por "dez mandamentos" em nossas versões, exceto na ARA (Êx 34.28). É identificado também como "estas palavras" que Javé falou (Êx 20.1; 34.27; Dt 5.22) ou ainda"as palavras do concerto" (Êx 34.28). Estas dez palavras estão esboçadas em somente dois lugares na Bíblia, no Pentateuco (Êx 20.1-17; Dt 5.6-21). Há 17 variações no texto de Deuteronômio em relação ao Decálogo do livro de Êxodo, mas isso não altera o sentido da mensagem. Muitas delas serão explicadas no estudo específico de cada um desses mandamentos.
A Septuaginta optou por traduzir dekalogos,12 “decálogo", a partir de dois termos gregos: deka,13 "dez", e logos,14 "palavra". O termo nunca é citado no Novo Testamento em sua totalidade e os mandamentos não aparecem de acordo com a sequência canônica (Mt 19.18, 19; Mc 10.19; Lc 18.20; Rm 13.9). O Novo Testamento, às vezes, se refere a ele como "mandamentos" (Mt 19.17; Ef 6.2). Após a Septuaginta, o termo "decálogo" só aparece no período da patrística, na Epístola a Flora, de um autor gnóstico chamado Ptolomeu, que viveu na segunda metade do séc. II., e depois em Irineu de Lião, na forma latina (Contra as Heresias, Livro IV. 15.1; 16.4), e também em Clemente de Alexandria (em sua obra Pedagogos III. 12). Depois disso, o termo se popularizou entre os cristãos.
O Decálogo é a única parte do Pentateuco escrita "pelo dedo de Deus" (êx 31.18), linguagem figurada que, segundo Agostinho de Hipona, indica "pelo Espírito de Deus" e, de acordo com Clemente de Alexandria, "pelo poder de Deus". É também a única porção da lei que Israel ouviu partir da voz do próprio Deus no monte quando ele transmitia essas dez palavras (Êx 19.24, 25; 20.18-20). Os demais preceitos foram transmitidos por Javé exclusivamente a Moisés.
Existe uma discussão acalorada sobre Êxodo 34.28: "E esteve Moisés ali com o SENHOR quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras do concerto, os dez mandamentos". Parece que o sujeito do verbo "escrever" é Moisés, mas o texto deve ser interpretado à luz do contexto. "O sujeito do verbo é ambíguo" (CHILDS, 1976, p. 604). Pode ser Javé ou Moisés, mas parece tratar-se do próprio Deus (Êx 34.1). Por essas duas peculiaridades, o Decálogo se reveste de um valor especial no Pentateuco, mas para o cristianismo tem o mesmo valor que qualquer outra parte do Antigo Testamento como Escritura inspirada por Deus (2 Tm 3.16).
As dez palavras foram escritas pelo próprio Deus em ambos os lados de duas tábuas de pedra, e entregues a Moisés (Êx 31.18; 32.15, 16; Dt 4.13; 5.22; 10.2-4). Os judeus, desde Fílon de Alexandria até a atualidade, dividem os Dez Mandamentos em dois grupos de cinco, um grupo para cada tábua. Agostinho de Hipona supunha haver três mandamentos na primeira tábua e sete na segunda. Calvino e muitos da atualidade acreditam que na primeira tábua estavam gravados os quatro mandamentos relativos aos deveres do homem com Deus e, na segunda, os seis mandamentos relativos ao homem e seu próximo. Alguns interpretam que o Senhor Jesus Cristo sintetizou as tuas tábuas nos dois grandes mandamentos (Mt 22.34-40), com a ressalva do sábado, pois não há ensino no Novo Testamento para a observância do quarto mandamento. Essa questão é discutida mais adiante, no Capítulo 5.
As dez palavras foram dadas a Israel logo após a libertação dos israelitas do Egito e se aplicam primariamente aos hebreus, não a toda a humanidade. Isso fica muito claro na expressão "para que se prolonguem os teu dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá" (Êx 20.12; Dt 5.16), que diz respeito à terra de Canaã. E o quarto mandamento, na recapitulação em Deuteronômio, afirma “porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt 5.15). O sábado legal era o sinal do concerto entre Javé e o seu povo Israel (êx 31.13, 17). São peculiaridades do sábado no sistema mosaico que o Senhor Jesus e seus apóstolos não incluíram como parte obrigatória na fé cristã.
Matar, adulterar, furtar e proferir falso testemunho já existiam nos códigos mesopotâmios e do Egito como crimes, embora os fundamentos e propósitos fossem diferentes dos revelados na lei de Moisés. Os hebreus do período Pré-Sinai sabiam que era errado desonrar a Deus pelo uso impróprio do seu nome, como era igualmente errado faltar com o respeito aos pais e cobiçar a propriedade alheia. Mas com a revelação do Sinai eles tiveram uma compreensão mais ampla desses mandamentos e passaram a entender que não se tratava de meras normas jurídicas, mas da vontade de Deus. Foi Javé quem colocou a lei no coração e na mente de todos os seres humanos, dando-lhes assim as condições necessárias para discernirem entre o certo e o errado, por meio da consciência (Rm 2.14-16). O concerto do Sinai mostra a origem divina de todos esses mandamentos.
A lei de Moisés não se restringe às dez palavras. O apóstolo Paulo se refere a ela como um livro, e não como as tábuas de pedras: "Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (G1 3.10). Trata-se, portanto, do Pentateuco, pois ele não disse: "nas tábuas de pedras dessa lei". O Decálogo é parte da lei, e não a própria lei em si mesma. A declaração: "Porque a lei foi dada por Moisés" (Jo
1.17) refere-se a todo o Pentateuco, pois mais adiante é dito que Moisés escreveu acerca do Messias na lei (Jo 1.45).
Quanto à divisão do decálogo, os católicos romanos e os luteranos seguiram o modelo de Agostinho de Hipona, que foi mantido durante a Idade Média. Os dois primeiros mandamentos, "Não terás outros deuses diante de mim e "Não farás para ti imagem de escultura... Não te encurvarás a elas" (Êx 20.3-5; Dt 5.7-9), são considerados um só mandamento (o primeiro), ao passo que o décimo é dividido em dois: "Não cobiçarás a casa do teu próximo" e "Não cobiçarás a mulher do teu próximo" (Êx 20.17). Nós seguimos o sistema das igrejas reformadas, que vem dos judeus e é anterior a tudo isso (JOSEFO, Antiguidades Judaicas, Livro 3, 4.113, edição CPAD).

OS CÓDIGOS

Os códigos orientais eram casuísmos que se fundamentam na realidade de fatos e acontecimentos para a partir deles formular suas leis. A forma casuística é a lei de precedente legal, geralmente de caráter consuetudinária, comum na legislação mesopotâmica, como os códigos de Lipit-Ishtar, Eshnunna e Hamurabi. É a construção que emprega o recurso retórico no qual o primeiro período é condicional, conhecido como prótase, e o segundo, a apódose, só faz sentido em função do primeiro: "E será que, se ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o SENHOR, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra... Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus, para não cuidares em fazer todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então, sobre ti virão todas estas maldições e te alcançarão" (Dt 28.1, 15). Veja ainda Êxodo 21.23,30; 22.8; 23.22; Levítico 5.1, 15; 19.20.
Os códigos do Pentateuco são seções distintas no sistema mosaico que a crítica considera porções legais produzidas durante um longo lapso de tempo. Os críticos afirmam ter encontrado sete grupos: os Dez Mandamentos (Êx 20.1-17; Dt5.6-21); o que eles costumam chamar de Código da Aliança (Êx 20.22-23.33); Ritual do Decálogo (Êx 34.10-26); Código de Santidade (Lv 17- 26); Código Sacerdotal (Lv 1-16); o Código Deuteronômico (Dt 12-26); além do discurso sobre as bênçãos e as maldições (Dt 27-28). Outros expositores mais ousados chegam a afirmar que
o texto se constituía dos Dez Mandamentos sem as explicações de Êxodo 20.4-6, 9-11 e Deuteronômio 5.9, 10, 13-15, as quais teriam sido acrescentadas posteriormente. Há, na verdade, entre os críticos judeus e cristãos mais conservadores, a ideia de que Moisés recebeu as tábuas sem as respectivas explicações, mas que Deus mandou o próprio Moisés incluí-las no livro da Lei.
A novidade da crítica é que ela questiona a tradição judaico- -cristã no que diz respeito à paternidade mosaica do Pentateuco e à sua antiguidade. A fragmentação que os críticos apresentam juntamente com os seus pressupostos científicos não deve impressionar ou preocupar os cristãos, pois submeter a Bíblia à ciência não nos parece sensato. A ciência modifica-se a cada nova descoberta; "o espírito científico é essencialmente uma retificação do saber, um alargamento dos quadros do conhecimento" (BACHELARD, 1968, p. 147). Muitas coisas que foram ciência no passado, hoje, não passam de bobagens; da mesma forma, o que é ciência hoje pode ser bobagem amanhã. A Bíblia, no entanto, permanece para sempre (Is 40.8). A religião cristã se fundamenta na fé e na revelação e não na ciência (Hb 11.3).
Não se sabe exatamente como o texto do Pentateuco foi produzido e se desconhece também o critério adotado pelo legislador para a organização do livro. O grande problema é a falta de informação de uma época tão distante. É característico da cultura oriental pensar em círculos dando ênfase ao fato ocorrido, e não à data, diferentemente da forma linear adotada no modelo ocidental. A narrativa da Torre de Babel (Gn 11.1-7), por exemplo, precede cronologicamente a tabela das nações registrada em Gênesis 10; no entanto, aparece posteriormente no relato das Escrituras. Isso explica, muitas vezes, as repetições presentes nos textos bíblicos. Não se deve, portanto, fragmentar o texto atribuindo-o a diversos autores e a diversas épocas, ainda mais quando a Bíblia afirma ao longo de suas páginas a autoria mosaica do Pentateuco. Deus mandou Moisés escrever essas coisas num livro (Êx 17.14; 24.4-8; 34.27). A essa altura da história, os escritos eram parciais, pois a produção do texto estava ainda em andamento. Moisés escreveu as jornadas dos filhos de Israel no deserto (Nm 33.1 -49). Mas ainda está escrito que Moisés acabou de "escrever as palavras desta Lei num livro, até de todo as acabar" (Dt 31.24). Isso é ratificado em toda a Bíblia a partir da própria Torá até o Novo Testamento (Dt 31.9, 25, 26; Js 8.32-35; Jz 3.4;
1 RS 8.53, 56; Dn 9.11-13; Ml 4.4; Mt 19.7, 8; Mc 10.4, 5; Lc 5.14; Jo 1.17; 5.45-47; Rm 10.5; 1 Co.9.8, 9; 2 Co 3.15). Não há como mudar essa verdade, ainda mais com base em especulações ou interpretações sob o argumento de método científico. Assim, as sessões do Pentateuco às quais os críticos chamam de códigos são realmente detectáveis; isso não implica, contudo, a autoria de diversos autores e nem em datas posteriores.
É verdade que há no Pentateuco extratos de escritores desconhecidos ou uma coletânea de diversos documentos, como as genealogias do Gênesis, e outros que sofreram revisão posterior por escribas e profetas igualmente inspirados, como algumas glosas, por exemplo, "e estavam, então, os cananeus na terra" (Gn 12.6); o nome "Dã" antes da formação da família de Jacó (Gn
14.14); a menção de reis em Israel, antes mesmo da conquista de Canaã (Gn 36.31); a expressão "dalém do Jordão" (Dt 1.1) enquanto Moisés nem mesmo atravessou o rio. Nada disso descaracteriza sua paternidade literária. A revelação divina foi gradativa. A autoridade dos massoretas posteriores do judaísmo rabínico não é a mesma dos sopherim,15 "escribas", que trabalharam nas cópias e na edição dos livros no período pré-cristão. Esdras era um deles e é chamado de "escriba", sophêr16 (Ed 7.6). Os massoretas jamais ousaram modificar uma palavra das Escrituras, pois o cânon já estava fixado, uma postura diferente da dos sopherim, que eram encarregados de padronizar e revisar textos.
Os livros do Antigo Testamento foram produzidos por profetas, sacerdotes e sábios de Israel (Jr 18.18). Deus confiou a eles a sua revelação. A continuidade do texto, como a narrativa da morte de Moisés em Deuteronômio 34, era realizada por alguém divinamente autorizado. As glosas editoriais foram inseridas no texto sagrado por pessoas autorizadas, profetas, sacerdotes e sábios num período em que o cânon ainda estava aberto. Isso não compromete a paternidade mosaica do Pentateuco. Esses detalhes editoriais são reconhecidos pela tradição desde a antiguidade. Logo, não se sustentam as ideias defendidas pelos críticos liberais sobre os supostos autores do Pentateuco e as diversas datas sugeridas para a composição de cada código.
Israel se rebelou contra Deus, ainda no Sinai, com o culto do bezerro de ouro. Deus renovou o concerto com os israelitas, e "estas palavras" (êx 34.27) são as palavras do concerto descritas nos versículos 10-26. Referem-se a preceitos morais e cerimoniais do Decálogo e de outros códigos do sistema mosaico. O primeiro, o segundo e o quarto mandamentos do Decálogo reaparecem nessa renovação do concerto (Êx 34.14, 17, 21; cp. êx 20.2-5, 8-11; Dt 5.7-19, 12-15). A guarda do sábado é o único preceito cerimonial do Decálogo, pois os sacerdotes podiam violar o sábado e ficar sem culpa (Mt 12.5). Mas outros preceitos cerimoniais estão incluídos aqui: as festividades e o ritual da consagração dos primogênitos. Os críticos chamam Êxodo 34.10-26 de "Decálogo Cúltico"17 e Êxodo 20.1 -17 de "Decálogo Ético". Aqui se resumem preceitos de todos os códigos da lei de Moisés. Logo, não faz sentido a ideia de um texto produzido por autores diferentes durante um longo intervalo de tempo.
Quanto à lei, algo precisa ser dito sobre a alegada divisão em lei moral, lei cerimonial e lei civil. Desde muito tempo qualifica- -se o Decálogo como lei moral, enquanto a parte da legislação mosaica que trata das cerimônias de sacrifícios e festas religiosas, entre outras, é chamada de lei cerimonial, e os preceitos de caráter jurídico são considerados lei civil. A visão tripartite da lei em preceitos morais, cerimoniais e civis não vem das Escrituras. "Embora essa distinção tripartite seja antiga, seu uso como fundamento para explicar a relação entre os testamentos não é demonstravelmente derivada do Novo Testamento e provavelmente não é anterior a Tomás de Aquino" (CARSON, 2011, p. 179). Os judeus jamais dividiram sua lei em moral e cerimonial. Ao longo da história, eles observaram o sábado e a circuncisão com o mesmo cuidado. Jesus disse que a circuncisão está acima do sábado (Jo 7.22, 23).



Decálogo Cúltico:
1 Não farás aliança com os cananeus e nem aos seus deuses;
2 Guardarás as festas dos pães asmos;
3 Todo o primogênito é de Javé;
4 Redimirás os teus primogênitos e teus filhos;
5 Descansarás o sétimo dia da semana;
6 Três vezes no ano te apresentarás diante de Javé;
7 Não temerás a nenhum dos teus inimigos;
8 Não oferecerás coisa levedada nem deixarás para o dia seguinte o sacrifício da páscoa;
9 Oferecerás a Javé as primícias do teu fruto;

10 Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.

                                                           Esequias Soares


Nota: Vou editar ainda este estudo,principalmente as palavras hebraicas citados,aguardem,outrossim,este estudo serve pra lição 1 e 2 deste trimestre.


Read more: http://euvoupraebd.blogspot.com/2014/12/licao-1-deus-da-sua-lei-ao-povo-de.html#ixzz3NR8kk352

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Lição 11 - O Homem Vestido de Linho




“E levantei os meus olhos, e olhei, e vi um homem vestido de linho, e os seus lombos, cingidos com ouro fino de Ufaz” (Dn 10.5)

Leia Dn 10.1-21

O título desse capítulo desperta curiosidade porque apresenta: 'uma figura que revela alguém singular, diferente de todas as figuras de linguagem que ilustra o próprio Deus e, que, de forma teofânica, indica a Pessoa de Jesus Cristo. Era, de fato, a revelação do Cristo pré-encarnado, que corresponde com a visão de Ezequiel (Ez 1.26) e depois, no Novo Testamento, com o Apocalipse de João (Ap 1.12-20). Em todo este capítulo, “o homem vestido de linho” é o personagem central das revelações feitas a Daniel.
Temos que considerar que os três últimos capítulos desse livro trazem a última visão e revelação que Daniel teve da parte de Deus. O capítulo 10 se constitui, de fato, numa preparação para a revelação que Deus queria dar a Daniel, O capítulo 11 apresenta a visão escatológica que destaca o futuro imediato de Israel em relação às nações. Nesta visão, Daniel lembra quando chegou como exilado político na Babilônia ainda bem jovem. Os anos se passaram, e agora nos capítulos 10,11 e 12, ele era um homem com mais de 85 anos de idade. Ele lembra o nome estrangeiro Belsazar que havia recebido da parte de Nabucodonosor e que tinha por objetivo apagar a memória do seu povo e do seu Deus. Mas Daniel, ao citá-lo em Dn 10.1, queria lembrar, também, que nada mudou na sua mente e coração em relação à sua fidelidade ao Deus de Israel. Ele provou que apesar do desterro de sua terra, nada havia mudado em relação à sua fé.
Fazendo uma digressão ao capítulo 9, Daniel sabia que o dedo de Deus dirige a história e o futuro do seu povo e nada o deteria de cumprir os seus desígnios para com o seu povo, mesmo que o mesmo tenha pecado contra o Senhor. Haviam passado os 70 anos preditos na profecia de Jeremias e, então, Deus envia o anjo Gabriel (Dn 9.21) para revelar esse futuro do seu povo. Foi uma revelação depois de muitas lágrimas e orações do profeta pelo seu povo. Daniel era um homem de lágrimas e Deus se agradava da sua humildade.
No capítulo 10, já era o terceiro ano do reinado de Ciro da Pérsia (534 a.C.), e Daniel, mesmo estando idoso, permaneceu no palácio sob a égide dos reis que sucederam Nabucodonosor. Assumiram o império Ciro, da Pérsia, e Dario, da Média. Constituindo, portanto, o Império Medo-persa. Entre 538 e 536 a.C., Ciro, o persa, concedeu um decreto que autorizava os judeus exilados na Babilônia a retornarem a Palestina, especialmente, em Jerusalém, para reedificarem o templo judeu. Porém, esse retorno aconteceu, de fato, a partir de 538 a.C. O edito real de Ciro emitido está registrado em Esdras nos capítulos 1 ao 6. Segundo a história, uma grande maioria de judeus havia aderido aos costumes estrangeiros e preferiu não voltar à sua terra, ficando na Babilônia. Porém, o sonho de Daniel era concretizado mediante sua pesquisa no livro do profeta Jeremias ao constatar que já haviam se passado os 70 anos profetizados de cativeiro. Mesmo assim, Daniel não desistiu de orar pelo seu povo e por sua cidade santa, Jerusalém. Daniel era um homem de oração. Neste capítulo algo diferente de todas as visões que tivera anteriormente acontece. Há uma manifestação teofânica quando o próprio Deus, prefigurativamente, na pessoa de Jesus Cristo, se apresenta a Daniel de uma forma ímpar e gloriosa. Há, também, no texto uma manifestação angelical em que anjos celestiais obedecem aos desígnios de Deus em favor dos seus servos na terra.

I - A SENSIBILIDADE ESPIRITUAL DE DANIEL (10.1 -3)

Indiscutivelmente, Daniel é um dos modelos de vida devocional mais importante da Bíblia. Ele soube conciliar sua atividade palaciana com a sua vida devocional. No exílio, mesmo servindo a reis pagãos, Daniel não se descuidou de estar em oração, três vezes por dia. Ele não estava em Jerusalém para adorar ao Senhor no Templo, mas fazia do seu quarto de dormir o seu altar de adoração e serviço a Deus através da oração. Foi desse modo que ele teve as grandes revelações dos desígnios de Deus para o seu povo.

Daniel, um homem de revelações de Deus (10.1)

“foi revelada uma palavra a Daniel” (10.1). A palavra revelação significa, essencialmente, trazer à luz alguma coisa nova. A Daniel foi revelado coisas extraordinárias acerca do seu povo e acerca de coisas futuras, não apenas concernentes a Israel, mas abrangentes a todo o mundo, inclusive à igreja. Porém, nos capítulos 10, 11 e 12, toda a revelação fala de fatos que acontecerão “nos últimos dias”. Daniel era um homem sensível à voz de Deus, comprometido com a verdade e que dizia apenas o que Deus ordenasse. Daniel não enfeitava a profecia. As figuras de linguagem utilizadas por Deus para ilustrar as revelações eram extremamente fiéis ao que Deus queria revelar.

(10.2) A tristeza de Daniel.

“Estive triste por três semanas completas”. A tristeza que afligiu o coração de Daniel o fez decidir por orar e jejuar por 21 dias, abstendo-se de carnes e de vinho. As notícias negativas acerca do que estava acontecendo com seu povo e com a reconstrução do templo em Jerusalém o fez perceber que estava havendo confusão, oposição e má vontade da parte de muitos judeus em relação ao retorno para a sua cidade, o lugar do templo do Senhor em Jerusalém. Os samaritanos e palestinos que habitavam neste tempo em Jerusalém, começaram a criar obstáculos, principalmente, para a reconstrução do Templo. Os judeus haviam retornado para Jerusalém com o propósito de reconstruir o templo enfrentaram muita oposição, e Esdras confirmou esse fato, quando disse: “Todavia o povo da terra (samaritanos e palestinos) debilitava as mãos do povo de Judá, e inquietava-os no edificar” (Ed 4.4). Por causa dessa oposição ferrenha dos inimigos de Israel, agindo com falsidades e mentiras, e procurando desanimar o povo, tudo faziam para frustrar os propósitos da reconstrução do templo. Mais uma vez Esdras registrou essa oposição e disse: “E alugaram contra eles conselheiros, para frustrarem o seu plano, todos os dias de Ciro, rei da Pérsia" (Ed 4.5). Além desses opositores, Daniel percebeu, também, que havia desinteresse de muitos exilados na Babilônia em voltar à sua terra, pois haviam se acomodado à vida exilada. A ordem de reconstrução e da volta do seu povo à Palestina já havia sido autorizada e, passados alguns anos, o povo não se animava de voltar à sua terra. Daniel ficou triste e se pôs a lamentar e chorar. Porém, ele não desistiu de interceder pela compaixão de Deus, o Deus de Israel. Ele percebeu que o povo havia se esquecido do Senhor e pouco se interessava em servi-lo, preferindo viver uma vida dissoluta e de acordo com os padrões da vida pagã. Ele sentia o peso desse fardo espiritual e se pôs a orar e jejuar diante de Deus por Israel (w. 3,12).

Daniel, um homem de oração

Sem dúvida, Daniel é um grande exemplo da prática da oração. Durante toda a sua vida e, especialmente da juventude à velhice, o velho Daniel não deixou de orar. Era um homem determinado e consciente de suas limitações. Por três semanas consecutivas (21 dias) o velho Daniel não deixou de orar em favor do retorno do seu povo à sua terra. Ele nunca desistiu de clamar e pedir por esse retorno, porque sabia que o tempo de Deus não está preso às circunstâncias históricas. Ele não adianta nem atrasa. No tempo devido, seus desígnios são concretizados. Entretanto, Daniel, havia entendido que o plano de Deus para o seu povo não havia findado. Sua convicção era tão forte que não demorou muito para que Deus lhe desse outra grande revelação.
Daniel havia ficado triste por 21 dias por causa da profecia de Jeremias e havia nesta profecia a promessa de restauração do seu povo. Por isso, ele sentiu motivado, não apenas para lamentar, mas para orar suplicando que a promessa fosse realizada. Ele levou a sério esta necessidade de orar e orava como hábito cotidiano três vezes ao dia. Ele orava com seriedade, com reverência e com contrição, pois confessava o pecado do povo e esperava a misericórdia de Deus (Dn 9.3-15). No capítulo 10, Daniel é surpreendido pelo “homem vestido de linho” que lhe revela coisas maravilhosas.

II - A VISÃO DO HOMEM VESTIDO DE LINHO (10.4,5)

O tempo da resposta à oração de Daniel

“e no dia vinte e quatro do primeiro mês” (10.4). Esse era o mês de Nisan (março-abril) e Daniel cita esse dia para declarar que era o final das três semanas que ele esteve confinado em oração e jejum. Essa data envolvia os dias da celebração da Páscoa em Israel, que era o dia em que Deus havia tirado Israel da escravidão egípcia. Neste contexto de oração e jejum, Daniel se lembra da sua vida de juventude a setenta anos atrás quando, em Jerusalém, podia celebrar com alegria a Páscoa e, naquele momento que estava vivendo, estava fora da sua terra. Isso tudo o levou a um profundo sentimento de recordações e de oração pela restauração do seu povo.

O local da revelação divina a Daniel

“eu estava à borda do grande rio Hidéquel” (10.4). Na verdade, o rio Hidekel é o mesmo rio Tigre. E um rio que nasce nas montanhas da Armênia e atravessa a planície da Mesopotâmia, por mais de 1.800 quilômetros e, depois se junta ao rio Eufrates desaguando no Golfo Pérsico. O rio Tigre (ou Hidekel), pela sua importância geográfica foi o local onde, literalmente, Deus deu a grande visão dos capítulos 10,11 e 12 a Daniel. E interessante notar que Daniel não fora arrebatado em espírito para ver a grande visão, mas ele estava, literalmente naquele local “à borda do rio” acompanhado de alguns homens. Estes homens não viram a visão, apenas ficaram assustados com o ambiente e fugiram porque notaram que estava acontecendo algo extraordinário (10.7). A Daniel foi dada a visão e a mais ninguém. O texto do versículo 5 confirma, dizendo: “E levantei os meus olhos, e olhei...”

A aparição do homem vestido de linho

“e eis um homem vestido de linho” (10.5). Deus sempre utilizou figuras de linguagem que pudessem aclarar suas revelações. O “homem vestido de linho” que lhe aparecera era literal, ainda que de forma magnífica e angelical. Segundo alguns estudiosos, esse “homem” pode ser uma aparição teofanica do próprio Cristo, cuja descrição pode ser comparada a visão que João, o apóstolo, teve na Ilha de Patmos (Ap 1.13-16). Ora, uma teofania significa Deus manifestando-se, tomando formas distintas para falar com o homem. Na Bíblia, temos teofanias (manifestações de Deus) e temos angelofanias (manifestações angelicais). Geralmente, essas manifestações são com formas humanas. No caso da experiência de Daniel, quem poderia ser: um anjo ou o próprio Deus? Alguns exegetas não veem o “homem vestido de linho” como uma teofania, mas insistem em que o personagem é o de um ser angelical. Porém, o contexto bíblico fortalece a ideia de que seja, de fato, o próprio Deus manifestando-se de modo pessoal e visível como “um homem” a Daniel.

O que é uma teofania?

A palavra teofania deriva de duas outras palavras na língua grega: teos efanis que significam respectivamente “Deus” e “aparecer” ou (manifestar). Entende-se, portanto, teofania como “uma forma visível da divindade”. Crê-se que a aparição daquele ser angelical como “um homem vestido de linho” era uma teofania. O texto fortalece a ideia de que era Jesus, a segunda Pessoa da Trindade, pelas caraterísticas esplendorosas do personagem. A descrição desse personagem espiritual lembra a visão que o apóstolo João teve de Jesus quando estava na ilha de Patmos (Ap 1.13-16).

As caraterísticas do homem vestido de linho.

(10.5,6) A visão estrondosa e magnífica que Daniel teve do homem vestido de linho desafia os estudiosos da Bíblia em definir essa aparição. A pergunta que todos fazem é: Quem era aquele homem? Seria Gabriel, o embaixador de Deus em outras vezes para com Daniel? Seria um anjo com poderes especiais para cumprir um desígnio de Deus? Seria Miguel, o chefe das milícias de Deus que defende os interesses de Deus para com Israel? Seria esse “homem vestido de linho” o Cristo pré-encarnado, numa teofania especial? Percebe-se que essa aparição trazia um homem com vestes de linho, com os ombros cingidos de ouro, com um corpo semelhante a berilo, que tinha uma cor do tipo água marinha, ou verde-mar, o rosto como relâmpago e olhos como tochas de fogo, braços e pés como bronze polido e sua voz era como o barulho de uma multidão (Dn 10.5,6). Portanto, essas caraterísticas o faziam um ser diferente e singular que o identificavam com outras teofanias que aparecem na Bíblia. Entretanto, a visão de João, o apóstolo, na Ilha de Patmos se ajusta perfeitamente com as caraterísticas desse “homem” que apareceu a Daniel. Não devemos forçar uma interpretação, mas o contexto contribui para que creiamos que esse “homem” especial não podia ser outro senão Jesus Cristo, a segunda Pessoa da Trindade. Ele estava vestido de “linho”(v. 5), um tecido utilizado especialmente na roupagem dos sacerdotes segundo a liturgia hebraica e significa santidade, pureza e justiça. Em Apocalipse 1.13, o Senhor Jesus aparece em visão a João, na Ilha de Patmos, vestido de glória e majestade, e diz que: “um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de um roupa comprida”.

Daniel é confortado por um anjo (10.10-12)

A visão provocou um efeito extraordinário em Daniel. Ele não teve forças físicas para se manter em pé e caiu adormecido pela glória do “homem vestido de linho”. A mesma experiência que João teve na Ilha de Patmos com a visão do Cristo glorificado (Ap 1.17,18) foi experimentada por Daniel junto ao rio Hidekel, ou seja, o rio Tigre. Daniel reergueu-se de seu desmaio e foi confortado por um anjo da parte de Deus depois da grande peleja que houve no céu entre os comandados de Satanás e os anjos de Deus, naqueles 21 dias de oração do grande servo de Deus. O anjo falou-lhe que era muito amado (10.12) por Deus.

III - A REVELAÇAO DO CONFLITO ANGELICAL NO CÉU

Os anjos são uma realidade espiritual (10.5,6,13,20)

A realidade dos anjos é indiscutível. Os anjos não são meras figuras de retórica, nem são invencionices de teólogos. Não são coisas, mas são seres pessoais criados por Deus. Anjos e homens são criações distintas de Deus. Ambos são seres pessoais, diferenciados nas finalidades da criação. Os anjos são criados como espíritos sem a capacidade pro criativa, que Deus deu apenas aos homens (Lc 20.36; Hb 1.14; SI 148.5).

Serviços prestados pelos anjos

Na criação dos anjos o Criador os classificou em categorias especiais de serviços (Cl 1.16). Os anjos não são meras figuras de retórica. Eles são seres criados por Deus para executarem a vontade divina. Eles existem para cumprirem os interesses de Deus no universo. O autor da Carta aos Hebreus diz que os anjos são “espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação” (Hb 1.13,14). Da mesma sorte, os espíritos que se rebelaram e acompanharam a Lúcifer na sua rebelião contra Deus, os quais denominamos como “anjos caídos” obedecem as ordens do seu chefe, Satanás (Is 14.12-15; Ap 12.7-12; Mt 25.41). Eles são realidade invisíveis e muito atuantes no mundo que se opõe contra toda a obra de Deus ( Ef 2.2; 6.12; Cl 1.13,16).
Existem opiniões de que o ser espiritual do versículo 5 é o mesmo que fala com Daniel nos versículos 10-12. Outros entendem que são dois seres angelicais. O primeiro ser angelical do v. 5 é uma teofania, ou seja, uma aparição especial de Deus a Daniel. O segundo ser angelical dos w. 10-12 é visto como um anjo com poderes delegados por Deus para consolar o coração de Daniel e lhe revelar acerca do conflito angelical nos céus por causa da oração de Daniel.

Duas categorias de seres angelicais

Neste capítulo nos deparamos com duas categorias de seres angelicais. Os anjos da parte de Deus e os anjos da parte de Satanás. Os anjos da parte de Satanás são identificados na Bíblia como “espíritos maus”, “demônios” e que, na realidade, são considerados os anjos caídos da presença de Deus e que seguiram a Lúcifer. Eles obedecem ao comando de seu chefe que é o Diabo. Neste capítulo, eles aparecem com funções de liderança opositora aos interesses de Deus contra Israel (vv.13,20). Eles podem tomar formas diferentes do mundo físico sem ficarem retidos a essas formas porque são seres espirituais apenas. Deus não os criou como demônios ou maus.
Todas as milícias angelicais foram criadas para a glória de Deus (Jó 38.6,7). Foram criados seres morais e livres. Porém, a Bíblia fala de anjos que pecaram e não guardaram a sua dignidade, tornando-se maus (2 Pe 2.4;Jd 6;Jó 38.18-21). Pelo fato de serem espíritos sem corpos materiais, eles podem tomar formas materiais representando figurativamente coisas ou pessoas, como é o caso dos anjos que representam “o príncipe do reino da Pérsia” e “o príncipe do reino da Grécia” (Dn 10.13, 20).

Dois príncipes humanos representados na figura de dois anjos

“o príncipe do reino da Pérsia” e “o príncipe do reino da Grécia”.
(10.13,20). Subtende-se que Satanás designou dois dos seus anjos para influenciarem os reis da Pérsia e da Grécia e colocá-los contra o povo de Deus, Israel. No contexto do conflito no céu do capítulo 10, essas figuras procuraram impedir e resistir ao anjo Gabriel, mensageiro de Deus que tinha a resposta à oração de Daniel. Deus enviou o arcanjo Miguel, defensor dos interesses divinos para com Israel, a fim de possibilitar o cumprimento da missão do anjo Gabriel. Satanás tem sua própria organização angelical e esse texto indica que ele estabelece categorias de comandos. No caso do texto de Dn 10.13,20, Satanás incumbe anjos perversos com poder delegado para agir contra as nações do mundo. São espíritos que assumem territórios, e alguns teólogos, interpretam esta ação demoníaca coino ação de “espíritos territoriais”, que exploram culturas e crendices para aprisionar mentes e corações contra a possibilidade de conhecerem o Deus Verdadeiro. Segundo Paulo, esses espíritos atuam nas regiões celestiais para resistirem e criarem obstáculos à obra de Deus e à realização da sua vontade.

O conflito entre as milícias do Arcanjo Miguel e as milícias satânicas

“Mas o príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim vinte e um dias” (10.13). Esses dois príncipes não os reis da Pérsia e da Grécia, mas são figuras metafóricas de dois seres angelicais demoníacos designados pelo Diabo para atuarem sobre os reinos da Pérsia e da Grécia. O anjo Gabriel declarou que a resistência de Satanás viria também da parte do “príncipe da Grécia” na sua volta à presença de Deus. Esses dois príncipes terrenos representavam neste conflito dois espíritos da parte do Diabo que atuavam sobre aquelas nações. São espíritos territoriais. Alguns dos nossos teólogos rejeitam a expressão “espíritos territoriais”, mas não podem negar a existência de demônios designados pelo Diabo para interferirem e regerem sobre aquelas nações. E interessante notar que “o homem vestido de linho” que falava com Daniel declarou que Miguel, o anjo de Deus, era o “príncipe” de Israel, para defender e proteger os interesses de Deus na vida desse povo (Dn 12.1). O anjo Gabriel que trouxe a resposta de Deus, disse a Daniel que havia sido retido no céu por 21 dias com a resposta de Deus às suas petições. Esses dois príncipes das milícias satânicas: “o príncipe do reino da Pérsia”(v. 13) e o “príncipe da Grécia” (v. 20) que tentaram impedir que Gabriel trouxesse a resposta eram, na verdade, figuras desses príncipes satânicos que operam pelo poder do Diabo, de forma organizada, sobre as nações do mundo. Sem dúvida, Satanás tem sua hierarquia e dispõe de autoridades no mundo inteiro. Assim como Deus delegou ao Arcanjo Miguel para ser o “guardião de Israel” (Dn 10.13), o diabo estabelece os seus guardiões nas nações. São os opositores de Deus. Se o Príncipe da Pérsia representa um príncipe satânico com a finalidade de criar obstáculos ao projeto divino para que não alcance o seu objetivo, também, da parte de Deus, o Príncipe de Israel é o Arcanjo Miguel, e foi ele que veio em ajuda do anjo Gabriel para abrir espaço nos céus com a resposta divina para Daniel. Alguns teólogos rejeitam a ideia de que esses príncipes, da Pérsia e da Grécia, sejam anjos caídos. Defendem a ideia de que eram apenas reis desses impérios terrenos.

Há grande hostilidade espiritual contra o povo de Deus.

Deus tem uma aliança com Israel e a cumprirá, porque Ele é imutável e cumpre suas promessas. Quanto à igreja de Cristo, os mesmos espíritos do mal operam e hostilizam a igreja e aos crentes em particular. Há resistência espiritual às nossas orações. Quando oramos entramos em batalha contra as potestades do mal (Ef 6.12). Israel tem o seu ajudador especial da parte de Deus. A igreja, também, é guardada pelos anjos dos ataques satânicos.

IV - DANIEL RECUPERA SEU ÂNIMO ATRAVÉS DO ANJO

Daniel foi tocado pelo anjo

“me tocou os lábios” (10.16). Daniel tinha caído por terra por não ter tido condições físicas e emocionais de suportar toda aquela revelação. Ficou sem fala, mas ao ser tocado nos lábios, abriu a boca e começou a falar, à semelhança do que aconteceu com o profeta Isaías (Is 6.7). Quando somos tocados pelo Senhor, a sua santidade produz em nós um sentimento de indignidade e impureza perante os seus olhos. Ao ser tocado nos lábios, Daniel, antes emudecido diante da visão, começou a falar.
"Como pois pode o servo deste meu Senhor falar com aquele meu Senhor”? (10.17). Dois personagens se destacam nesta experiência, o anjo que falava com ele e o Ser superior a quem Ele entendeu que não tinha condições de estar de pé diante dEle. Quem era aquele “Senhor”? O contexto da escritura indica Alguém que era mais que um ser angelical. Não poderia ser o Senhor Jesus Cristo? Não podemos especular sobre isso, mas não há dificuldade alguma para entender a possibilidade de ser o Senhor Jesus, pré-encarnado, numa aparição especial. Na transfiguração de Jesus diante de seus três discípulos, Moisés e Elias viram a glória de Deus na pessoa de Jesus Cristo, seu Filho amado (Êx 33.19; Lc 9.28-31).

(10.18,19) Daniel foi confortado pelo anjo. 

Daniel descobriu que os opositores da obra em Jerusalém, não eram apenas os samaritanos e palestinos que se opunham contra tudo, mas tinha por trás de toda essa oposição, a ação de demônios. Mas Daniel é confortado pelo anjo quando lhe diz que “era muito amado” por Deus.
(10.20) O anjo revela a Daniel que “o príncipe da Grécia” na figura de um dos espíritos satânicos também se levantaria para se opor ao povo de Deus num tempo bem próximo daquele que ele,Daniel, estava vivendo. A revelação foi feita ainda dentro do período do Império Medo-persa, mas logo passaria, e outro império haveria de surgir, suplantando o medo-persa, que era o Império Grego. Aquele anjo embaixador de Deus anunciou a Daniel que ele enfrentaria as milícias espirituais com o apoio de Miguel, o príncipe de Deus a favor de Israel.

A grande lição que aprendemos com este capítulo é que no mundo temos uma guerra espiritual sobre as nossas cabeças. Trata- se de uma guerra invisível, mas temos a promessa da vitória porque Deus cumpre a sua Palavra.


Read more: http://euvoupraebd.blogspot.com/2014/12/licao-11-o-homem-vestido-de-linho.html#ixzz3Ld0YmXNl

domingo, 7 de dezembro de 2014

Nova Lição Bíblica da CPAD – Adultos - 1º Trimestre de 2015



A Lei de Deus – Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

Comentarista: Pastor Esequias Soares

Temas Semanais:

Lição 1 – Deus dá a sua Lei ao Povo de Israel
Lição 2 – O Padrão da Lei Moral
Lição 3 – Não Terás outros deuses
Lição 4 – Não farás imagens de Esculturas
Lição 5 – Não Tomarás o Nome do Senhor Deus em Vão
Lição 6 – Santificarás o Sábado
Lição 7 – Honrarás Pai e Mãe
Lição 8 – Não Matarás
Lição 9 – Não adulterarás
Lição 10 – Não furtarás
Lição 11 – Não darás Falso Testemunho
Lição 12 – Não cobiçarás
Lição 13 – A Igreja e a Lei de Deus