domingo, 18 de maio de 2014

O Ministério de EVANGELISTA


EFÉSIOS 4.11,12
11  E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,
12 Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo.

1 CORÍNTIOS 12.28
28 A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro lugar mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

A. A Palavra "evangelista" ocorre só três vezes no Novo Testa­mento.
1.  Em Efésios 4.11, citado acima.
2.  Em Atos 21.8, a Bíblia fala de "Filipe, o evangelista".
3.  Em 2 Timóteo 4.5, Paulo disse a Timóteo, que era o pastor de uma igreja do Novo Testamento naquele tempo, para "fazer o trabalho de um evangelista".

B. O significado da palavra "evangelista" é: alguém que traz o Evangelho (as boas-novas); um mensageiro de boas notícias.

C. O evangelista traz a mensagem da graça redentiva de Deus.

D. O tema favorito do evangelista é a salvação em sua forma mais simples.

E.  O único exemplo no Novo Testamento que temos de um evan­gelista é o de Filipe. O ministério de Filipe é o modelo porque é o único que Deus nos deu.
1. Filipe tinha só uma mensagem, e a mensagem era Jesus Cristo.
a.  A mensagem de Filipe para Samaria:

ATOS 8.5
5 Filipe, descendo à cidade de Samaria,
ANUNCIAVA-LHES A CRISTO.

b.  A mensagem de Filipe para o Eunuco

ATOS 8.35
35 Então Filipe explicou; e, começando por esta
passagem da Escritura, ANUNCIOU-LHE A
JESUS.

c.  Uma característica notável dos evangelistas é essa: não importa por qual parte da Escritura comecem, eles sempre pregam Jesus. Este é o chamado deles. Esta é a mensagem deles.
F.  O equipamento sobrenatural que acompanha o ministério do evangelista inclui "milagres" e "dons de curar".
1. É evidente que o evangelista tem um comissionamento direto do Senhor (Ef 4.11). Em 1 Co 12.28, o evangelista não é mencionado pelo seu nome. (Nem o pastor é mencionado pelo seu nome. O apóstolo, profeta e mestre o são. Porém o evangelista e o pastor não são.)
2.  Eu creio que o evangelista está em 1 Co 12.28 quando diz "milagres" e "dons de curar".
a.  Milagres e dons de curar também podem estar presentes em outros ofícios, mas nós sabemos do único modelo do Novo Testamento, Filipe, que eles devem acompanhar o ministério do evangelista.

ATOS 8.5-8
5  Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo.
6 As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava.
7  Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados.
8 E houve grande alegria naquela cidade.

b.  As curas seguiram a pregação de Cristo. Se, conforme a Escritura diz, ele tomou sobre si nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si, então não podemos pregar o Evangelho em sua plenitude sem que esta verdade também seja anunciada.
3.  Na minha opinião, muitos daqueles a quem chamamos "evangelistas" são, na realidade, "exortadores".
a.  Há o ministério de exortação (Rm 12.8).
b.  Um exortador exorta as pessoas a serem salvas.
c.  O equipamento sobrenatural de milagres e dons de curar não segue o ministério de exortação.
d.  É possível que alguém comece como um exortador e, à medida que se prove fiel, Deus o chame mais tarde para ser um evangelista.

G. Se o dom de Deus ou comissionamento do evangelista está em alguém, a pessoa não precisa suplicar para ser evangelista; então haverá uma forte chama no íntimo dessa pessoa incitando-a para a pregação do Evangelho.
1.  Filipe começou como diácono (ministério de socorros ou auxílio) na igreja (At 6.1-6). Os apóstolos ordenaram Filipe como diácono, mas não lhe deram nenhum comissionamento para evangelizar. Contudo, nós o vemos em Samaria com este dom celestial queimando em seu espírito, incitando-o a pregar o Evangelho com resultados gloriosos.
2.  Paulo disse: porque ai de mim se não pregar o Evangelho! (1 Co 9.16). Se alguém tem um chamado divino queimando dentro em si, não importa qual seja a ofício, dirá como Paulo: "porque ai de mim se não pregar o Evangelho!"
3.  Deus comissionou Jeremias para profetizar contra Israel. Também lhe disse que ninguém o ouviria — ele não teria nenhum convertido. Jeremias ficou aborrecido e disse uma vez: "Não o farei mais. Não falarei mais em Seu Nome" (Nós diríamos: "Não pregarei mais"). Mas então, Jeremias disse: sua palavra estava no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos... (Jr 20.9 KJV)
H. As marcas do evangelismo verdadeiro conforme evidenciados no ministério de Filipe, nosso único modelo do Novo Testa­mento:
1.   Proclamação sobrenatural.
a.  Havia algo para ver e ouvir no ministério de Filipe. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava (Atos 8.6).
b.  Filipe, o evangelista, estava equipado com dons espiri­tuais particulares, necessários ao seu ministério — ope­ração de milagres e dons de curar. A exibição desses dons espirituais através dele é a melhor maneira da proclama­ção do Evangelho.
2.   No verdadeiro evangelismo deve haver pregação da Pala­vra de Deus.
a.  No ministério do evangelista, a pregação da Palavra de Deus é essencial.
b.  O poder de Deus irá atrair uma multidão. Curas e milagres prendem a atenção. Mas as pessoas só são salvas depois de ouvirem a Palavra e crerem.

ATOS 8.12
12 Mas quando creram na pregação de Filipe a respeito das coisas concernentes ao reino de Deus, e a respeito do nome de Jesus, foram batizados, tanto homens quanto mulheres.

1) Curas e milagres são mencionados no início (v.6,7). Eles viram essas coisas. Mas a Bíblia não diz que eles creram quando viram; ela diz que eles foram salvos: Mas quando creram na pregação de Filipe...
2) Ninguém foi salvo antes de Filipe pregar. Eles foram salvos como resultado da pregação de Filipe.
c.  Paulo disse a Timóteo (e lembre-se que ele também lhe disse para fazer o trabalho de um evangelista): Prega a palavra (2 Tm 4.2).
d.  Somente a pregação da Palavra afeta a vontade do peca­dor.
3.  Decisão individual.
a.  A conversão é uma decisão pessoal. É algo pessoal entre o espírito humano e Deus.
b.  Deus quer nos mostrar algo quando, após o relato das conversões em massa em Samaria, Ele encerra o capítulo com a conversa entre o evangelista e o etíope — uma única pessoa.
c.  O dom supremo de um evangelista é a capacidade sobre­natural de levar uma alma à decisão por Cristo.
4.   A necessidade que o evangelista tem dos outros ministérios.
a.  Os vários ministérios dados por Cristo são dependentes uns dos outros para que venham a obter resultados que permaneçam.
b.  O envio de Pedro e João a Samaria foi muito importante (para que os resultados de Filipe permanecessem).

ATOS 8.14
14 Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João;

1) Como evangelista, Filipe tinha habilidade de fazer com que as pessoas fossem salvas, porém o seu ministério não foi além de trazer a salvação às pessoas.
a)  Alguns pensavam que Simão, o mago, foi salvo (v.13).
b)  Mas Pedro teve algum discernimento espiritual. Ele disse a Simão: Seu coração não é reto aos olhos de Deus (v.21).
2) Filipe não tinha habilidade para estabelecer uma igreja, ou firmar as pessoas na Palavra, ou ensiná-las.
3) Ele parecia não ter um equipamento especial que Pedro e João tinham para ministrar o batismo com o Espírito Santo (v. 14-17).
4) Filipe cumpriu sua tarefa em levar as pessoas a Deus ao pregar a salvação por meio de Jesus Cristo. Então os apóstolos enviaram outros para conduzi-los a Deus.
c.  Uma pessoa nunca será capaz de fazer tudo. E não deve. Cada um de nós é limitado. Todo ministro é limitado — mas Deus não é limitado. Precisamos uns dos outros.
d.  Howard Carter foi um grande pioneiro do movimento pentecostal. Ele fundou a primeira escola Bíblica pente-costal do mundo. Ela ainda existe na Inglaterra. As reve­lações que Deus lhe deu concernente aos dons e manifestações do Espírito Santo conforme escrito em 1 Co 12 são vistas como verdades fundamentais hoje.

livro Os Dons do Ministério



quinta-feira, 15 de maio de 2014

Ireneu se torna bispo de Lião


Até mesmo quanto às heresias, "não há nada novo debaixo do sol" (Ec 1.9). Os falsos ensinamentos que surgiram dentro e em torno da igreja permanecem basicamente os mesmos.
Em vez de se voltar para a obra expiatória de Cristo, muitos buscam salvar a si mesmos pela descoberta de algum conhecimento secreto. Isso surgiu na igreja primitiva por meio de um conjunto de heresias chamado de gnosticismo (gnosis é uma palavra grega que significa "conhecimento"). Aparentemente, já existia uma forma de gnosticismo antes da fundação da igreja. João desfechou um golpe contra esse falso ensinamento, quando escreveu sua primeira carta. Contudo, essa doutrina ainda continuou a exercer influência no século o.

Sabemos pouco sobre Ireneu, o homem que se opôs ao gnosticismo na segunda metade do século n. Nasceu, provavelmente, na Asia Menor, por volta do ano 125. Em virtude do intenso comércio entre a Ásia Menor e a Gália, os cristãos puderam levar a fé àquela região, onde foi estabelecida uma igreja vigorosa em sua cidade principal, Lião.

Enquanto serviu como presbítero em Lião, Ireneu viveu de acordo com seu nome, que significa "pacífico", viajando até Roma para pedir indulgência aos montañistas da Ásia Menor. Durante essa missão, a perseguição cresceu em Lião, e o bispo daquela cidade foi martirizado.

Ireneu o sucedeu como bispo em seu lugar e descobriu que o gnosticismo conseguira algumas conversões na Gália. Essa doutrina se espalhou facilmente, porque os gnósticos usavam termos cristãos, embora tivessem interpretações radicalmente diferentes dessas expressões. A fusão dos termos cristãos com os conceitos da filosofia grega e das religiões asiáticas era atraente aos que queriam acreditar que poderiam salvar a si mesmos, sem depender da graça do Pai todo-poderoso.

Ireneu estudou as várias formas de gnosticismo. Embora variassem grandemente, os ensinamentos mais comuns eram os seguintes: o mundo físico é mau; o mundo foi criado e é governado por poderes angelicais, e não por Deus; Deus está distante e não está realmente ligado a este mundo; a salvação pode ser alcançada pelo aprendizado de alguns ensinamentos secretos especiais. As pessoas espirituais — ou seja, os próprios seguidores do gnosticismo — são superiores aos cristãos comuns. Os mestres do gnosticismo sustentavam essas idéias valendo-se dos evangelhos gnósticos
— volumes que normalmente tomavam emprestado o nome de um apóstolo e retratavam Jesus Cristo ensinando doutrinas gnósticas.

Quando o bispo de Lião finalmente tomou conhecimento dessa heresia, escreveu a obra denominada Contra as heresias, um enorme trabalho no qual buscava revelar a tolice do "falso conhecimento". Valendo-se tanto do Antigo Testamento quanto do Novo, Ireneu mostrou que o Deus amoroso criou o mundo, que se corrompeu por causa do do pecado humano. Adão, o primeiro homem inocente, tornou-se pecador ao ceder à tentação. Porém, sua queda foi des-feita — rematada — pela obra do segundo homem inocente, Cristo, o novo Adão. O corpo não é mau, e, no último dia, o corpo e a alma dos crentes ressuscitarão; viverão para sempre com Deus.

Ireneu compreendia que o gnosticismo se valia do desejo humano de conhecer algo que os outros não conheciam. Com relação aos gnósticos, escreveu: "Tão logo um homem é convencido a aceitar a forma da salvação deles [dos gnósticos], se torna tão orgulhoso com o conceito e a importância de si mesmo, que passa a andar como se fosse um pavão". Porém, os cristãos deveriam humildemente aceitar a graça de Deus, e não se envolver em exercícios intelectuais que levavam à vaidade.

Durante toda a sua vida, Ireneu recordou com alegria o fato de ter sido próximo de Policarpo, que conhecera pessoalmente o apóstolo João. Desse modo, talvez não seja surpreendente o fato de Ireneu apelar para a autoridade dos apóstolos, quando desaprovou as afirmações do gnosticismo. O bispo destacou que os apóstolos ensinaram em público, e não guardaram segredo sobre nenhum dos ensinamentos que receberam do Mestre. Por todo o império, as igrejas concordavam sobre certos ensinamentos que vieram dos apóstolos de Cristo e que apenas esses ensinamentos formavam os fundamentos de sua crença. Ao declarar que os bispos, os sucessores dos apóstolos, eram os guardiães da fé, Ireneu aumentou o respeito dispensado aos bispos.

Na obra Contra as heresias, Ireneu apresentou o padrão para a teologia da igreja: toda a verdade que precisamos está na Bíblia. Ele também provou ser o maior teólogo desde o apóstolo Paulo. Suas discussões amplamente divulgadas foram um golpe mortal para o gnosticismo em sua época.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Os Dons de Expressão:

                                Os Dons de Expressão

                                            Severino Pedro da Silva:

                                                                                                                                                                                                     I - O Dom de Profecia

"E a outro, a profecia" (1 Co 12.10).
O substantivo grego propheteia ("profecia") aparece 19 vezes no Novo Testamento (Mt 13.14; Rm 12.6; 1 Co 12.10; 13.2,8; 14.6,22; 1 Ts 5.20; 1 Tm 1.18; 4.14; 2 Pe 1.20,21; Ap 1.3; 11.6; 19.10; 22.7,10,18,19). Deriva-se do grego pro ("antes", "em favor de") e de phemi ("fa­lar"). Ou seja, "alguém que fala por outrem" e, por exten­são, "intérprete", especialmente da vontade de Deus. ([1])
Em sentido geral, a palavra "profecia", quando deri­vada de pro ("aquilo que jaz adiante"), traz a idéia de vaticínio divino de primeira grandeza.
No presente texto, a palavra "profecia" tem um senti­do especial. Trata-se de "um dos dons do Espírito San­to", significando "uma predição momentânea e sobrena­tural". Neste terceiro grupo de dons espirituais, a profecia assume o primeiro lugar em magnitude. São dons que operam na esfera espiritual.
Os dons de revelação expressam os pensamentos de Deus.
Os dons de poder manifestam sua onipotência e gran­deza, preenchendo o campo inteiro de nossa visão.
Os dons de expressão comunicam os sentimentos do coração de Deus.

1.      A origem da profecia
Há pelo menos três fontes, das quais podem surgir uma mensagem profética:
a. Divina. Isto é, a inspiração que parte diretamente do coração de Deus, fonte de todo bem (Jr 23.28,29; Tg 1.17; 1 Pe4.11).
b. Humana. Neste caso a mensagem parte do coração do próprio profeta, que fala sem autorização do Senhor (2 Sm 7.2-17; Jr 23.16).
c. Demoníaca. A falsa profecia parte diretamente de "um espírito enganador", ou mesmo de "um demônio" (1 Tm 4.1-3; Ap 16.13,14).

2. O valor da profecia
A palavra de Deus ou "palavra profética", foi sempre de "muita valia" para o povo de Deus em geral (1 Sm 3.1). Talvez por isso Moisés tenha exclamado: "Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu espírito!" (Nm 11.29).
O profeta Joel, ao vaticinar o grande derramamento do Espírito sobre toda a carne, fala de uma efusão profé­tica: "Vossos filhos e vossas filhas profetizarão" (Jl 2.28).
Finalmente, Paulo manifesta o mesmo sentimento, aconselhando os coríntios a procurar "com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar" (1 Co 14.1). Nos versículos seguintes, o apóstolo reafirma sua admoestação em outros termos, como por exemplo:
"E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas; mas muito mais que profetizeis, porque o que profetiza é maior do que o que fala línguas estranhas" (v. 5); "Por­tanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar" (v. 39).
Segundo alguns escritores neotestamentários, parece que na igreja de Corinto ensinadores usavam "palavras persuasivas de sabedoria humana", tornando-se quase impossível aos "indoutos" alcançar o pensamento desses requintados pregadores (cf. 1 Co 2.1-13). Diante de tal circunstância o Espírito de Deus supria esta lacuna, usando alguém com o dom de profecia. Daí o comentário do apóstolo: "Mas se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar [no templo], de todos é convencido, de todos é julgado. Os segredos [as dúvidas] do seu coração ficarão manifestos [respondidos], e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós" (1 Co 14.24,25).

3. A finalidade da profecia
O dom de profecia tornara-se o mais desejado da igreja em Corinto, provavelmente, como observa Faucett, pelas seguintes razões:
•   A profecia visa a edificação da igreja, tema quase que central do capítulo 14 de 1 Coríntios, e não apenas a edificação do crente individual, como é o caso das lín­guas quando não interpretadas.
•   A profecia serve para exortação.
•   A profecia serve também para consolar.
•   A profecia é um meio de transmitir revelações e doutrinas, quando vazadas na revelação plenária.
•   A profecia faz soar o "toque" da mensagem cristã que leva o crente a preparar-se para a batalha espiritual.
•   A profecia é uma voz clara num mundo de vozes confusas e desassociadas.
•   A profecia é um canal de bênção, principalmente de ação de graças, do qual a comunidade inteira pode parti­cipar. Por conseguinte, assemelha-se às línguas e até lhes é superior, porque beneficia a todos, e não somente ao que fala.
• A profecia é um dom espiritual que abençoa os crentes em qualquer lugar onde Deus assim o queira.
•  A profecia é uma maneira de ensinar os sentimentos espirituais à alma sincera e anelante pela presença de Deus.
•  A profecia deve ser ministrada segundo a medida da fé. Em outras palavras, deve ser transmitida de acordo com as regras e padrões estabelecidos na Palavra de Deus.
•  A profecia deve ser transmitida sob os cuidados da direção ministerial (1 Cr 25.2).
•  A profecia é um alerta contra o pecado: "Não havendo profecia, o povo se corrompe" (Pv 29.18).
Note que a profecia citada neste capítulo não é o ministério profético que o mesmo Paulo menciona em Efésios 4.11, evidentemente também chamado "dom". Mas é um "dom de governo", ligado diretamente à área ministerial. Enquanto que a profecia, ainda que ligada também ao ministério profético, é um "dom do Espírito Santo" outorgado à igreja para "edificação, exortação e consolação". Os profetas mencionados no Antigo Testa­mento eram pessoas revestidas do "ministério profético", e geralmente iniciavam a mensagem profética, dizendo: "Assim diz o Senhor" ou: "Veio a mim a palavra do Senhor".
No caso do dom de profecia, a mensagem parte sem­pre diretamente de Deus e é transmitida como se o pró­prio Deus estivesse falando. No exercício do ministério profético propriamente dito, dificilmente profetizavam dois ou mais profetas ao mesmo tempo e em um só lugar, como acontece com o dom de profecia. Paulo orienta: "Falem dois ou três pessoas, e os outros julguem. Mas se a outro [profeta], que estiver assentado, for revelado al­guma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros... E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas" (1 Co 14.29-32).
O ministério profético e o dom de profecia encon­tram-se associados em ambos os Testamentos. Em Nú­meros 11.25,26, o Espírito de Deus repousou sobre se­tenta anciãos de Israel, concedendo-lhes uma espécie de dom de profecia. Eles profetizaram ali, e depois, nunca mais. Entretanto, "no arraial ficaram dois homens; o nome de um era Eldade, e o nome do outro, Medade; e repou­sou sobre eles o Espírito (porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda), e profetizavam". Eldade e Medade receberam o ministério profético, en­quanto os setenta anciãos receberam apenas uma porção deste ministério, ou seja, o dom de profecia. A palavra hebraica para "profeta" é nabil, e foi usada pela primeira vez em Gênesis 20.7; depois, aparece mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. No Novo Testamento, a palavra prophetes aparece 149 vezes. Sete dessas ocor­rências, nas Escrituras, são aplicadas a figuras femininas, ou "profetisas": Miriã, Débora, Hulda, Noadias, a mulher do profeta Isaías, Ana e Jezabel (Êx 15.20; Jz 4.4; 2 Rs 22.12; Ne 6.14; Is 8.3; Lc 2.36; Ap 2.20).
Atos 20.8,9 também revela que Filipe, o evangelista, era pai de "quatro filhas donzelas que profetizavam".
Toda e qualquer profecia, seja plenária (2 Pe 1.19-21) ou uma revelação momentânea operada através do dom, diante de qualquer necessidade da igreja deve trazer em seu conteúdo "o testemunho de Jesus", que é o "espírito de profecia" (Ap 19.10).

II - O Dom de Variedade de Línguas

"E a outro, a variedade de línguas" (1 Co 12.10).
Este dom é até certo ponto menor que o de profecia, conforme declara Paulo ao discorrer sobre os dons espiri­tuais na igreja em Corinto: "E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas; mas muito mais que profetizeis, porque o que profetiza é maior do que o que fala lín­guas..." (1 Co 14.5). Entretanto, o apóstolo ressalva: "... a não ser que também interprete".
Devemos ter em mente que está em foco a variedade, e não meramente o dom de línguas, comumente desfruta­do pelos cristãos batizados com o Espírito Santo.

1. No dia de Pentecoste
Alguns estudiosos explicam as línguas faladas no dia de Pentecoste como o resultado da memória sobrenatural vivificada, reproduzindo nos judeus e prosélitos frases e orações ouvidas por eles e guardadas no inconsciente, as quais precisavam usar sob circunstâncias normais. ([2])
O escritor sagrado diz que o fenômeno sobrenatural deixou todos pasmados, a ponto de dizerem: "Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando? Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascido?" (At 2.7,8).
O fenômeno contribuiu para destacar a universalidade da mensagem cristã, em contraste com a expressão naci­onal do judaísmo. Além disso, o Espírito Santo dava cumprimento a mais um vaticínio das Escrituras, que dizia: "Pelo que por lábios estranhos e por outra língua, falará a este povo" (Is 28.11). Qualquer pessoa ficaria impressionada ao ouvir de um estrangeiro algo em sua língua nativa, sem erros gramaticais e sem sotaque, e de modo eloqüente. Uma vez assim impressionada, passaria a dar maior atenção à mensagem. Depois veio o resulta­do: "Naquele dia, agregaram-se quase três mil almas".

2. Depois do dia de Pentecoste
O dom de variedades de línguas ocorre em pelo me­nos três lugares, no Novo Testamento. Apesar de não estarem essas ocorrências vinculadas a grandes concen­trações de visitantes de outras terras, o Espírito Santo operou eficazmente, com demonstração de poder. Estes lugares foram:
a. Cesaréia. "E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a pala­vra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas e magnificar a Deus" (At 10.44-46).
b. Éfeso. "E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam" (At 19.6).
c. Corinto. "E a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas..." (1 Co 12.10).
É possível que Paulo, ao falar sobre "línguas dos homens e dos anjos", em 1 Coríntios 13.1, estivesse aludindo ao dom de variedade de línguas - exatamente como aconteceu no dia de Pentecoste, onde "foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo".
O dom de variedade de línguas possibilita a expres­são, por meios sobrenaturais, de línguas estrangeiras, naturais e humanas, e também de algum idioma celestial. Depende da necessidade e vontade do Espírito Santo (At 2.4).
O dom de variedade de línguas tem sido comumente chamado pelos teólogos de "glossolalia", e particular­mente de "línguas estranhas" pelos cristãos em geral. Inúmeras vezes Deus, através deste dom e de sua inter­pretação, tem edificado, exortado e consolado milhares de pessoas na igreja e até fora dela.
A igreja em Corinto foi agraciada por Deus com todos os dons já manifestos pelo Espírito Santo, a ponto de o apóstolo Paulo comentar: "Porque em tudo fostes enri­quecidos nele, em toda a palavra e em todo o conheci­mento (como foi mesmo o testemunho de Cristo confir­mado entre vós). De maneira que nenhum dom vos fal­ta..." (1 Co 1.5-7).
Deus se manifestava e falava de diversas maneiras. Falava por "meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina". Em outras ocasiões, Deus tam­bém falava por meio de "salmos... de línguas e sua inter­pretação". Outros dons do Espírito Santo eram também manifestos para exaltar o nome de Jesus como Senhor.
O apóstolo mostra a harmoniosa sintonia entre os dons, cooperando cada um em determinada área da igre­ja, de acordo com a distribuição feita pelo Espírito Santo: como o corpo, sendo um mas composto de muitos mem­bros com funções diferentes (1 Co 12.12-27). Nenhum membro deve ser desprezado ou considerado "mais fra­co" ou "menos honroso" - todos são necessários.

3. Diferença entre variedade de línguas e línguas estranhas
Lendo 1 Coríntios 14.27,28, à primeira vista achamos que o apóstolo Paulo está proibindo os crentes de falar em línguas estranhas durante o culto. Mas não é este, com certeza, o pensamento do grande mestre da Palavra de Deus. No mesmo capítulo, ele afirma:
•  "O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo" (v. 4);
•  "E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas..." (v. 5);
•   "Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos" (v. 18);
•   "Não proibais falar línguas" (v. 39).
Entendo que Paulo esteja aqui instruindo sobre o uso correto do dom de variedade de línguas, pois ex­plica que precisa de interpretação: "E, se alguém falar línguas estranhas [variedade de línguas], faça-se isso por dois ou, quando muito, três, 6 por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja cala­do na igreja e fale consigo mesmo e com Deus" (1 Co 14.27,28).
Procurava o apóstolo pôr termo a uma dificuldade: se todos os crentes batizados com o Espírito Santo presentes numa reunião falassem várias línguas aos mesmo tempo, seria humanamente impossível o traba­lho dos intérpretes. Mesmo usados por Deus, precisa­vam interpretar cada língua por sua vez.
Talvez por isso Paulo tenha prescrito: "E, se al­guém falar língua estranha, faça-se isso por dois ou, quando muito, três..." "Por sua vez" significa um após outro - pois somente assim o intérprete poderia trans­mitir a mensagem divina à igreja. E assim, tudo seria feito "decentemente e com ordem" (1 Co 14.40).
Entendemos que se alguém falar em línguas, mes­mo as entendidas pelos homens, como aconteceu no dia de Pentecoste, esta pessoa está sendo usada pelo Espírito Santo em variedade de línguas. E se de algu­ma maneira não as entendermos, neste caso o que fala "não fala aos homens, senão a Deus" (1 Co 14.2).
Podemos, portanto, chamar as línguas estranhas não interpretadas de "mistério" ou "sinal"; enquanto que as que as interpretadas compreendem a "variedade de línguas" (1 Co 12.10; 13.1; 14.2,26,27,28).

III - O Dom de Interpretação das Línguas

"E a outro, a interpretação das línguas" (1 Co 12.10).
A palavra "interpretação" nada tem a ver com a "tra­dução", no sentido em que a conhecemos. Não se refere ao processo intelectual pelo qual se dá o sentido prosaico e literal de palavras faladas ou escritas. A "interpreta­ção" em foco é totalmente milagrosa. Trata-se de um dom do Espírito Santo que capacita a pessoa a traduzir simultaneamente o que está sendo falado através do dom de variedade de línguas.
Assim, o que fala em línguas não deve procurar decifrá-las, mas pode receber a interpretação da mesma fonte divina de onde surgiram. A não ser que Deus queira fazer como no dia de Pentecoste, quando o Espírito Santo desceu repentinamente, conforme descrito em Atos 2.2-4: "E, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas re­partidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem".
Nessa operação miraculosa do Espírito de Deus, as "línguas" foram repartidas conforme em cerca de 15 re­giões diferentes, a saber: "Partos e medas, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judéia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia, e Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos), e cretenses, e árabes..." (At 2.9-11). A lista do escritor sagrado não é propriamente lingüística, e sim geográfica, cujo propósito é ilustrar a grande variedade de povos, isto é, pessoas de "todas as nações que estão debaixo dos céus".
Besser salienta que a "linguagem dos judeus era por demais débil para descrever ao mesmo tempo e para o mundo inteiro essas maravilhosas 'grandezas de Deus'; seriam necessários todos os idiomas do mundo para pu­blicar e glorificar as obras do Senhor do Universo". En­tretanto, com um único toque do Espírito Santo tudo ficou resolvido.
O mesmo acontecerá na continuidade da pregação do Evangelho do Reino, principiada por João Batista e Cris­to mas interrompido pela rejeição do Rei. Porém este voltará em glória, no final da Grande Tribulação, prepa­rando assim as nações para o reino milenial do Filho de Deus. O que não pode ser visto com nitidez, por causa da sombra humana, será revelado por um anjo em apenas um instante: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habi­tam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo" (Ap 14.6). ([3])
Esta mensagem é universal, como o foi, sem dúvida, a mensagem dada pelo Espírito Santo através do dom de variedade de línguas, no dia de Pentecoste! O resultado certamente foi o descrito por Paulo em 1 Coríntios 14.22: "De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis".
No dia de Pentecoste, duas coisas importantes com relação a interpretação da variedade de línguas podem ter acontecido:
•    as línguas faladas eram o idioma materno de cada pessoa ali presente (At 2.8);
•    a linguagem era espiritual, e Deus capacitou cada um dos presentes a compreender o significado                das pala­vras (1 Co 14.21).
Seja como for, o resultado foi glorioso: Deus falou através do seu Espírito, e falou muito bem! (Hb 1.1; 2.4).

Severino Pedro da Silva:


CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado. Milenium

Justino Mártir escreve sua Apologia:

Justino Mártir escreve sua Apologia:


O jovem filósofo caminhava junto à costa, sua mente estava agitada, sempre ativa, buscando novas verdades. Ele estudara os ensinamentos dos estoicos, de Aristóteles e de Pitágoras; e, naquele momento, era adepto do platonismo, que prometera uma visão de Deus aos que sondassem a verdade com profundidade suficiente. Era isso que o filósofo Justino queria.

Enquanto caminhava, encontrou-se com um cristão, já idoso. Justino ficou perplexo diante de sua dignidade e humildade. O homem citou várias profecias judaicas, mostrando que o caminho cristão era realmente verdadeiro. Jesus era a verdadeira expressão de Deus.

Esse encontro ocasionou grande mudança na vida de Justino. Debruçado sobre aqueles escritos proféticos, lendo os evangelhos e as cartas de Paulo, ele se tornou um cristão dedicado. Assim, nos últimos trinta anos de sua vida, viajou, evangelizou e escreveu. Desempenhou um papel muito importante no desenvolvimento da teologia da igreja, assim como da compreensão que a igreja tinha de si mesma e da imagem que apresentava ao mundo.

Praticamente desde o início, a igreja funcionou em dois mundos: o judeu e o gentío. O livro de Atos dos Apóstolos registra o lento e, às vezes, doloroso desabrochar do cristianismo no mundo gentío. Pedro e Estêvão pregaram aos ouvintes judeus, e Paulo falou aos filósofos atenienses e aos governadores romanos.
A vida de Justino apresenta muitos paralelos com a vida de Paulo. O apóstolo era um judeu nascido em área gentia (Tarso); Justino era um gentio nascido em área judaica (a antiga Siquém). Eles tinham boa formação e usavam o dom da argumentação para convencer judeus e gentíos da verdade de Cristo. Os dois foram martirizados em Roma em razão de sua fé.

Durante os reinados dos imperadores do século I, por exemplo, Nero e Domiciano, a igreja se esforçava sobreviver, para continuar sua tradição e para mostrar ao mundo o amor de Jesus Cristo. Os não-cristãos viam o cristianismo como uma seita primitiva, uma ramificação do judaismo caracterizada por ensinamentos e práticas estranhas.
Em meados do século II, sob o comando de imperadores mais razoáveis como Trajano, Antonino Pio e Marco Aurélio, a igreja teve uma nova preocupação: explicar o motivo de sua existência para o mundo de maneira convincente. Justino se tornou um dos primeiros apologistas cristãos, ou seja, um dos que explicavam a fé como sistema racional. Com escritores que surgiriam mais tarde — como Orígenes e Tertuliano —, ele interpretou o cristianismo em termos que seriam familiares aos gregos e aos romanos instruídos de seus dias.

A maior obra de Justino, a Apologia, foi endereçada ao imperador Antonino Pio (a palavra grega apologia refere-se à lógica na qual as crenças de uma pessoa são baseadas). Enquanto Justino explicava e defendia sua fé, ele discutia com as autoridades romanas por que considerava errado perseguir os cristãos. De acordo com seu pensamento, as autoridades deveriam unir forças com os cristãos na exposição da falsidade dos sistemas pagãos.
Para Justino, toda verdade era verdade de Deus. Os grandes filósofos gregos haviam sido inspirados por Deus até certo ponto, mas permaneciam cegos com relação à plenitude da verdade de Cristo. Desse modo, Justino trabalhou livremente com o pensamento grego, explicando Cristo como seu cumprimento. Ele se aproveitou do princípio apresentado pelo apóstolo João, no qual Cristo é o Logos, a Palavra. Deus Pai era santo e separado da humanidade maligna, e Justino concordava com Platão nesse aspecto. Porém, por intermédio de Cristo, seu Logos, Deus pôde alcançar os seres humanos. Como o Logos de Deus, Cristo era parte da essência de Deus, embora separado, do mesmo modo que uma chama se acende a partir de outra (é por isso que o pensamento de Justino foi fundamental no desenvolvimento da consciência da igreja com relação à Trindade e à encarnação).

Contudo, Justino tinha uma linha de pensamento judia que caminhava com suas inclinações gregas. Era fascinado pelas profecias já cumpridas. Ε possível que isso tenha nascido no encontro com o idoso à beira-mar. Porém, ele percebeu que a profecia hebraica confirmou a identidade singular de Jesus Cristo. Como Paulo, Justino não abandonou os judeus à medida que se aproximava dos gregos. Em Diálogo com Trifão, outra grande obra, ele escreve a um judeu, um conhecido dele, apresentando Cristo como cumprimento da tradição hebraica.
Além de escrever, Justino viajou bastante, sempre argumentando a favor da fé. Ele se encontrou com Trifão em Êfeso. Em Roma, encontrou-se com Marcião, o líder gnóstico. Em outra ocasião, durante uma viagem a Roma, Justino se indispôs com um homem chamado Crescendo, o Cínico. Quando Justino retornou a Roma, por volta do ano 165, Crescendo o denunciou às autoridades. Justino foi preso, torturado e decapitado, com outros seis crentes.

Justino escreveu certa vez: "Vocês podem nos matar, mas não podem nos causar dano verdadeiro". O apologista apegou-se a essa convicção até a morte. Ao fazer isso, recebeu o nome que passaria a usar por toda a história: Justino Mártir.