sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Os dez mandamentos do Senhor


Os dez mandamentos do Senhor

Texto áureo

Porque o fim da lei é cristo para justiça de todo aquele que crê Rm 10.4
"Cristo conclui a lei e traz justiça para todo aquele que tem fé" (NEB). A palavra "fim" (telos) tem duplo sentido; pode significar "alvo" ou "término". Por um lado, Cristo é a meta visada pela lei, no sentido de que Ele é a encarnação da perfeita justiça, sendo que veio a "engrandecer a lei e fazê-la gloriosa" (ver Is 42:21); em Mateus 5:17 vemos estas pa­lavras do próprio Senhor Jesus: "Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir". E a lei é cumprida na vida daqueles que estão "em Cristo Jesus" (ver 8:3s.). Por outro lado (e esta é a ênfase primordial das palavras de Paulo), Cristo é a terminação da lei no sentido de que, com Ele, a velha ordem, da qual a lei fazia par­te, foi eliminada, para ser substituída pela nova ordem do Espírito. Nesta nova ordem, a vida e a justiça são acessíveis mediante a fé em Cristo; por­tanto, ninguém precisa tentar obter essas bênçãos por meio da lei. (Ver P-49.)
Introdução:

A Lei e a Graça

É de a maior importância compreender o verdadeiro caráter e o objeto da lei moral, como nos é apresentada neste capítulo. Existe uma tendência no homem para confundir os princípios da lei com graça, de sorte que nem a lei nem a graça podem ser perfeitamente compreendidas. Alei é despojada da sua austera e inflexível majes­tade, e a graça é privada de todos os seus atrativos divinos. As santas exigências de Deus ficam sem resposta, e as profundas e múltiplas necessidades do pecador permanecem insolúveis pelo sistema anómalo criado por aqueles que tentam confundir a lei com a graça. Com efeito, nunca podem confundir-se, visto que são tão distintas quanto o podem ser duas coisas. Alei mostra-nos o que o homem deveria ser; enquanto que a graça demonstra o que Deus é. Como poderão, pois, ser unidas num mesmo sistema1?- Como poderia o pecador ser salvo por meio de um sistema formado em parte pela lei e em parte pela graça1? Impossível: ele tem de ser salvo por uma ou por outra.

O Propósito da Lei

A verdade é que, como nos ensina o apóstolo, a lei veio para que a ofensa abundasse (Rm5:20). Isto mostra-nos claramente o verda­deiro objetivo da lei: veio a propósito para que o pecado se fizesse excessivamente maligno (Rm 7:13). Era, em certo sentido, como um espelho perfeito enviado para revelar ao homem o seu desarranjo moral. Se eu me puser diante de um espelho com o meu vestuário desarranjado, o espelho mostra-me o desarranjo, mas não o põe em ordem. Se eu fizer descer sobre um muro tortuoso um prumo, o prumo mostra a tortuosidade, mas não a altera. Se eu sair numa noite escura com uma luz, esta revela-me todos os obstáculos e dificulda­des que se acham no caminho, mas não os remove. Além disso, o espelho, o prumo, e a luz não criam os males que revelam distintamente: nem os criam nem os afastam, apenas os revelam. O mesmo acontece com a lei: não cria o mal no coração do homem nem tampouco o tira; mas revela-o com infalível exatidão.

"Que diremos pois  É a lei pecado1?- De modo nenhum; mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Rm 7:7). O apóstolo não diz que não teria tido "concupiscência". Não, mas apenas que não a teria conhecido. A "concupiscência" existia; mas ele estava às escuras quanto ao fato, até que a lei, como a luz do Deus Onipotente, brilhou nos recessos tenebrosos do seu coração e revelou o mal que nele havia Assim como um homem numa câmara escura pode estar rodeado de poeira e confusão sem, contudo poder ver nada por causa da escuridão.
Objetivos do concerto

Por que foi dada a lei ?

Portanto, a lei, qualquer que seja a forma em que apareça, é lei de Deus — "santa, justa e boa" (7:12). Se, como Paulo insiste, ela não foi dada para servir de meio para a justificação dos homens, por que foi dada? A esta interrogação a Epístola aos Romanos oferece diversas res­postas, que podem ser ordenadas sob quatro títulos principais.

(1) Foi dada para ser uma revelação de Deus e de Sua vontade.

 A distinção entre o certo e o errado não é simples questão de convenção social. Está arraigada no ser e no caráter de Deus, e gravada na cons­tituição do ser humano, criado como foi à imagem de Deus. A lei é lei de Deus e, como o próprio Deus, é "verdadeira e totalmente justa" (Sl 19:9; ver 7:12,16, 22).

(2)  Foi dada para o bem-estar e a preservação da raça humana.

 Esta finalidade em particular é principalmente atendida pelo governo civil que (como se vê claramente exposto em 13:1-7) é um ministério ordenado por Deus para amparar e estimular a prática do bem, e reprimir e castigar a prática do mal.3

(3)  Foi dada para pôr o pecado às claras, e para levar os homens ao arrependimento e à confiança na graça de Deus.

 Embora em teoria o homem que guardar a lei viverá por ela (Rm 10:5), na prática ninguém é justificado pelas obras da lei, por causa do fracasso universal em guardá-la perfeitamente (3:20, 23). A tendência inata do homem, de ir contra a vontade de Deus, manifesta-se em atos concretos de desobediência quan­do a vontade divina é revelada na forma de mandamentos específicos
(5:13), de modo que "pela lei vem o pleno conhecimento do pecado" (3:20; 7:7). Mas o homem que experimentou o poder que a lei tem de trazer o seu pecado à luz, juntamente com a incapacidade da lei de con­seguir-lhe a condição de justo aos olhos de Deus, é o que está mais dis­posto a lançar-se com fé à graça de Deus, revelada em Cristo, como o único meio de obter sua justificação. Assim, conforme Paulo o coloca noutra epístola, "a lei foi nosso guardião até quando Cristo veio, para que fôssemos justificados pela fé" (Gl 3:24, RSV). Mas agora que Cristo veio, Ele "é o fim da lei para que todo aquele que tem fé seja justificado"
(10:4, RSV) — quer dizer, Ele não só cumpriu a lei pessoalmente, por Sua perfeita submissão à vontade de Deus mas, visto que o caminho de Deus para a justiça foi aberto em Cristo, Ele assinala a substituição ou o "fim" da lei, mesmo como um meio teórico de justificação. Os que são justificados pela fé nEle, não estão "debaixo da lei, e, sim, da graça" (6:14).
(4) Foi dada para prover orientação para a vida do cristão. Graças à habitação do Espírito no coração daqueles que estão "em Cristo Jesus", as justas exigências da lei se cumprem neles com divina espontaneidade quando vivem "segundo o Espírito"

Um Jugo Impossível de Levar

O capítulo 15 do livro de Atos mostra-nos como o Espírito Santo respondeu à tentativa que se pretendera fazer para pôr os crentes sob a lei, como regra de vida. "Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés" (versículo 5). Isto não era mais do que o silvo da antiga serpente fazendo-se ouvir nas sugestões sinistras e desanimadoras desses primitivos legalistas. Mas vejamos como o assunto foi resolvido pela poderosa energia do Espírito Santo e a voz unânime dos doze apóstolos e de toda a Igreja. "E, havendo grande contenda, levan-tou-se Pedro e disse-lhes: Varões irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu, dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem". — O quê? As exigências e as maldições da lei de Moisés? Não; bendito seja Deus, esta não era a mensagem que Deus queria fazer chegar aos ouvidos de pecadores perdidos. Ouvissem, então, o quê"? "OUVISSEM DA MINHA BOCA A PALAVRA DO EVANGE­LHO E CRESSEM". Aqui estava a mensagem que correspondia ao caráter e natureza de Deus. Ele nunca teria perturbado os homens com uma linguagem triste de exigências e proibições. Esses fariseus não eram Seus mensageiros — muito pelo contrário. Não eram portadores de boas novas, nem anunciadores da paz, e portanto os seus pés eram tudo menos "formosos" aos olhos d'Aquele que Se deleita em misericórdia.
"Agora, pois", continua o apóstolo, "porque tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportara" Esta linguagem era grave e forte. Deus não queria pôr "um jugo sobre a cerviz" daqueles cujos corações haviam sido libertados pelo evangelho da paz. Antes pelo contrário, desejava exortá-los a permanecerem na liberdade de Cristo e a não se meterem "outra vez debaixo do jugo da servidão" (Gl. 5:1). Não enviaria aqueles a quem havia recebido em Seu seio de amor "ao monte palpável" para os aterrorizar com a "escuridão", "trevas", e "tempestade" (Hb 12:18). Isso seria impossível. "Mas cremos", diz Pedro, "que seremos salvos PELA GRAÇA DO SE­NHOR JESUS CRISTO, como eles também" (At 15:11). Tanto os judeus, que tinham recebido a lei como os gentios, que nunca a receberam, deviam agora ser "salvos" pela "graça". E não somente deviam ser "salvos pela graça", mas estar "firmes" na graça (Rm 5:2) e crescer na graça (2Pe 3:18). Ensinar outra coisa era tentar a Deus. Esses fariseus subvertiam os próprios fundamentos da fé cristã; e o mesmo fazem todos aqueles que procuram pôr os crentes debaixo da lei. Não existe mal ou erro mais abominável aos olhos de Deus do que o legalismo. Escutai a linguagem enérgica — os acentos de justa indignação—de que se serve o Espírito Santo, a respeito desses doutores da lei: "Eu quereria que fossem cortados aqueles que vos andam inquietando" (Gl 5:12).
Mas, deixai-me perguntar, os pensamentos do Espírito Santo mudaram a este respeitou Já deixou de ser tentar a Deus pôr um jugo sobre a cerviz do pecadora E segundo a Sua vontade graciosa que a lei seja lida aos ouvidos dos pecadores? Responda o leitor a estas interrogações à luz do capítulo 15 de Atos e da Epístola aos Gálatas. Estas Escrituras, ainda mesmo que não houvesse outras, são sufici­entes para provar que a intenção de Deus nunca foi que os Gentios "ouvissem a palavra" da lei. Se fosse essa a Sua intenção, o Senhor teria, certamente, escolhido alguém para a proclamar aos seus ouvidos. Mas não; quando proclamou a Sua "lei terrível", Ele falou numa só língua; porém quando proclamou as boas novas de salva­ção, pelo sangue do Cordeiro, falou na língua "de todas as nações que estão debaixo do céu". Falou de tal moâoque cada um, na sua própria língua em que havia nascido, pudesse ouvir a doce história da graça (At 2:1 -11).

Conclusão:

Mas a lei não introduziu nenhum novo princípio na situação. Ela simplesmente revelou mais completamente o princípio do pecado que já estava presente. O Evangelho, por outro lado, introduziu um princípio totalmente novo — o princípio da graça de Deus. Por mais depressa que a operação da lei estimule o pecado e o faça crescer, mais depressa ainda a graça de Deus cresce e tira a carga do pecado acumulada


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A peregrinação de Israel no deserto ate o Sinai

A peregrinação de Israel no deserto até o Sinai


Introdução

 gostaria de despertar interesse por ele no coração do leitor, para que o estudasse, por si mesmo, com oração, desde a primeira vez que o encontramos nas Escrituras até chegar àquela consoladora declaração: "Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima"(Ap 21:3-4).

A Partida para o Deserto

"Depois, fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur, e andaram três dias no deserto; e não acharam águas" (versículo 22). E quando entramos na experiência do deserto que somos postos à prova, a fim de que se manifeste até que ponto conhecemos Deus e o nosso próprio coração. O princípio da nossa vida cristã é acompanhado por uma vivacidade e de um gozo exuberantes, que logo as rajadas de vento do deserto procuram deter; e então, a não ser que haja um profundo sentimento daquilo que Deus é para nós, acima e além de tudo mais, sentimo-nos desfalecer, e em nossos corações tornamos ao Egito (At 7:39). A disciplina do deserto é necessária, não para nos dar o direito a Canaã, mas para nos tornar familiarizados com Deus e os nossos próprios corações, para nos habilitar a compreendermos o poder do nosso parentesco e para nos dar capacidade para gozarmos da terra de Canaã, quando lá chegarmos (veja-se Dt 8:2 - 5).

Mara: as Águas Amargas

Os versículos finais deste capítulo mostram-nos Israel no deser­to. Até aqui parece que tudo lhes havia corrido bem. Terríveis juízos haviam caído sobre o Egito, mas Israel fora perfeitamente excluído; o exército do Egito jazia morto nas praias do mar, mas Israel estava em triunfo. Tudo isto era bastante; mas, enfim, o aspecto das coisas depressa mudou! Os hinos de louvor foram depressa substituídos pelas palavras de descontentamento. "Então, chegaram a Mara; mas não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas: por isso, chamou-se o seu nome Mara. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de bebera (versículos 23 a 24).
"E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão no deserto. E os filos de Israel disseram-lhes:
Quem dera que nós morrêssemos pela mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão (capí­tulo 16:2-3).
Eis aqui as provações do deserto. "Que havemos de comera" e "que havemos de bebera" As águas de Mara puseram à prova o coração de Israel e mostraram o seu espírito murmurador; mas o Senhor mostrou-lhes que não havia amargura que Ele não pudesse dulcificar com a provisão da Sua graça: "...e o Senhor mostrou-lhe um lenho que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces: ali lhes deu estatutos e uma ordenação, e ali os provou". Que formosa figura d'Aquele que foi, em graça infinita, lançado às águas da morte, para que essas águas nada mais nos pudessem dar senão doçura, para todo o sempre. Verdadeiramente, podemos dizer: "Na verdade já passou a amargura da morte", e nada mais nos resta senão as doçuras eternas da ressurreição.

Elim: Doze Fontes e Setenta Palmeiras

Todavia, o deserto tem os seus Elins bem como os seus Maras; as suas fontes e palmeiras, bem como as suas águas amargas. "Então, vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas (versículo 27).
O Senhor graciosa e ternamente prepara verdes lugares no deserto para o Seu povo; e embora sejam, quanto muito, oásis, refrescam, todavia, o espírito e animam o coração. A permanência temporária em Elim era evidentemente calculada para tranquilizar os corações do povo e fazer cessar as suas murmurações.

ISRAEL AO PÉ DO MONTE SINAI

O Pacto da Graça

Eis-nos agora chegados a um ponto muito importante na histó­ria de Israel. O povo fora conduzido ao pé do "monte palpável, acesso em fogo" (Hb 12:18). A cena de glória milenial, que nos apresenta o capítulo anterior, desaparecera. Fora apenas um momento breve de sol durante o qual fora proporcionada uma viva imagem do reino; porém o sol desvaneceu-se rapidamente e grossas nuvens amontoaram-se sobre esse "monte palpável", onde Israel, num espírito funesto e insensível de legalismo, abandonou o pacto de graça de Jeová pela aliança das obras do homem. Impulso fatal! Que foi seguido dos resultados mais funestos. Até aqui, como temos visto, nenhum inimigo pôde subsistir diante de Israel — nenhum obstáculo pôde deter a sua marcha vitoriosa. Os exércitos de Faraó haviam sido destruídos; Amaleque e o seu povo haviam sido passados a fio de espada: tudo fora vitória, porque Deus interviera a favor do Seu povo, em conformidade com as promessas que fizera a Abraão, Isaque e jacó.

Professor Rerison Brazão 



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

As pragas divinas e as propostas ardilosas de Faraó


Texto áureo
A GUERRA ESPIRITUAL Ef 6.11
Revesti-vos de toda armadura de Deus (11). A palavra "toda" não é achada no original, e sua inserção obscurece o sentido real, que é "vesti a panóplia de Deus". "Panóplia" significa uma armadura completa, mas o original grego salienta o fato que é de Deus. A necessidade da armadura de Deus é indicada pelas palavras ciladas do diabo i. e., os métodos e estratagemas do maligno, que "faz guerra" contra a alma do homem. (Veja 1Pe 2.11).


INTRODUÇÃO

DEIXA IR O MEU POVO
Estes cinco capítulos formam uma parte distinta, cujo conteúdo pode ser dividido em três pontos, a saber: os Dez Juízos do Senhor, a resistência de "Janes e Jambres" e as quatro objeções de Faraó.

1.     AS PRAGAS ENVIADAS E A PRIMEIRA PROPOSTA DE FARAÓ
 
           Pragas atingem o Egito (Êx 7.19—12.33).

Toda a terra do Egito tremeu debaixo dos golpes sucessivos da vara de Deus. Todos, desde o monarca sentado no seu trono à criada moendo no moinho, tiveram de sentir o peso terrível dessa vara. "Enviou Moisés, seu servo, e Arão, a quem escolhera. Fizeram entre eles os seus sinais e prodígios, na terra de Cam. Mandou às trevas que a escurecessem; e elas não foram rebeldes à sua palavra. Converteu as suas águas em sangue, e assim fez morrer os peixes. A sua terra produziu rãs em abundância, até nas câmaras dos seus reis. Falou ele, e vieram enxames de moscas e piolhos em todo o seu território. Converteu as suas chuvas em saraiva e fogo abrasador, na sua terra. Feriu as suas vinhas e os seus f igueirais e quebrou as árvores dos seus termos. Falou ele, e vieram gafanhotos e pulgão em quantidade inumerável, e comeram toda a erva da sua terra e devoraram o fruto dos seus campos. Feriu também a todos os primogénitos da sua terra, as primícias de todas as suas forças" (SI 105:26 -36).


Janes e Jambres
Vamos considerar agora, em segundo lugar, a oposição de "Janes e Jambres", magos do Egito. Nunca teríamos conhecido os nomes desses dois inimigos da verdade se o Espírito Santo os não houvesse mencionado em ligação com os "tempos perigosos" dos quais o apóstolo Paulo avisa seu filho Timóteo. É da máxima importância que o leitor crente compreenda claramente o verdadeiro caráter da resistência que esses dois encantadores opuseram a Moisés, e para que ele faça uma ideia completa do assunto, citaremos toda a passagemda epístola de Paulo a Timóteo, passagem aliás profunda­mente importante e solene.

Nos Últimos Dias

"Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avaren­tos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, semafeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obs­tinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências, que aprendem sempre,e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles" (2Tm 3:1-9).


As Quatro Objeções de Faraó
Resta-nos considerar ainda o terceiro ponto desta parte do livro, a saber, as quatro objeções ardilosas de Faraó à libertação completa e inteira separação do povo de Deus do Egito.
A primeira destas objeções encontra-se no capítulo 8:25. "En­tão, chamou Faraó a Moisés e a Arão e disse: Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra". E desnecessário acentuar aqui que, quer sejam os magos com a resistência que opõem ou Faraó com as suas objeções, é realmente Satanás que está atrás de toda esta cena: e o seu objetivo, nesta proposta de Faraó, consistia em impedir o testemunho do nome do Senhor—um testemunho ligado com a separação com­pleta entre o Seu povo e o Egito.

A resposta que Moisés deu à primeira objeção de Faraó é realmente notável: "E Moisés disse: Não convém que façamos assim, porque sacrificaríamos ao Senhor, nosso Deus, a abominação dos egípcios; eis que, se sacrificássemos a abominação dos egípcios perante os seus, olhos, não nos apedrejariam eles?" (capítulo 8:26 - 27). O caminho de "três dias" é verdadeira separação do Egito. Nada menos que isto podia satisfazer a fé. O Israel de Deus tem que ser separado da terra e da morte e das trevas pelo poder da ressurreição.
A segunda objeção do Faraó participava muitíssimo do caráter e tendência da primeira. "Então, disse Faraó: Deixar-vos-ei ir, para que sacrifiqueis ao Senhor vosso Deus no deserto; somente que, indo, não vades longe" (capítulo 8:28). Não podendo retê-los no Egito, procurava ao menos retê-los perto das fronteiras, para poder agir contra eles por meio das diversas influências do país. Desta forma o povo podia ser reconduzido e o testemunho mais facilmen­te aniquilado que se eles nunca tivessem saído do Egito.

A terceira objeção de Faraó requer atenção especial de nossa parte. "Então, Moisés e Arão foram levados outra vez a Faraó, e ele disse-lhes: Ide, servi ao Senhor, vosso Deus. Quais são os que hão-de ir? E Moisés disse: Havemos de ir com os nossos meninos e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, e com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque festa ao Senhor temos. Então ele lhes disse: Seja o Senhor assim convosco, como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos; olhai que há mal diante da vossa face. Não será assim; andai agora vós, varões, e servi ao Senhor; pois isso é o que pedistes.
A quarta e última objeção de Faraó relacionava-se com os rebanhos e as manadas. "Então, Faraó chamou a Moisés e disse: Ide, servi ao Senhor: somente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas; vão também convosco as vossas crianças (capítulo 10:24). Com que perseverança disputou Satanás cada palmo do caminho de Israel para fora do Egito! Em primeiro lugar procurou mantê-los no país; então diligenciou tê-los perto do país; depois esf orçou-se por reter parte do povo; e por fim, depois de haver falhado nestas três tentativas, esforçou-se por fazê-los partir sem meios alguns para servir ao Senhor. Já que não podia reter os servidores procurava ficar com os meios que eles tinham para servir, pensando obter o mesmo resultado por um meio diferente. Já que não podia induzi-los a oferecerem sacrifícios no país, queria enviá-los fora do país sem vítimas para os sacrifícios.

A resposta de Moisés a esta última objeção de Faraó dá-nos um relato dos direitos soberanos do Senhor sobre o Seu povo e tudo que lhes pertence. "Moisés, porém, disse: Tu também darás em nossos mãos sacrifícios e holocaustos, que ofereçamos ao Senhor nosso Deus. E também o nosso gado há de ir conosco, nem uma unha ficará; porque daquele havemos de tomar para servirão SENHOR nosso Deus; porque não sabemos com que havemos de servir ao Senhor, até que cheguemos lá"

 Conclusão:
Deus dá às vezes aos homens aquilo que está de acordo com a verdadeira inclinação dos seus corações:".. .por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam na mentira, para que sejam julgados todos os que não creram a verdade; antes tiveram prazer na iniquidade" (2 Ts 2:11-12). Se os homens rejeitam a verdade quando lhes é apresentada, terão, certamente, a mentira; se não querem Cristo, terão Satanás; se menosprezam o céu, terão o inferno (¹). O Espírito incrédulo terá alguma coisa que responder  Antes de o fazer deve certificar-se de que aqueles que são assim tratados judicialmente obram inteiramente de baixo da sua responsabilidade.
Por exemplo, no caso de Faraó, ele agiu, até certo ponto, segundo a luz que possuía. Acontece o mesmo em todos os demais casos. O dever de prova recai, incontestavelmente, sobre aqueles que estão dispostos a argumentar com Deus acerca dos Seus juízos contra os que desprezam a verdade.

Rerison Brazão:

domingo, 24 de novembro de 2013

As várias divisões da linguagem figurada METÁFORA.ALEGORIA.FÁBULA 2° parte



Metáfora. A Bíblia é rica em lin­guagem metafórica. A metáfora afir­ma de modo inconfundível que uma coisa é outra totalmente diferente. O termo origina-se de dois vocábu­los gregos que significam estender. Um objeto é substituído a outro. Aqui temos dois exemplos do uso de me­táforas:

Pois o Senhor Deus é sol e es­cudo (Sl 84:11);

Ele é o meu refúgio e minha fortaleza (Sl 91:2).

Dessa forma, como pode ser observada, metáfora é um termo co­nhecido por nós "na área da experi­ência que faz sentido, e indica que determinado objeto, possuidor de propriedades especiais, transfere-as a outro objeto pertencente a uma área mais elevada, de modo que o anterior nos dá uma idéia mais com­pleta e realista das propriedades que o último deve ter". Nas passa­gens supracitadas, tudo o que é re­lacionado ao Sol, ao escudo, ao re­fúgio e à fortaleza é transferido para o Senhor. O Sol, por exemplo, é fon­te de luz, calor e poder. A vida na Terra depende das propriedades do Sol. Portanto, o Senhor como Sol é a fonte de toda a vida.
No evangelho de João não exis­tem parábolas propriamente ditas,
Mas há, entretanto, uma série de metáforas impressionantes como:


Eu sou o bom pastor (Jo 10:11).

Eu sou a videira verdadeira (Jo 15:1).

Eu sou a porta (Jo 10:7).

Eu sou o pão da vida (Jo 6:35).

Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14:6).

Alegoria. Não é fácil distinguir entre parábola e alegoria. Esta úl­tima não é uma metáfora ampliada e dela difere por não comportar a transferência de qualidades e de propriedades. Tanto as parábolas como as metáforas abrangem ex­pressões e frases, servindo para des­vendar e explicar algumas verdades ocultas que não poderiam ser facil­mente compreendidas sem essa rou­pagem. Num verbete de Fairbairn sobre as "parábolas", em sua renomada Biblical enciclopaedia [Enciclopédia bíblica], ele diz: "A alegoria corresponde rigorosamen­te ao que se encontra na origem da palavra. E o ensinamento de uma coisa por outra, da segunda pela primeira; deve existir uma seme­lhança de propriedades, uma se­qüência de acontecimentos seme­lhantes de um lado e de outro; mas a primeira não toma o lugar da se­gunda; as duas se mantêm incon­fundíveis. Considerada dessa forma, a alegoria, em sentido mais amplo, pode ser tida como um gênero, do qual a fábula, a parábola e o que geralmente chamamos alegorias são espécies".
A. alegoria, explica o Dr. Graham Scroggie, "... é uma declaração de fatos supostos que aceita interpretação literal, mas ainda assim exige ou admite, com razão, interpretação moral ou figurada". A alegoria dife­re da parábola por conter aqueles menos mistérios e coisas ocultas que esta. A alegoria se interpreta por si só e nela "a pessoa ou objeto, ilus­trado por algum objeto natural, é imediatamente identificado com esse objeto". Diz o dr. Salmond: "Quando nosso Senhor conta a grande alego­ria da vinha, do agricultor e dos ra­mos, em que ensina aos seus discí­pulos a verdade sobre o relaciona­mento que ele próprio tinha com Deus, começa dizendo que ele pró­prio é a videira verdadeira e seu Pai, o agricultor (Jo 15:1).
Desejando uma melhor compre­ensão das figuras de linguagem men­cionadas na Bíblia, recomendamos ao leitor a obra de grande fôlego do Dr. E. W. Bullinger sobre o assunto, a qual, sem dúvida, é o melhor estu­do já feito sobre o método figurado empregado pela Bíblia. O Dr. Bullinger lembra que há grande con­trovérsia sobre a definição e signifi­cado exato de alegoria e declara que, na verdade, os símiles, as metáforas e as alegorias são todos baseados na comparação.

Símile é a comparação por se­melhança.
Metáfora é a comparação por correspondência.
Alegoria é a comparação por implicação.

Na primeira, a comparação é afirmada; na segunda, é substituí­da; na terceira, é subentendida. A alegoria é então diferente da pará­bola, pois esta é um símile continu­ado, enquanto aquela representa algo ou dá a entender que alguma coisa é outra.
Há uma alegoria a que Paulo se refere de modo inequívoco: "... Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a car­ne, mas, o que era da livre, por pro­messa. O que se entende por alego­ria..." (coisas que ensinam ou dizem mais do está escrito — v. Gl 4:22,24). Bullinger chega a provar que a ale­goria pode algumas vezes ser fictí­cia; no entanto, Gaiatas 4 mostra que uma história verdadeira pode ser alegorizada (ou seja, pode mostrar algum ensinamento além daquele que, na verdade, se observa), sem no entanto anular a verdade da histó­ria. A alegoria é sempre apresentada no passado e nunca no futuro. Dessa forma, distingue-se da profecia. A ale­goria oferece outro ensinamento com base nos acontecimentos do passado, enquanto a profecia trata de aconte­cimentos futuros e corresponde exa­tamente ao que se diz.
Hillyer Straton, em seu A guide to the parables of Jesus [Guia das parábolas de Jesus], comenta que "a alegoria é uma descrição codificada. Ela personifica coisas abstratas; não põe uma coisa ao lado da outra, mas faz a substituição de uma pela outra. Cada aspecto da alegoria se tor­na importante". O dr. Straton, então, acaba por citar a mais famosa ale­goria de toda a literatura, O peregri­no, em que John Bunyan usou a sua imaginação notavelmente fértil para ressaltar a verdade da peregrinação cristã.


Fábula. A fábula é uma narração fictícia que pretende ilustrar um princípio ou uma verdade (Jz 9:8-15; 2Rs 14:9). A missão primordial da fábula é reforçar o conceito da pru­dência. A fábula, usada poucas ve­zes nas Escrituras, está a quilôme­tros de distância da parábola, em­bora uma possa, em alguns momen­tos, ser semelhante à outra nos as­pectos externos. Comparando qual­quer das fábulas de Esopo com as parábolas de Jesus, percebe-se que a fábula é um tipo inferior de lingua­gem figurada e trata de assuntos menos elevados. Está associada à terra e focaliza a vida e os negócios comuns a todos. Tem por função transmitir lições de sabedoria pru­dente e prática e gravar nas mentes dos ouvintes as virtudes da prudên­cia, da diligência, da paciência e do autocontrole. Também trata do mal como loucura e não como pecado, além de ridicularizar as falhas e des­denhar os vícios, escarnecendo deles ou os temendo. Essa é a razão por que a fábula faz grande uso da ima­ginação, dotando plantas e animais de faculdades humanas, fazendo-os raciocinar e falar. A parábola, no entanto, age numa esfera mais su­blime e espiritual e nunca se permi­te a zombaria ou a sátira. Tratando das verdades de Deus, a parábola é naturalmente sublime, com ilustra­ções que correspondem à realidade—nunca monstruosas ou anti-natu-rais. Na parábola, nada existe con­tra a verdade da natureza. Fairbairn diz: "A parábola tem um objetivo mais admirável [...] A parábola po­deria tomar o lugar da fábula, mas não o contrário". Desejando informa­ções acerca da narrativa mítica, o leitor deve ler o parágrafo "Os mi­tos", de Trench.